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Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
MAIS UMA TUCANADA!
Vou ser curto e grosso, mais uma vez, até para não me irritar mais do que já estou.
Ainda bem que essa tucanada que governa São Paulo há mais de doze anos é ruim de obra, não faz porra nenhuma. Porque, quando se metem em alguma coisa, só dá merda.
Primeiro, foi o metrô: obra mais porca que as obras do Maluf. Deu no que deu: desabou. E matou gente que não tinha nada a ver com isso.
Agora, o Hospital das Clínicas: pegou fogo, porque o senhor-governador-presidente-eleito-da-república e, antes, o melhor-ministro-da-saúde-que-o-País-já-teve, não soltou a verba para obras básicas do hospital.
Mais uma tucanada!
Qual vai ser próxima? Eu aposto no Rodoanel: vai sobrar alguma merda a qualquer hora. É fatal. Depois, querem ser os melhores. Ou melhor, acham-se os melhores, os que sabem o que fazem, os donos da verdade. Com o beneplácito, senão o aplauso, de parte (bastante significativa, por sinal) da mídia imbecil que povoa os restaurantes chiques dos Jardins.
E tomem privatização! Que é o que eles fazem pior: vendem patrimônio público a preço de bananas, afundam as finanças do estado e querem aplauso.
Eta tucanada mais... deixa pra lá. Não vale a pena o palavrão que pensei.
UM FELIZ 2008 PARA TODOS.
E que meus prognósticos estejam errados: que a tucanada não apronte mais nenhuma tragédia.
Isaias Edson Sidney
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:48 PM
Sexta-feira, Dezembro 14, 2007
A RESSACA DA TROPA
A tropa ficou feliz. Derrotou o Governo. Abraços, sorrisos, gritos histéricos para a história. Acabou a CPMF!
Por trás da tropa, nos altos da Paulista, um certo Skaf também sorria: sua outra tropa ia ficar livre do olho atento da receita. Porque a tropa do Planalto Central, com um tal de Virgílio (o Poeta deve revirar na tumba a cada vez que chamam o daqui, com o prenome de cavaleiro da Távola Redonda, que por aqui é mais do que quadrada) e outros que se autodenominam democratas (para enganar que patrocinaram, apoiaram e mantiveram por vinte anos os milicos golpistas) cumpriram com seu dever cívico: o de ferrar o povo e comemorar.
Também ali no alto dos apartamentos elegantes de um bairro chamado Higienópolis, cidade da higiene, da limpeza, um sorriso de monalisa estampa a face do boquirroto ex-presidente, um cardo amargo de inveja e revanche.
A burrada foi comemorada. Com certeza, champanhas e uísques em brindes à saúde do povo brasileiro, agora desprovido da contribuição dos riquinhos do sistema, espoliado em quarenta bilhões.
Para que precisavam de quarenta bilhões os doentes do País?
Que paguem planos de saúde caros, inoperantes e espoliadores, criados na época de ouro daquele que se vendeu e vendeu o País para se reeleger.
Que morram em becos sujos de favelas ou em palafitas sem esgoto. Que se esfalfem de trabalhar em canaviais e construções sem eira nem beira, mas que movimentam usinas e riquezas desse desgraçado País que só começou a crescer agora, com o compromisso sério de uma economia responsável!
Mas aí veio a ressaca. A ressaca dos burros. Dos burros que bateram as patas e negaram com o rabo preso qualquer possibilidade de negociação.
Que se estrepasse a CPMF, eu acho, sinceramente. Porque, no fundo, no fundo, não era ela que estava em discussão, nesse imbroglio todo de birras e histeria.
Que se estrepasse a CPMF, mas que se abrissem as burras dos burros para algo muito mais importante: negociar formas de melhorar, sim, não só a saúde dos brasileiros, mas todo um sistema injusto de tributação, numa reforma mais que necessária de todo o fisco.
Mas, não: a tropa só via a cenoura-revanche. A oportunidade de dizer ao Governo que ele não pode melhorar a vida do povo, porque distribuir renda é pecado, pecado capital, que essa gentinha da FIESP e seu capitão-mor não admitem cometer. Para isso, beijam todo domingo a mão do padre e comem hóstia.
Agora, a ressaca. Os burros todos estão de ressaca: que foi que fizemos? Nada, caras-pálidas, vocês não fizeram nada. Apenas perderam o bonde da história, com sua histeria. E deixaram na mão milhões de pessoas que dependem (hélas!) de uma tropa bêbada de sangue e (desculpem o pleonasmo) burra!
Que a tropa e seus tropeiros aprendam a lição, tenho minhas dúvidas. Porque haverá, sim, uma campanha de muitos milhões para fazer o povo esquecer e reeleger essa cambada. Sempre os mesmos. Sempre os mesmos.
Isaias Edson Sidney
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:08 PM
Terça-feira, Dezembro 11, 2007
QUANDO FALTA A LÓGICA, APELA-SE PARA FALSAS VERDADES
Ninguém gosta de pagar impostos. Ponto.
O mundo ideal seria aquele em que o Governo teria bilhões para gastar em obras sociais, estadas, hidrelétricas, saúde, educação, transporte etc etc, vindos de algum fundo mágico, que não do bolso dos cidadãos.
Imposto é, mesmo, muito chato. E a CPMF, a bola da vez, na discussão da mídia, não fica atrás. Positivamente, um imposto que incomoda. E incomoda muita gente. Mas, que gente é essa, tão incomodada com esse imposto?
Vejamos: se um cidadão movimentar cem mil reais num ano, quanto ele vai pagar de CPMF? À alíquota de 0,38, é só fazer as contas: trezentos e oitenta reais. Num ano!
É claro que vão dizer que esse imposto está, de forma indireta, em muitos outros momentos da cadeia produtiva e que, no frigir dos ovos, acabamos pagando muito mais. Quanto? Ninguém, em sã consciência sabe. Além do mais, o que conta é o que sai do bolso, de forma direta, já que há milhares de outros impostos que pagamos sem nos dar conta.
Eu acho que são esses outros milhares de impostos que pagamos sem nos dar conta é que são o problema. Não a CPMF, que é bem mais transparente do que esses outros que pagamos sem pereceber. Porque são cobrados, muitas vezes de forma extorsiva, por prefeituras, governos estaduais e governo federal, criando sobreposições e injustiças muito maiores do que a CPMF. Ou alguém acha que os pedágios das estradas paulistas são um primor de justiça, quando se paga para ir de São Paulo a Santos (sessenta quilômetros), a quantia de QUINZE REAIS?
Urgue uma reforma fiscal. Que não se faz nunca. Por quê? Porque há milhões de interesses cruzados, num emaranhado de leis, portarias, decisões que confundem e que infernizam a vida de milhões de pessoas, para manter estruturas arcaicas de arrecadação e de achaque ao cidadão, cometidos por milhares de órgãos públicos inúteis e arcaicos.
Já a tal da CPMF, que não é nenhuma maravilha como imposto, tem o condão de ser bem mais justo do que o se paga para comprar feijão, por exemplo. Porque incide sobre o capital, o movimento financeiro de uns poucos milhares de figurões que pagam, eles, sim, a maior parcela desse imposto, embora apenas 0,38% de suas fortunas em constante transação.
E tem mais: é quase impossível sonegar a CPMF. Além de ser barato, muito barato, para ser cobrado, não necessitando de nenhuma estrutura burocrática, para emissão de guias, de recibos e de outros documentos que atanazam a vida de todo mundo. Nem fiscal precisa ter a CPMF!
Então, nessa discussão idiota em torno de tal imposto, fala-se tudo, menos o essencial: é preciso, urgentemente, uma reforma profunda no processo de arrecadação de impostos do Brasil. Isso, no entanto, não interessa aos detratores da CPMF, não interessa à midia, não interessa às chamadas elites econômicas, não interessa, enfim, aos políticos que são apenas representantes de seus interesses e dos interesses, nem sempre muito nobres, dos seus financiadores.
Agora, publicar, como fez a FOLHA DE SÃO PAULO, uma pesquisa dizendo que o brasileiro (qual brasileiro, cara pálida?) gasta mais com CPMF do que com feijão e leite é, simplesmente, desprezar a lógica mais comezinha, para ser o que ela sempre tem sido, quando se trata de defender os interesses de seus patrões: ser uma grandessíssima filhadaputa.
E uso esse palavrão (sem nem pedir desculpas), porque não encontrei outro pior.
É só ver a reportagem abaixo, para ficar indignado. Afinal, uma boa estatística (principalmente de uma entidade como a tal de FECOMÉRCIO SP !!!) é capaz de convencer qualquer um de que dois mais dois são cinco.
11/12/2007 - 10h35
Estudo indica que brasileiro gasta mais com CPMF do que com feijão e leite
da Folha Online
Em meio às articulações do governo para aprovar a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011, um estudo divulgado ontem pela Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) aponta que os brasileiros gastam muito mais com o "imposto do cheque" do que com arroz, feijão e leite.
Segundo o levantamento, os gastos com a CPMF podem chegar a R$ 40 bilhões em 2007, enquanto os gastos com arroz (R$ 10,3 bilhões), feijão (R$ 5,7 bilhões) e leite (R$ 9,1 bilhões) chegam a cerca de R$ 25 bilhões.
Atrás da CPMF ainda estão transporte urbano (R$ 29,4 bi), carnes (R$ 29,3 bi), remédios (R$ 26,9 bi), telefone fixo (R$ 21,7 bi), entre outros.
A pesquisa indica ainda que as famílias vão gastar R$ 171,3 bilhões com aluguel, R$ 56,6 com vestuário, R$ 40,3 bilhões com educação e R$ 18,2 bi com Plano/Seguro Saúde.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u353750.shtml
P.S.: O pedágio São Paulo - Santos é, sim, extorsivo, embora tenha financiado a construção da outra pista da Imigrantes, uma estrada realmente de primeiro mundo. Mas, se eu financiei a construção, devia ser sócio, e não apenas usuário. Quero de volta, nem que seja para meus netos, o retorno do meu capital aplicado. Ou não? Enfim, para esse gente, a lógica é lixo.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:28 PM
Segunda-feira, Dezembro 03, 2007
QUANDO TODO MUNDO FALA E NINGUÉM TEM RAZÃO
O ex-presidente Cardoso, em momento de boquirrotismo explícito, acabou falando mais uma bobagem: ironizou a situação de Lula, por não ter estudos. O atual presidente, também ele um boquirroto de carteirinha, acusou o golpe e respondeu duro (outra bobagem, porque elogio em boca própria é vitupério, já diz o ditado): não tem tantos anos de estudo como seu antecessor, mas governa melhor.
Vou meter a minha colher de pau nessa polêmica, porque, primeiro, gosto de uma boa briga; segundo, porque, quando se fala demais, dá-se bom dia a cavalo, como dizia minha mãe.
Fatos: Fernando Henrique Cardoso é schollar, sociólogo com obras publicadas, respeitado por sua erudição e saber. Lula, o metalúrgico, tem apenas um curso no Senai. Trajetórias de vida absolutamente diferentes: classe média de um lado, com todas as suas aspirações burguesas; retirante nordestino, de outro, com todas as suas implicações e anseios que isso pode trazer.
Têm, em comum, apenas o fato de que chegaram ambos à Presidência da República.
FHC nunca enfrentou preconceitos, por falar bem, escrever razoavelmente, ter viajado por todo o mundo, ter sido aluno e professor de uma das nossas mais prestigiosas faculdades. Tem, portanto, aquilo que se costuma chamar de cultura.
Lula não tem a erudição de FHC. Não estudou. Mas tem conhecimento, tanto quanto uma vasta experiência de vida, de observações práticas, nascido, criado e formado que foi num outro cadinho de cultura, que a erudição costuma chamar de popular. Mas, chame-se do que se chamar, também é cultura.
Porque é aí que começa a confusão. Confunde-se cultura com erudição. Inteligência com conhecimento. E fala-se muita besteira.
Louve-se a erudição de Fernando Henrique Cardoso. Mas, ressalve-se que tal erudição não lhe confere nem mais nem menos conhecimento e cultura do que o conhecimento e a cultura de Luís Inácio Lula da Silva. Porque, a despeito de toda a diferença entre eles, são ambos homens inteligentes e absolutamente aptos para a mesma tarefa a que se propuseram: governar este País (se há um melhor que outro nesse mister, é questão de opinião, de ponto de vista, de engajamento nessa ou naquela corrente política, o que, absolutamente, não vem ao caso, no momento).
O preconceito que parece vir expresso nas palavras do ex-presidente é fruto, apenas, daquele tipo de discurso para inglês ver (no caso, para deleite de um bando de tucanos, em convenção), que provoca o riso de quem ouve, por pretender desqualificar o adversário pela ironia, por aquilo que o vulgo chama de gozação. E ironia, todo mundo sabe, é o argumento de quem não tem argumentos ou não deseja argumentar, somente jogar para a platéia, como parece ter sido o caso (tanto, que ele, depois, disse que não queria dizer exatamente o que disse, ou seja, desconversou). Mas, o estrago já estava feito. O preconceito que, tenho certeza, não existe no pensamento mais profundo de FHC, já se instalara na mente do povão. E de certos comentaristas, claro.
E o preconceito cristalizou-se no nível da linguagem: Lula não sabe falar bem o português e não fala outros idiomas. FHC fala razoavelmente bem o português e o inglês e o espanhol...
Bem, este é o ponto exato de onde provém a dor (como dizia um amigo meu, uma das pessoas mais inteligentes e cultas que eu conheço, mas que nunca passou do primário, em termos de escolaridade): a linguagem.
Há muito que a Filologia, a Lingüística e as Ciências da Comunicação já desmistificaram o conceito de erro em linguagem. Ou seja, não há, propriamente, erro: há falares diferentes, dialetos e idioletos, regionalismos, gírias e jargões. Explique-se: quando aprendemos a falar, aprendemos a linguagem, que é a capacidade humana de se comunicar através de sons articulados, não necessariamente ou obrigatoriamente a língua e sua gramática, que é a especialização erudita da linguagem de um grupo social. E língua pressupõe um código rígido de regras e normas, uma gramática. Não que a linguagem também não tenha um sistema, mas esse é mais flexível, mais intuitivo. Porém, nem mais nem menos errado.
Um exemplo simples (sem entrar em conceitos e nomenclaturas complexas): no sistema de linguagem que a criança (de fala portuguesa, evidentemente) aprende, está a conjugação de verbos do tipo correr: corro, corri etc. Assim, quando precisar usar o verbo caber, irá a criança dizer, por analogia: cabo, cabi. Está errado? Não, exatamente. Está dentro do sistema. Mas, esse verbo tem outra origem e trajetória dentro da língua chamada impropriamente de culta e, por isso, tem outra formatação fonética e fonológica. Assim, vem a gramática (que é conservadora, no sentido de estar atenta aos detalhes de origem e desenvolvimento da língua) e decreta: não é eu cabo nem eu cabi, mas eu caibo e eu coube.
Tem a gramática a função (repito) de conservar a língua, de mantê-la dentro de parâmetros que a tornem menos dinâmica, ou seja, de evitar que a língua (e a linguagem) se modifique tão rapidamente, que uma geração não consiga entender perfeitamente as anteriores.
Além disso, à gramática cabe o papel de policiar o código escrito, um meio de comunicação muito mais sofisticado e complexo, orientado muito mais para o futuro e para outros falantes de erudição do que para o presente, sem nenhuma preocupação com falantes que não dominem esse código, o que exacerba o seu conservadorismo.
É claro que saber falar e escrever bem um idioma pode, e deve, ser motivo de orgulho, porque pressupõe estudo, erudição e dedicação, muita dedicação. Mas tem-se que pensar que é isto, apenas, e nada mais: o domínio de uma ferramenta. Como um marceneiro sabe usar serras, talhadeiras, chaves de fenda etc. E, assim como dominar as ferramentas não torna o marceneiro um artista, ou mesmo um artesão, também dominar a língua e sua gramática não torna ninguém nem mais culto nem mais sábio.
Portanto, nessa pinimba entre o atual e o ex-presidente, todo mundo fala e ninguém tem razão. Porque, na verdade, mesmo, o que vale é o que cada um pensa, sua weltanschauung, suas motivações, interesses e ideário social, econômico e político. Discutir escolaridade de um e de outro, pôr reparo na fala mais ou menos canhestra de Lula em comparação com a fala empolada de FHC, a essa altura do campeonato, é bobagem. Puro sexo dos anjos.
Isaias Edson Sidney
isasidney@uol.com.br
Um pós-escrito (mais ou menos longo): Lula não tem escolaridade, porque não teve, quando jovem, oportunidade de estudar. E desenvolveu, depois, por opção, por circunstâncias da vida, outra trajetória, outra forma de contato com a realidade, de busca de conhecimento da identidade do povo e de seus problemas. Por isso, chegou à Presidência. E isso é um fato, não tem nada a ver com gostar ou não gostar dele, com apoiá-lo ou não. Lula não é nem pode ser exemplo para ninguém deixar de estudar. Se algum jovem disser que não precisa estudar, porque ele, Lula, não estudou, responda: então, nasça no Nordeste, venha num pau-de-arara para São Paulo, sobreviva nas piores condições de vida possíveis, torne-se metalúrgico e líder dos metalúrgicos e presidente de sindicato e lute contra a ditadura e funde um partido etc. etc.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:06 PM
Sábado, Dezembro 01, 2007
SALADA GERAL
Às vésperas do plebiscito na Venezuela, a mídia de direita está histérica. Não entendem nossos jornalistas, repórteres, comentaristas e congêneres (e nunca entenderão, porque são míopes ou, quiçá, cegos) outras formas de governo que não as que mantêm a elite no poder. Não são elite os membros dessa mídia histérica de direita, mas agem como quintas colunas dos latifúndios, das grandes corporações, das famílias tradicionais, dos interesses do capital privado, principalmente estrangeiro. Porque são eles, sim, os capachos do poder, os caudilhos de ditaduras sangrentas que governaram essa nossa triste América tropical. Para eles, o presidente Chávez é o demônio que o velhinho lá do Vaticano, do alto de sua caquética sabedoria, insiste em exorcizar. E, por tabela, sobra também para o Lula que, na imaginação delirante desses cretinos, conspira para a obtenção de um terceiro mandato, nivelando por baixo, muito por baixo, pelas mazelas do pensamento de FHC, o metalúrgico que não tem diploma universitário nem fala várias línguas, mas que está tirando o Brasil do atoleiro em que essa cambada o manteve há tantas décadas.
E por falar em décadas, depois que o IDH (Índice de Desevolvimento Humano) colocou o País entre os desenvolvidos, graças aos esforços de redenção de nossos miseráveis, pelo Governo Lula, qualquer outro índice em que o Brasil aparece em situação desconfortável merece manchetes de jornais, extensos comentários dos inefáveis de sempre nas rádios e televisões, cartas iradas à imprensa e tudo quanto é tipo de baixaria. Isso aconteceu, por exemplo, com um teste de conhecimentos de ciências de estudantes de 15 anos dos países desenvolvidos, em que o Brasil ficou em último lugar. Claro que querem, primeiro, caracterizar o fato como vexatório e, depois, jogá-lo no colo do governo. Desprezam,solenemente a lógica de que, há mais de cinqüenta anos, a escola pública brasileira vem sendo sistematicamente depauperada, destruída, em prol de uma pretensa melhor qualidade de colégios particulares, quando, na verdade, criou-se, no Brasil, um fortíssimo lobby do empresariado do (péssimo) ensino particular (eu desafio a qualquar um a apontar nível de excelência em, pelo menos, dez escolas particulares de ensino médio em todo o País). A tragédia da escola pública no Brasil foi uma ópera bufa muito bem cantada e orquestrada por esses mesmos que, agora, apontam o dedo em riste para dizer que nosso ensino é uma vergonha. Sem a menor vergonha, claro, porque, repito, lógica não é com essa gente.
E por falar em lógica: eles inventaram a CPMF, eles impuseram a CPMF, eles desviaram os recursos da CPMF do seu destino original, eles mantiveram a CPMF para FHC e para os quatro anos seguintes, porque não acreditavam que não fariam o sucessor do príncipe da incoerência e das falcatruas pela reeleição. Agora, porque o Governo usa a CPMF para aliviar a pobreza de milhões de brasileiros e dar-lhe alguma esperança de dignidade, eles não querem mais a CPMF. E novamente a mídia-capacho apóia os grandes empresários, os ricaços que não podem e não conseguem sonegar a CPMF, além do fato de que esse imposto os coloca em posição vulnerável frente à Receita Federal, dando pistas de outras maracutaias, porque essa mídia-capacho e seus patrões são míopes, mal intencionados, quiçá, mesmo, cegos e estão pouco se lixando para os mais necessitados desse País. Querem que se explodam todos, como sempre se explodiram, para não usar um outro verbo mais apropriado.
Enfim, é esse, e muitos outros assuntos que são levantados irresponsavelmente pela mídia-capacho para atazanar a vida do Governo, fazendo o que a oposição constituída de um partidozinho da direita mais sem-vergonha e golpista, gente tão cara-de-pau que se autonomina democratas, não consegue fazer, porque não tem representatividade para isso. Contam, então, esses democratas tão autênticos como uma nota de quinze, com o coro bem orquestrado de comentaristas e repórteres que não se envergonham de se deixar usar, que não se envergonham de colocar sua dignidade a serviço exclusivo de seus patrões coniventes com toda essa casta de exploradores, e com a estupidez dos seguidores do ex-presidente boquirroto, que, jogando para a arquibancada, de olho nas eleições de 2008 e de 2010, atiram no próprio pé, porque são burros, idiotas e mesquinhos, não imaginando que o povo poderá perceber sua jogada e alijá-los para sempre da cena política.
Isaias Edson Sidney
isasidney@uol.com.br
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:32 PM
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