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{Sexta-feira, Março 30, 2007}


QUE DROGA!



Jamais usei drogas. Acho babaca o cara que precisa de drogas para qualquer coisa. A vida já um barato, sem precisar de maconha, cocaína, ecstay ou qualquer outra porcaria, para viver um barato. Aliás, em matéria de drogas, já botamos para dentro de nosso organismo muitas outras drogas, as legalizadas, as que estão no ar que respiramos, na comida envenenada por agrotóxicos que comemos, nos comprimidos contra dor de cabeça que consumimos. E ainda vamos querer drogas que, além dos efeitos colaterais que todos conhecemos, ainda nos alteram o estado de consciência! Acho estupidez. Mas, enfim, cada um sabe de si.

Quando o assunto é droga (aqui consideradas apenas as de efeito alucinógeno, portanto, as proibidas), a falta de conhecimento do assunto, o preconceito e as posições radicais predominam.

Falta de conhecimento do assunto. Não preciso, por exemplo, saber a história da maconha e de seu uso através dos tempos, ou, ainda, que a maconha pode ter tais e tais usos terapêuticos ou não, para defender o famoso tapa na pantera. O que a ciência sabe hoje sobre a cannabis é suficiente (assim como conhece todo o malefício do cigarro, esse uma droga permitida!), para nos provar que, embora menos terrível que outras, a marijuana tem efeitos nocivos, sim, no organismo de quem a usa. Assim como conhecemos, cientificamente, o desastre físico e psíquico provocado por todas as demais drogas alucinógenas.

Preconceito. Trata-se de pura e simples estupidez ter preconceito contra o assunto drogas. Mas, pior é o preconceito contra o usuário. Está certo: acho que quem usa droga é estúpido, mas estúpido para si mesmo, por se destruir. Não adianta a sociedade encarar com preconceito o desajuste do drogado. A sociedade cria indivíduos desajustados e precisa acostumar-se a conviver com eles, e não persegui-los. Os seres humanos não são anjos nem demônios e imaginá-los divididos entre o bem o mal, seja por qual motivo for, não ajuda em nada a nos tornar melhores e mais civilizados.

Posições radicais. Há os que defendem com unhas e dentes a liberdade de se drogarem, como se a sociedade não tivesse nada com isso. E há os que desejam ver para sempre erradicados da sociedade tanto as drogas quanto os drogados. Tanto o individualismo exacerbado de um lado, quanto o fascismo disfarçado do outro poluem e impedem qualquer discussão mais séria sobre as drogas. E ficamos nos digladiando, sem achar rumos para algum tipo de solução do problema ou de convivência com ele.

No entanto, uma discussão séria, com conhecimento do assunto, sem preconceitos e sem posições radicais urge que ocorra em todo o mundo, para que possamos equacionar o problema do uso e abuso de drogas alucinógenas em nossa sociedade. Tanto a permissividade total quanto a proibição absoluta têm-se mostrado catastróficas. Por isso, defendo a busca de um meio termo, de um princípio mais humano e uma visão menos tacanha, que possa encontrar na prática uma forma de racionalismo tem sido dificultada por esses três elementos que citamos.

A sociedade tem de decidir: aceitação e formas de aceitação ou proibição total e formas de erradicação.

Se optarmos pela proibição total, como mais ou menos tem sido o modelo atual, temos de buscar formas científicas de erradicação total das plantações e das sementes de todas as drogas que se cultivam; temos de encontrar sistemas de controle das substâncias que permitem sintetização dessas mesmas drogas e a criação de outras ainda mais potentes; temos de desenvolver formas mais humanas de tratamento dos usuários; e, acima de tudo, realizar uma ampla e profunda conscientização das pessoas, através de campanhas publicitárias, de educação permanente de jovens e adultos, de forma a que todos tenham absoluto conhecimento e desprezo pelas drogas. E, acima de tudo, coibir o tráfico e manter um sistema de vigilância contínua e total em todos os pontos de cultivo, processamento e venda de drogas, sem um minuto sequer de distração, sem um átimo sequer de tolerância. Custo desse programa? Incalculável. Mas é um custo que todos, absolutamente, todos terão de pagar.

Se optarmos pela aceitação do consumo de drogas, em nome da liberdade individual, temos de solucionar o problema da produção e comercialização dos produtos; temos de estabelecer critérios de qualidade para essa produção e comercialização, bem como a adequação de lugares para consumo, sem que prejudiquem os que não usam; temos de estabelecer regulamentos claros para esse consumo; temos de discutir se o usuário terá ou não direito aos caríssimos sistemas de saúde, quando estiver debilitado pelas drogas, e quem pagará por isso; temos de discutir os limites entre o dever e o direito dos usuários, de tal modo que não interfiram nos direitos e deveres dos não usuários; e, principalmente, discutir se vale a pena a sociedade curvar-se definitivamente às demandas individuais e se vale a pena pagar esse preço, já que abrirá as portas para muitas outras exigências do indivíduo em relação ao grupo, de tal forma que assumamos claramente a ditadura do ego sobre o coletivo. Custo desse programa? Incalculável, em suas conseqüências muito menos econômicas do que de mudança total de paradigmas. Mas será um custo que todos, absolutamente todos, terão de pagar.

Enfim, abrir a discussão e buscar soluções para os inúmeros problemas que, apenas de relance e de forma rasa, abrimos nos parágrafos precedentes, numa visão maniqueísta, que é a visão mais comum, quando se trata de drogas e seu uso. Apesar disso, dessa visão tacanha e mal discutida do problema, o que não podemos continuar tolerando é absoluta indiferença e hipocrisia da sociedade, e seu envolvimento com aspectos preconceituosos, ligados a religiões e a outras superstições, quando vem à tona o assunto drogas. Também não podemos tolerar a cara de pau dos que dizem ser inocente o uso de um cigarrinho de maconha, como se não houvesse por trás dessa fumacinha um tremendo esquema de tráfico que assalta, que assassina, que mantém a todos reféns de uma violência contra a qual os mesmos fumantes inocentes se revoltam, quando atingidos em seus filhos, irmãos, pais e amigos por balas perdidas e outras atrocidades, por bandidos financiados por eles mesmos.

Essa hipocrisia, sim, tem de acabar. E já. Para que possamos discutir com paixão, talvez, mas não sem conhecimento, mas não com preconceitos, mas não com radicalismo, o problema das drogas.

E também sem poesia e sem ingenuidade, por favor. Porque não é pelo fato de eu nunca ter usado drogas e abominar o seu uso, que não poderei entender o buraco em que estamos metidos por causa delas.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 11:19 AM


{Quarta-feira, Março 28, 2007}


O QUE É RACISMO, AFINAL?


Não conheço a senhora Matilde Ribeiro. Na verdade, pouco ouvi falar dessa senhora. Sei, apenas, que é titular da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial, com foros de ministério.

Aliás, o nome dessa Secretaria já contém um equívoco, ao falar em igualdade racial. Devia ser igualdade humana. Porque não existe raça, no conceito vulgar que se atribui a essa palavra. Existe a raça humana, com suas desigualdades aparentes e suas etnias socio-culturais, mas dizer que cor da pele é raça é um equívoco idiota, que deve ser combatido.

Dito isso, devo acrescentar que não tenho e não pretendo ter procuração dessa senhora para defendê-la, o que passo a fazer a partir de agora, por achar que, qualquer coisa que alguém diz e que tem repercussão se transforma em polêmica e, na polêmica, os mais exaltados (e até os menos, também) cometem injustiças e falam muitas bobagens.

Afirma a tal senhora que não é racismo um negro se insurgir contra um branco. Naturalmente, dita assim, na mancete de uma matéria de jornal, a afirmação parece incitação da violência do negro contra o branco. E isso provocou toda a ira dos que sempre estão por aí para apenas criticar, sem aprofundar a discussão. E na pressa do comentário, até ilustres figuras são levadas a erro, a dizerem coisas que carecem de um mínimo de lógica.

Vamos aos fatos. Nenhum ser humano gosta de ser escravo. Nenhum ser humano aprecia a humilhação, os maus tratos, o trabalho forçado. Insurgir-se o escravo contra o senhor é uma condição natural de qualquer ser humano que ainda não tenha perdido toda a sua dignidade, com o processo cruel de desumanização que a condição de escravo lhe proporciona. Isso não é racismo: é o grito de liberdade a que todo e qualquer ser humano tem direito.

Pelo que eu sei, historicamente, nunca houve, pelo menos de forma tão formidável e abrangente, escravização de brancos por negros. Ou seja, o branco foi sempre o senhor e o negro, o escravo. Logo, a afirmação da senhora Matilde está apoiada numa lógica clara: não é racismo o escravo insurgir-se contra o escravizador, não importando a cor da pele. Porque, realmente, ninguém é obrigado a gostar de quem o açoitou a vida inteira, em outras palavras da mesma senhora. E tais declarações nada têm de racismo ou de preconceito, mas apenas a contestação história de uma verdade.

E mais: dizer que não há preconceito ou racismo de negros contra brancos também é estupidez. Porque há, sim, mesmo em comunidades aparentemente sociáveis. Não vou citar exemplos, porque também os exemplos são polêmicos, por não serem universais. Se eu disser que entre a comunidade tal de negros tocadores de flauta doce há preconceito contra brancos, isso será interpretado como se todos os negros tocadores de flauta doce fossem racistas e preconceituosos. E outra polêmica estaria no ar.

Dizer que não pode haver racismo ou preconceito de negros contra brancos também é estupidez. Porque não pode haver? Se os negros sempre foram discriminados, humilhados, ofendidos, escravizados, não será por obra e graça de algum milagre que passarão a se comportar como anjos e a conviver em harmonia com os seus algozes históricos, como se nada tivesse acontecido.

Agora, dizer que não deve haver racismo ou preconceito entre os humanos, por questões meramente de cor da pele, isso, sim, é correto. É mais do que correto: é o lógico. Porque, como afirmei antes, racismo é estupidez, por lhe faltar a base do conceito: a idéia de raça. Somos todos seres humanos, com diferenças de cor da pele (absolutamente irrelevantes, dentro de qualquer princípio científico), com diferenças socio-econômicas e culturais, mas todos pertecentes à mesma espécie, a raça humana. E combater o racismo, o preconceito, é uma questão fundamental para uma sociedade mais justa. Mas é, também, uma questão educacional: só um longo aprendizado do que seja o ser humano e suas formas de convivência poderá levar a erradicar tal praga.

Entendo perfeitamente o significado das palavras da senhora ministra: não há o que contestar em suas declarações. Não são racistas. Não têm o intuito de deflagrar nenhum movimento de ódio aos brancos. Não merecem a polêmica que se criou. E, principalmente, não merecem as condenações injuriosas e instantâneas de pessoas que não se deram o trabalho de ler com atenção o que querem dizer, para situá-las num contexto histórico mais próximo da realidade.

A única restrição que faço a seus conceitos, a suas palavras, é que, como ministra, teria sido mais fácil, mais simples e mais elegante não ter sido tão enfática. Ou, talvez, ter-se explicado melhor, o que, numa entrevista, convenhamos,. seria exigir demais.

E, para finalizar, espero que alguém se lembre de levar ao Governo a idéia de mudar o nome do órgão para Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Humana. Para se começar a enterrar, de vez, o conceito estúpido de racismo. O que seria uma boa conseqüência dessa polêmica idiota.










posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 11:57 AM


{Segunda-feira, Março 12, 2007}


VENENO DA SEGUNDA-FEIRA


BUSH E A BOLHA. Mais de quatro mil homens para garantir a vida do Bush. Contra quem? Se o que o ameaça não são as pessoas, mas seus próprios delírios e fantasmas. O cadáver político, como disse Chávez, pode não ter um léxico acima de 600 palavras, mas detém o poder de mudar o mundo. Para o pior ou para o melhor. O problema é que Bush, em sua bolha, não sabe muito bem o que se passa no mundo. E, por isso, todos o odeiam. Com razão, com muita razão. Vampiro do mundo, passará à história como o homem mais detestado do planeta. E, não contente, com isso, como o mais estúpido estadista que já governou os Estados Unidos da América.

MINHOCÕES E MINHOQUINHAS. Maluf construiu o minhocão, um longo, horrível e detestável viaduto sobre o centro de São Paulo. Maluf quer ser lembrado para sempre, como o pior construtor de obras inúteis e mais caras do mundo. E como o maior ladrão, também. Fico imaginando o que seria do Egito antigo, se Maluf tivesse sido faraó: Keops, Kefrem e Miquelinos seriam, hoje, miniaturas. Mas Maluf não está sozinho: se ele projetou e construiu o minhocão, Serra e Kassab inauguram a minhoquinha: um ridículo viaduto de mais de 8 quilômetros, onde circularão ônibus comuns a velocidades de 40 quilômetros por hora, para transportar passageiros descontentes, cobrando as altas tarifas de sempre. Está bem: a dupla Serra e Kassab não têm culpa. Afinal, a minhoquinha foi idéia e concepção do desastrado Pitta, apadrinhado político de Maluf e hoje seu inimigo. Nem na estupidez o Pitta conseguiu ultrapassar o seu padrinho. Embora tenha roubado tanto quanto. E, agora, a cidade de São Paulo e seus desarvorados cidadãos ganham mais uma obra inútil, cara e detestável. Com uma pontinha de culpa de minha cara Marta Suplicy, que não teve coragem de mandar implodir aquilo.

TIO BENTO VEM AÍ. Parece teoria conspiratória, mas a direita se arma com todos os recursos, para atazanar a vida da gente. Há fatos que parecem não ter nada a ver uns com os outros, mas têm. Primeiro, foi o famigerado plebiscito que a direita conduziu e ganhou: as armas de fogo não foram proibidas. E, agora, o que se vê por aí de violência e de bala perdida... Depois, a campanha irresponsável do Vaticano contra o uso da camisinha, contra os meios anticonceptivos etc. Aí, veio o Bush, que parece não ter nada com isso, mas tem: também é fundamentalista e quer que o Brasil se transforme num imenso canavial (está certo: o projeto do etanol poderá ser uma das alternativas para o beco em que se meteu a humanidade na questão energética, mas daí a querer que só plantemos cana, já é demais!). Quando tudo parecia calmo, o Lula disse que a igreja é hipócrita em condenar o uso da camisinha. Justo agora, vem aí o Tio Bento lá do Vaticano, para tentar pôr freio na população católica. O estrago vai ser grande. A direita, seja ela a que vota a favor das armas, ou a que acompanha Bush e esse papa imbecil que vem aí, é sempre a mesma: retrógrada, estúpida e escravagista. Quer que continuemos burros, surdos e mudos, para que ela continue controlando nossos corpos, nossas mentes, nosso dinheiro. E pior: quer que continuemos nos matando, com balas perdidas, com o vírus da Aids, com a miséria de um mundo superpovoado.

QUE SE ENFORQUEM COM AS TRIPAS UM DO OUTRO OS BUSHES E BENTOS XVI!...

QUE SÓ SERVEM PARA TORNAR ESSE MUNDO CADA VEZ MAIS VIOLENTO E MAIS DIFÍCIL DE SER SALVO DE SUAS IDÉIAS RETRÓGRADAS!

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:01 PM

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