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Sexta-feira, Setembro 21, 2007
ASSIM NÃO DÁ, ASSIM NÃO DÁ...
Pânico nos Jardins, em São Paulo. Redações de jornais têm dias de funeral. Uma tristeza sem fim. Ranger de dentes nas hostes tucanas. Assim não dá, assim não dá, balbucia FHC. Foram vistos olhos vermelhos de insônia e de ódio nos restaurantes finos de São Paulo. Disfarçados, é claro, com muito uísque 12 anos e uma pequena dose de cachaça de Minas.
Ressaca geral na direita.
Adiem o golpe! Adiem o golpe! Adiem coisa nenhuma, berravam outros, mais desesperados. Temos o Renan, temos o Renan: mais uma representação! Mais uma representação! E tem o Mares Guia... Esse, não! Esse, não! Pra pegar esse, temos de entregar o companheiro Azeredo! Companheiro, não: correligionário! Virou traidor?
A CPMF! A CPMF! Não passa no Senado nem que a vaca tussa, nem que o boi voe! Vamos sangrar o governo, vamos tirar dinheiro dos programas sociais! É a única saída. Estancar a gastança com esse pobres! Onde já se viu gastar tanto dinheiro com miseráveis? Vamos obstruir as votações no Senado!
Tudo isso por quê?
Porque saiu em todos os jornais e revistas, deu no rádio e na televisão: o País está crescendo. Milhões saem da linha da pobreza. As políticas sociais estão dando resultado. Milhões de empregos estão sendo criados. A economia está forte.
Então, não resta mais nada? A direita hidrofóbica pergunta estarrecida. Perdemos para sempre nossa boquinha? Não vamos mais poder estender tapetes vermelhos para reis e príncipes no Alvorada? Vamos ter de agüentar essa... essa cambada?
Pois, é: a catástrofe não se confirmou. Não houve debandada geral de empresários. Pelo contrário. Não houve inflação galopante. Muito pelo contrário. Não houve descontrole na balança de pagamento. Muitíssimo pelo contrário. Não houve mais desemprego. Mas, muito, muitíssimo pelo contrário... Todos os indicadores econômicos e sociais ou são positivos ou tendem para uma melhora gradativa e sustentada.
E agora, José? Diria o poeta. E agora, tucanada do DEM ou democratas do PSDB? E agora?
Mas, não: eles não se dão por vencidos. Vão parar o Congresso. Vão queimar em fogo lento o Renan (que pode até merecer), como desculpa para não aprovar mais nada. Vão praguejar contra o boquirroto do Chávez, que deu claramente a entender que o Senado brasileiro é de direita e segue a cartilha liberal do Bush (como se nós já não estivéssemos cansados de saber disso).
E, então, pau no Chávez. Não votar nada enquanto o Renan não for embora já não basta. Agora o mote vai ser: não votamos nada enquanto o Chávez não pedir desculpas, de joelhos, de joelhos!
A birra da direita mimada vai ser grande. E vai causar estragos. No governo, sim. Mas principalmente para o povo: medidas urgentes serão adiadas, porque tentarão estancar o máximo possível os recursos para os programas de saúde, do bolsa-família, da criação de empregos...
Vai ser uma conta dura de pagar.
E tem a CPMF. É claro que ninguém gosta de pagar impostos. Mas briga contra a CPMF é uma briga burra. Deviam lutar pela eliminação de outros impostos: desoneração da folha de pagamentos das empresas, diminuição do ISS e de milhares de outros impostos que estão aí, embutidos em tudo. A CPMF é um imposto barato para o governo e muito mais justo que a maioria do impostos que andam por aí. Mas, não: será o cavalo de batalha para tentar golpear o governo.
Esse povo não cansa, não: vai ser uma dura batalha, diária, de muito ódio, de muito preconceito, de muito ranger de dentes. O pau vai cantar cada vez mais alto, na mídia, sobre as costas do governo. Porque ela, a oposição golpista e inconformada, não sabe perder, não admite que um operário de esquerda possa começar a consertar, enfim, um País de desigualdades centenárias.
Positivamente, assim não dá... assim não dá!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:15 PM
Quarta-feira, Setembro 19, 2007
NOTAS DE VENENO NUMA QUARTA-FEIRA
METRÔ DE SÃO PAULO:
A construção da nova linha do metrô de São Paulo só tem trazido encrencas para a população: túnel que desaba e mata pessoas, ruas afundam, casas são demolidas por causa de trepidações... E agora, os túneis escavados em duas frentes contrárias não se encontram! É muita incompetência das construtoras! E é muito dinheiro rolando! E a Assembléia paulista, nada! Continua amordaçada pelo povinho de bico grande, que governa São Paulo há não sei mais quanto tempo. A mídia paulistana, sempre tão pronta em cheirar e inventar escândalos, também nada comenta. Nesse caso, só noticia e... bico calado. Bico, mesmo, bico grande, de tucano, que essa mídia paulistana tem... Cadê os comentaristas irados? Cadê os indignados? Os cansados? Os que vaiam? Ô povinho!
SABER GANHAR, SABER PERDER
Democracia é isto: aceitar as regras do jogo. Todo mundo sabia que as denúncias contra o Renan Calheiros (que deve ser tão sujo quanto todos os demais policos que o acusam) eram políticas: muita fumaça e pouco fogo (embora ache que há, sim, fogo, e fogo bravo, ou seja, falcatruas e mais falcatruas), porque esse povo quase sempre faz tudo sem deixar rastros (veja o Maluf: posa de honesto até hoje, 50 anos depois de suas primeiras roubalheiras!). Mas provas, mesmo, nem dançando a dança da chuva! Então, se tudo é político, inclusive o julgamento, era mais do que certo que ele seria inocentado. Agora, por que não aceitam a derrota esses políticos do DEM (ou DEMO, ex-pfl, faz-me rir esse nome: democratas! Ah... ah... ah...), do tucanato (que tem o bico preso em mais falcatruas de FHC do que tinha o PC Farias, lembram dele?), do P-SOL (sol, de solitários, acho. Gente que ficou falando sozinha no PT e resolveu debandar...) e até mesmo aquele carinha que usava tanga de crochê quando voltou ao Brasil, e agora posa de verde?.... Pois é: saber ganhar e saber perder, isso faz parte do jogo democrático.
REFORMA POLÍTICA
Toda vez que há um escândalo envolvendo políticos, a reforma política vem à tona. Bobagem. Os políticos não vão fazer reforma nenhuma... Enquanto não acabarmos com essa casta, que são os políticos que se reelegem ad infinitum, com uma reforma feita pela sociedade civil, organizada, com gente de todas as camadas (que nunca tenha tido cargo público), reunida numa espécie de constituinte, não haverá jeito: tudo o que eles, os políticos, fizerem será mudar para continuar igual. REFORMA POLÍTICA SIM, MAS NÃO A QUE OS POLÍTICOS QUEREM!
SOCIEDADE COMPLACENTE (1)
Cai, todo mês, nas estradas e ruas brasileiras, mais de um avião Airbus. São 35 mil mortos por ano! Mesmo com o Código de Trânsito Brasileiro em vigor. Porque, simplesmente, não se cumpre a lei: motoristas, pedestres, autoridades, são todos omisso e responsáveis por esse morticínio. As multas precisam ser aplicadas com rigor. A Justiça precisa punir sem dó os que matam no trânsito, não exatamente com prisão, mas com a responsabilidade financeira pelas vítimas e seus descendentes. O bolso é sempre o órgão mais sensível. Esse negócio de cesta básica torna a impunidade a regra. E gente continua morrendo. E gente continua matando, por estupidez, por pura estupidez. Porque há uma outra ponta solta: a educação para o trânsito, que nunca saiu do papel. Quando escrevi contra as motos, há algum tempo, recebi inúmeros protestos. Agora, a situação está aí para quem quiser ver: o aumento absurdo de acidentes com esse veículo. Andar sobre duas rodas e um motor de não sei quantos cavalos é sempre umrisco. Sem responsabilidade, então, é suicídio certo. É preciso regulamentar o uso das motos, educar seus usuários... Enfim, é preciso buscar soluções urgentes para a guerra do trânsito brasileiro, que mata mais que a guerra no Iraque! Não podemos continuar complacentes com esse morticínio.
SOCIEDADE COMPLACENTE (2)
Outro morticínio: a guerra do tráfico. Por que será que há tantos traficantes? Por que será que tantas pessoas se arriscam no tráfico, servindo de mulas para as máfias? Por que será que policiais se misturam aos bandidos, para proteção dos traficantes? Por que será que as pessoas morrem pelo pó, pela erva, pelos produtos químicos? Por quê? Porque o tráfico de drogas é o negócio mais lucrativo do mundo (mais do que a índústria, o comércio, as religiões...). E porque é tão lucrativo? Porque as pessoas cheiram, fumam, se picam, engolem, se entopem o tempo todo dessas drogas. E quem são essas pessoas? São nossos amigos, parentes, conhecidos, pessoas de bem, que tem dinheiro para comprar essa porcariada toda. E tentamos combater os traficantes com armas, com granadas, com polícia... esquecendo-nos de tratar milhões de doentes que, de dentro de escritórios carpetados, com um simples telefonema, financiam o crime com suas cheiradas, seus picos, seus porres, em festinhas de embalo ou em sessões solitárias. Essa gente não sabe que cada baforada inocente de seu cigarrinho de maconha esconde a morte de dezenas, centenas, talvez milhares de pessoas? E que muitas dessas mortes são de crianças inocentes? Somos, mesmo, uma socidade complacente.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:39 PM
Segunda-feira, Setembro 17, 2007
O BAILE: DUAS HORAS DE PURO ENLEVO
Do fundo da memória, lembro o filme o belo e comovente filme de Ettore Scola, O Baile, há tantos anos... As cenas, esmaecidas, ainda estão lá, vibrando; as músicas, as personagens, a coreografia, tudo... A história dançada de uma Europa se recuperando de cataclismas.
E então, eis que uma produção carioca aporta ao palco do Cutura Artística ressuscitando a magia do filme antigo.
Superprodução, com vinte atores, cinco músicos e não sei mais quantas pessoas envolvidas.
Raramente, assisto a superproduções. Talvez por preconceito meu, dramaturgo que gosta de um bom texto, dito por bons atores, não importa se teatro tradicional ou experimental, sempre desconfiado dos grandes efeitos ditos especiais e da maquinaria exagerada desse tipo de espetáculo. Porém, lá vou eu ao Baile...
E então, a surpresa: produção realmente grandiosa, mas não pelos efeitos do teatrão que geralmente se importa, principalmente da Broadway. Cenário único, nem tão naturalista, nem tão abstrato: suficiente para nos colocar dentro de um salão de baile. Efeitos especiais? Só a tela, ao fundo, que nos remete a um ou outro fato histórico, ou nos mostra um ou outro ângulo dos atores no palco. Figurinos: todos caprichadíssimos, contribuindo para mostrar a evolução dos usos e costumes das várias épocas retratadas. Porque esse baile dura o tempo que vai de Getúlio ao ano 2000.
E a supresa maior: não há diálogos! Sem diálogo, não há dramaturgia! Engano: lá estão todos os matizes dos vários dramas humanos, existenciais e políticos vividos por personagens que se apresentam apenas pelo gestual, pelo figuirino e pela coreografia. Em sucessivos bailes, lá estão o suicídio de Getúlio, o governo de JK., o golpe militar (o único episódio não exatamente dançado, numa saída engenhosa do roteiro e da direção), a campanha pelas diretas, a democratização do País...
E eu me rendo à engenhosidade do roteiro bem adaptado, à delícia dos mil jogos de cenas das personagens, à beleza da coreografia, à graça dos figurinos, à interpretação dos atores, à beleza da música. Não sinto falta de diálogos, porque há drama, e dos bons, nessas duas horas de enlevo, em que sonho e pesadelo se misturam para interpretar um pouco de nossa história recente.
Sem dúvida, um belo espetáculo. Que recupera, com beleza e dignidade, as imagens esmaecidas do filme de Scola. Em versão brasileiríssima!
O BAILE
Autor: Jean-Claude Penchenat;
Roteiro brasileiro: Valderez Cardoso Gomes
Criação e direção: José Possi Neto
Produção: Tássia Camargo e Guilherme Abrahão
Grande elenco de atores-cantores-bailarinos e músicos.
Teatro Cultura Artística, São Paulo, SP.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:25 PM
Quarta-feira, Setembro 12, 2007
MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA
Acabei de descobrir, por acaso, o blog CIDADANIA, de Eduardo Guimarães (http://edu.guim.blog.uol.com.br/). Passei o endereço para a minha lista de amigos. Mas, quero fazer alguns comentários:
Primeiro, não gosto de associações, de partidos políticos, de comunidades, de clubes ou quaisquer outros movimentos em que se precisa associar, ter carteirinha, pagar (ou não) anuidades etc. Por isso, não sou filiado a nada, em minha vida. Participo, quando muito, de reuniões literárias ou dramatúrgicas com amigos, sem nenhum compromisso senão o de encontrar esses amigos e com eles poder trocar meia dúzia de idéias.
Segundo, também não participo de movimentos em prol de qualquer idéia, governo etc. Nem contra.
Terceiro, e o mais importante. Leio jornais e revistas, visito blogs, ouço rádio, vejo televisão. E conheço um pouco de história. Mas, principalmente, trabalho com a lógica dos acontecimentos, analisando-os o mais friamente possível. Meus (parcos) conhecimentos da história recente desse País me lembram os tempos do mar de lama de Getúlio Vargas: o denuncismo lacerdista que levou ao suicídio um homem cuja trajetória não me é nem um pouco simpática, mas do qual ficou a idéia de que era tudo, menos o corrupto e canalha pintado nas folhas das revistas e jornais da época. Depois, veio Juscelino. O mar de lama subiu para o planalto central e JK era pintado como o maior ladrão da história republicana. Elegeram, então, Jânio Quadros, com o beneplácito e o apoio explícito dessa mesma mídia. E deu no que deu. O próximo a ir para o pelourinho foi João Goulart. Contra ele, essa mesma mídia, que tem hoje quase os mesmos donos de então, enalteceu o golpe militar e calou-se (embora, muitas vezes, tenha sido calada) diante de todas as atrocidades. Na campanha pelas diretas, eles (agora reforçados pela televisão) timidamente deram voz aos movimentos populares. Para, depois, se encantarem e apoiarem escandalosamente, primeiro o caçador de marajás (que foi o desastre que foi) e depois o político tucano, em detrimento do sapo barbudo. Que, finalmente, chegou ao poder pelo voto livre do povo, contra tudo e contra todos, principalmente contra os interesses deles. Mas essa mídia (agora uma matilha de cães raivosos a falar em nome de minorias perdidas em suas artimanhas inutilmente golpistas) não perdoa que um ex-retirante nordestino, um ex-operário quase analfabeto vista ternos Armani, para ser recebido e respeitado por todos os governantes do mundo. E mais: que esse homem rude, com seu jeito às vezes desastrado, com seu palavreado que não tem o lustro da Sorbonne, consiga governar para os mais pobres e, ao mesmo tempo, tirar a economia do País do atoleiro em que deixara seu antecessor, apesar do beneplácito e dos aplausos desses mesmos que lhe atiram pedras, porque acham que programa social é esmola, e pobre só precisa de trabalho duro, de preferência bem longe da casa-grande, sob o relho dos feitores, quando todo mundo sabe que trabalho só se encontra quando a economia cresce. E é isso o que está fazendo o sapo barbudo: fazendo o País crescer. E isso eles não admitem.
Por último, não gosto do nome movimento dos sem mídia. Mas isso, absolutamente, não interessa, diante da importância de tormarmos conhecimento de que eles, os donos de jornais, revistas, rádios, televisões, não podem impor sua vontade com a cobertura enviezada por seus interesses como têm feito até agora. Dizia um antigo político: aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei. Para a nossa mídia atual, é mais ou menos isto: aos amigos, aplausos; para os demais, a denúncia, não importa se verdadeira ou mentirosa. Podem ser ladrões os amigos, podem ser honestos os outros, isso não tem absolutamente relevância nenhuma para eles.
Então, apóio, sim, o tal do movimento. E mesmo que não cheque a participar do ato de repúdio às inverdades da imprensa, que se pretende realizar no dia 15 de setembro, às 10h, em frente ao jornal Folha de São Paulo, com certeza estarei torcendo para que as pessoas que tenham um pouco de bestunto nesse país, que pensam com um pouco de lógica e não com o viés partidário, possam também apoiar e até participar do tal ato. Para não sermos, de novo, iludidos como no passado, por nossa inércia.
P.S.: O endereço da Folha é :Alameda Barão de Limeira nº 425 - São Paulo - SP.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 4:32 PM
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