|
|
Quarta-feira, Setembro 27, 2006
O DEBATE ENTRE OS CANDIDATOS AO GOVERNO DE SÃO PAULO
É sempre esperado o debate promovido pela Rede Globo. Por motivos óbvios. Que nem me cabe aqui criticar ou elogiar. O certo é que sempre se esperava alguma novidade que esquentasse a pobre campanha ao Governo do Estado. Apesar de todas as regras que amordaçam e domam o desejo de alguns candidatos de partir para o confronto. Mas, foi tudo muito bonitinho, muito figurino da Globo, sem nenhuma emoção, um debate chocho e murcho e sem graça, uma verdadeira sopa de chuchu, já que essa leguminosa anda por aí fazendo sucesso.
O único momento engraçado foi quando o Aplinário, do PDT, disse que Serra vai colocar duas professoras em sala de aula, uma que saiba ler e outra que saiba escrever. Mas ficou por aí. Nem reação a piadinha provocou.
Mas, uma coisa me chamou a atenção: a capacidade que tem o Serra de bancar o bagre ensaboado. Não deu uma só sugestão de programa de governo (além das duas professoras em sala de aula), não adiantou uma só medida que será tomada por seu governo, se for eleito. Todas as vezes que lhe cobraram solução para um problema, só falou generalidades. E por quê?
Por um motivo muito simples: ele conhece a situação de calamidade em que está o Governo de São Paulo, depois de doze anos de Covas, Alckimin e, agora, o... como é mesmo o nome dele? o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes... é, acho que é esse mesmo, um tal de... deixa pra lá... o ex-vice que virou Governador e fez acordos como PCC. Pois é: qualquer proposta que o Serra fizesse seria uma crítica ao que os seus coleguinhas fizeram. Logo, em boca fechada não entra mosca. E foi o que fez, aliás com brilhantismo, o nosso provável futuro Governador, a acreditar nas pesquisas. Escorregou mais que bagre ensaboado, mais do que chuchu com quiabo... Epa! Sem trocadilho, sem trocadilho!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 5:23 PM
Terça-feira, Setembro 26, 2006
A IMPRENSA DO MAS...
Essa história de pimenta no olho dos outros ser refresco sempre rende bons comentários. No Brasil, a nossa querida mídia (imprensa, televisão, rádio...) sempre esperneia quando é criticada. Mas (e essa palavrinha vai ganhar importância no meu texto, a partir de agora) se esquece de que seu olho é grande, muito grande, maior do que a classe social que ela sempre defende, embora jure ser isenta, imparcial, imaculada. Porque ela é sempre a imprensa do mas... Se não, vejamos.
Antes, uma pequena lição de português: quem já estudou gramática lembra-se das conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto...). Elas servem para ligar uma oração a outra, quando a segunda contraria a conclusão lógica da primeira. Por exemplo: Maria teve alta do hospital, MAS morreu em seguida. Expliquemos: Maria teve alta do hospital, logo (conclusão lógica) é sinal de que ela estava bem de saúde, mas (oposição a essa conclusão) não foi bem isso o que ocorreu. Em termos psicológicos, a opção pela adversativa implica uma certa condenação ao primeiro fato. Ou seja: a má notícia (quando se trata de má notícia, como é o caso) fica reverberando mais tempo na cabeça do receptor. Ela anula, portanto, a primeira. Dá à primeira um status de falseamento da realidade. Há, na linguagem humana, outra maneira de se dizer a mesma coisa, mas de forma menos condenatória, quando não queremos impingir ao fato principal uma conotação tão negativa. É usando uma conjunção concessiva (para lembrar: embora, ainda que...). Diríamos: Embora tivesse tido alta do hospital, Maria morreu em seguida. Dá-se, aí, uma concessão, uma permissão para o fato de que Maria tenha morrido, não uma condenação ao fato de haver tido alta. Bem, é mais ou menos isso. A escolha de uma estrutura ou de outra depende da intenção do emissor: a primeira, de condenação; a segunda, mais generosa, menos agressiva. Ou mais ou menos como o caso do otimista e do pessimista diante de um copo com metade do líquido: o otimista dirá que ele está meio cheio; o pessimista, que ele está meio vazio. Perceberam?
Vamos agora à imprensa brasileira. Todos sabemos que os grandes órgãos de comunicação escrita (e muitos, também, da mídia falada) constituem-se em intérpretes e representantes de uma certa corrente política que agrega os chamados formadores de opinião, aqueles que tentam influenciar pessoas, nesse caso, fazendo inimigos. Bem, o fato é que a imprensa brasileira se tornou, a partir desse alinhamento às forças mais conservadoras, a imprensa do mas. Exemplifiquemos: se o IBGE divulga números em que houve melhoria da condição social do povo, os jornais logo colocam em suas manchetes:
MISÉRIA DIMINUI, MAS AINDA HÁ TANTOS MILHÕES VIVENDO NA POBREZA ABSOLUTA.
Perceberam? O fato de haver ainda milhões de pobres praticamente anula o fato de que a miséria diminuiu. Além disso, a segunda oração, a adversativa, a que contraria a conclusão lógica da primeira (a miséria diminuiu, logo há menos pobres etc), é mais extensa, mais, digamos, polpuda, que a primeira. Porque a intenção do órgão de imprensa não é elogiar o que é elogiável (a diminuição da pobreza), mas, ideologicamente, menosprezar a conquista.
E é assim com tudo: qualquer realização do Governo é seguida de uma adversativa, de um mas, aquele mas que desqualifica, que tenta projetar na mente do leitor a idéia de que tudo o que o Governo faz merece reparo. Porque é assim que caminha essa nossa imprensa: arvora-se o direito de criticar (e o tem, sem dúvida nenhuma) e de condenar (o que, absolutamente não é sua função). A liberdade de que gozam (que é, absolutamente, inquestionável) transforma-se em arma de propaganda fascista, porque sutil, porque escondida sob o falso manto da imparcialidade. Isso, eu acho, é absolutamente canalha.
Portanto, sem nenhuma concessão, fecho essas mal acabadas linhas com uma frase adversativa para os nossos impolutos jornalistas: A imprensa brasileira é imparcial, MAS SEMPRE DEFENDE OS INTERESSES DA CLASSE DOMINANTE.
Que tal, não seria uma boa manchete? Afinal, pimenta no olho dos outros é refresco.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:18 PM
Quinta-feira, Setembro 21, 2006
ME DÁ UM DINHEIO AÍ, ME DÁ UM DINHEIRO AÍ...
Cante comigo, com o refrão da velha e conhecida marchinha de carnaval do Moacir Franco, Me dá um dinheiro aí:
Ei, você aí,
Já leu Olavo de Carvalho?
Já leu Olavo de Carvalho?
Não leu, não, não leu, não?
Se não leu, não leia. Ou, se ler, tenha ao lado um urinol. Pra vomitar. Pois é o vômito da direita que a direita digere, ao ler Otávio de Carvalho. Nossa velha direita nazi-fascista de origem integralista empapuça-se com ele. Adora o cara, que não se peja de dizer que veio dos Estates, onde esteve para alertar a direita americana contra o esquerdismo que toma a América Latrina, desculpe, Latina, para continuar sua luta aqui. E mais: quer grana. Tutu, arame, melhor ainda se for dólar, para encher a burra e continuar a chover no molhado, isto é, dizer aos americanos que nós, latrino-americanos, desculpe, latino-americanos, não gostamos deles. Como se eles, os velhos babugentos da direita americana, estivessem preocupados com isso. Eles, os cães perdigueiros do grande império, estão preocupados, agora, é com o petróleo do Oriente (antes que acabe) e com a novíssima commodity, a água, que o Iraque tem. Para isso, devem destruir mais alguns países, derrubar o governo de outros e, de quebra, se for possível, dar um pau no Bin Laden.
Mas, voltando ao autoproclamado filósofo: ele quer grana e pede, em seu site, que os amigos depositem ou lhe enviem qualquer quantia. Pois é: aí está a grande causa da direita brasileira. Dar dinheiro para pretenso pobre pretensioso filósofo. Para suas viagens internacionais. Para o seu uísque do dia-a-dia. E para que ele continue a atacar o Lula, que gasta dinheiro à toa, para tentar matar a fome de onze milhões de brasileiros.
Melhor voltar ao refrão original da velha marchinha de carnaval, que são caras como o tal autoproclamado filósofo que fazem deste País uma piada:
Ei, você aí,
Me dá um dinheiro aí,
Me dá um dinheiro aí...
Porque a marchinha continua dizendo que o cara vai fazer uma grande confusão, beber até cair etc. Bem, confusão já faz o dito cujo autoproclamado filósofo da direita hidrófoba, porque já deve ter nascido com confusão mental e, com tanto uísque americano na cabeça, bebido enquanto freqüenta os escritórios e as reuniões da tal elite americana para lamber suas bolas, ele deve, sim, cair de maduro e afogar-se na sua baba venenosa, junto com todos os seus queridinhos não menos babentos daqui.
E, se morrer, com certeza, Fidel, Chávez, Evo e Lula deverão passar em seu túmulo, para dar uma mijadinha clássica.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:31 PM
Quarta-feira, Setembro 20, 2006
SOBRE CÃES E CACHORROS
Não gosto de cães. Nem de cachorros. Como assim, dirão alguns, cão não é cachorro e vice-versa? Não. São entidades distintas. Embora pertençam ambos à espécie canina, cães e cachorros têm algumas diferenças. Não de aparência. Mas de status. Já dizia o velho ditado: quem não tem cão, caça com cachorro. Ou seja, há, aí, implícita, uma certa hierarquia.
Expliquemos: a madame tem o seu cão, ou cãozinho, geralmente aquela coisa branca, chata, que late estridentemente para qualquer estranho, do alto dos braços aconchegantes da madame, é claro. Os pit-boys, garbosos rapazes de grandes bíceps e peitos quase siliconados, também têm seus cães, quase sempre um pit-bull ou assemelhado. Aqueles canzarrões de bocarras enormes e babentas, prontos a arrancar o braço ou cabeça de qualquer desavisado. São meio parecidos com seus donos. Por isso, são cães. Acho que devia até grafar com c maiúsculo, mas aí, já achei meio exagerado.
Já o mendigo da esquina, aquele que tem sua carroça e, nela, os teréns que recolhe aqui e ali, na verdade, o seu tesouro, tem cachorro. Algumas vezes, amarrado à carroça, mas na maioria dos casos, vive o bichinho solto por ali mesmo. Porque é bicho sem-vergonha, adora o dono, vela o seu sono e protege seus bens. Ninguém diz o cão do mendigo. Diz-se, e apropriadamente, o mendigo e seu cachorro ou vice-versa.
Entre essas duas espécies humanas, o mendigo e o pit-boy ou a madame, há os que não sabem direito se o que possuem é cão ou cachorro. Acho que é um misto de ambos: porque vive nas casas, nos apartamentos, sujam as calçadas, incomodam os vizinhos, enchem o saco de todo mundo, lambem as mãos das visitas ou masturbam-se em suas pernas. É o típico animal alegre, feliz. Seus donos são chamados de cachorreiros, porque os amam. Não vivem sem eles, para infelicidade geral de vizinhos (que agüentam seus latidos, sua sujeira, seu mau cheiro) e felicidade geral dos fabricantes de comida e acessórios para cachorro (aquelas que entulham um corredor inteiro dos super-mercados).
Como podem ver, nós os chamamos de cachorros, aproximando-os muito mais do lado menos nobre da sociedade, os mendigos, do que do lado mais, digamos, altivo: os pit-boys e as madames. Digo altivos, porque não adianta você reclamar com eles, dizer que não divide o salão de cabeleireira com cachorro ou a calçada com pit-bull. Nem as madames lhe darão confiança, nem os pit-boys serão capazes de esboçar qualquer gesto que não seja o de, com desdém, atiçar o canzarrão a morder a sua bunda.
Pois é, toda essa conversa fiada sobre cães e cachorros para registrar dois acontecimentos ou dois fatos pitorescos.
O primeiro: há em meu bairro uma mendiga e seu cachorro. Mendiga com complexo de madame, não uma mendiga qualquer. E, por isso, seu cachorro também não é um cachorro, é quase um cão: sempre que esfria ou chove, a tal mendiga veste o seu (devo dizer cão ou cachorro? Ò dúvida cruel) animalzinho com apropriadas roupas de proteção, deixando-o sempre muito elegante, o que se pode comprovar pelo próprio comportamento do bichinho: sempre muito altivo, não se misturando às matilhas que pululam pelo bairro. Cão de mendiga, sem dúvida. O que comprova que quem não tem pedigree inventa. E pode se sair bem.
O segundo: um cachorro desses vira-latas que andam por aí resolveu fazer uma boquinha mais canina. Conseguiu invadir o jardim onde imperava uma cadela metida a besta e comeu sua ração. Não satisfeito, ainda traçou a dona da ração, que engravidou. Ora, isso provocou indignados protestos, tanto de gente que chamou de estupro o ato, quanto de gente que achou mais sacana o fato de o tal vira-lata ter-se dado o luxo de se locupletar com a cara ração importada, comprada com dólares a preço do dia. No câmbio negro, diga-se de passagem. Bem, não importa de onde venham os protestos: todos se uniram para dar um pau na cachorrada do bairro. Ou seja: quem nasce pra cachorro, não pode, mesmo, ter dia de cão.
E por aqui encerro essa falação meio besta sobre cães e cachorros. Para evitar falar em cachorradas que andam acontecendo por aí, com os cães de caça à solta e os cachorros com os rabos entre as pernas, mas indignados. Porque é só o que resta aos cachorros, ficar indignados, quando a matilha de galgos sai à caça com seus donos armados até os dentes, dentro de elegantes fatiotas coloridas e bem cortadas. Se nem as raposas escapam, quanto mais cachorros de mendigos, vira-latas, sem-donos em geral e meros vagabundos, em particular.
Ah, ia-me esquecendo: não gosto de cães nem de cachorros, porque os humanos que possuem tais animais de estimação, em geral dão mais valor a seus cães e cachorros do que a outros seres humanos. E isso me irrita profundamente. Mas acho que é só implicância minha. Ou não?
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:41 PM
Terça-feira, Setembro 19, 2006
UM GRITO DE LIBERDADE E DE ESPERANÇA
Os olhos com que o Ocidente contempla o Oriente sempre foram olhos de estranhamento. O Ocidente nunca viu o Oriente a não ser no aspecto folclórico. Viajantes, desde a Idade Média, contavam casos e causos, histórias reais e fantásticas, menos as primeiras e mais, muito mais, as segundas. Mil e uma noites: poucas traduções buscaram as fontes. E, mesmo assim, ficou o folclore, ficou o filtro da falta de informação. O Oriente misterioso, de odaliscas e castelos, de minaretes e espadas recurvas, de mirabolantes histórias de homens de turbantes e mulheres sensuais nunca existiu, a não ser na nossa imaginação fértil.
A realidade do Oriente, a dura realidade, é a da pobreza, da miséria e da ignorância. E de riquezas do petróleo, exploradas por famílias tradicionais que, na maioria dos casos, mantêm o povo na mesma milenar miséria. Mesmo quando houve surtos de aproximação dos árabes com o Ocidente, uma certa ocidentalização, isso ocorreu graças a ditaduras cruéis, como as do Irã e do Iraque e em muitos outros países. O namoro desses ditadores com o Ocidente tinha por pressuposto a manutenção do poder e o enriquecimento ilícito através de petrodólares que mantinham a ostentação, o glamour e a aparente tranqüilidade que escondia o veneno que iria derrubar, um por um, esses governos de fachada: o islamismo.
Homens rubicundos de turbante assomaram à cena e, com o aplauso de uma certa intelectualidade ocidental, de repente, tomaram o poder. Não se podia, realmente, apoiar os governos anteriores, dados a práticas nada democráticas, para se dizer o mínimo. Mas nossa ignorância nos levou a um terrível engano: os homens de turbante, sorumbáticos e fundamentalistas, eram a outra face de uma negra realidade, a realidade do Corão.
Não se lê, impunemente, o Corão. Nele, um profeta furibundo estabelece padrões de comportamento de mil anos atrás, quando a sociedade, de qualquer região da Terra, era outra. Quando os costumes eram mil anos mais bárbaros, embora creia que a mudança tenha sido bem menor do que, em geral, nós nos atribuímos, em termos de barbárie. Maomé não pode ser levado a sério hoje. Aliás, se formos um pouco mais críticos, nem naquela época. O seu deus é um deus cruel, exclusivista, que pune sem dó nem piedade todos aqueles que ousam levantar qualquer questionamento, por mínimo que seja, a seus ensinamentos. E promete o paraíso, depois da morte, é claro, a todos os que seguem seus dogmas absurdos. Não é um deus muito diferente do jeová da velha tradição judaica, nem do nosso deus cristão. Aliás, a crueldade para com os homens é uma velha característica de todos os deuses, de todos os tempos. Comprazem-se eles, os deuses, em nos manter com rédeas curtas, através de mil ameaças, desde a morte eterna à eterna consumição no fogo dos infernos. Se amenizamos um pouco a sanha assassina do deus cristão, foi por obra de dois mil anos de luta: as fogueiras da inquisição, por exemplo, só foram apagadas há pouco mais de duzentos anos. E, mesmo assim, há ainda alguns, quiçá muitos, pregadores que sonham com seu brilho e com suas conseqüências. Basta assistir a alguns programas de seitas fundamentalistas em qualquer canal de televisão.
A história da pretensa docilidade do deus cristão (é só lembrar o episódio da expulsão dos vendilhões do templo, por Jesus, tão intensamente marcado no imaginário cristão quanto o propalado e nunca cumprido dar a outra face) passa, necessariamente, pela luta das mulheres ocidentais, através de ganhos de cidadania, a partir da revolução industrial e culminando com o feminismo do século vinte, uma luta, portanto, de conquistas muito recentes. Porque, antes, as mulheres, tratadas como culpadas pelo pecado original (Eva, no mito criacionista, deixa-se tentar pela serpente e provoca a expulsão do paraíso), conseguem impor um ainda incipiente respeito em toda a sociedade ocidental, muito longe do ideal e normal igualitarismo dos sexos. Isso, no entanto, não ocorreu nos países islâmicos, onde a mulher, de acordo com as normas absurdas do Corão, ainda é o lixo do lixo, podendo ser espancada e tratada como ser inferior pelos machos islâmicos e suas mais do que absurdas leis e costumes baseados nos ensinamentos de um profeta que morreu há mais de mil anos.
Portanto, assim como não podemos ser complacentes com a histórica sanha cristã ou judaica de excluir os que com eles não concordam, também não podíamos ter sido e não podemos ser complacentes com os loucos assassinos do taleban ou de qualquer seita absurda, seja ela do oriente ou do ocidente. Como escritor, como cidadão, como pensador, tenho o direito, sim, de dizer que tanto o deus cristão ou judaico, quanto o deus propalado pelo louco profeta muçulmano, são igualmente sanguinários e estúpidos, em sua exclusão de todos aqueles que não concordam com suas leis mais do que estúpidas, com suas ameaças de morte a todos os infiéis, com suas promessas de uma vida depois da morte que, até hoje, ninguém, absolutamente ninguém, conseguiu provar ser possível. Todos os deuses, sejam eles de hoje ou do passado, querem a destruição do inimigo, ou seja, dos seguidores de outro ou de outros deuses.
Frutos todos eles da loucura, da metafísica absurda, da estupidez humana, que inventa deuses e teologias da destruição, é preciso que mentes mais lúcidas comecem a gritar, a implorar, a dizer que basta, que basta tanta morte, tanta matança em nome de ideologias, em nome de deuses ou de profetas. Que a vida humana é o único bem que possuímos. Que não podemos continuar com as guerras que destroem vidas, que destroem o planeta, que destroem a possibilidade de continuação da vida humana na Terra, por motivos tão torpes quanto a promessa de uma vida eterna seja ela no céu ou no inferno, cercado de virgens ou de anjos ou de demônios. Somos nós os anjos, somos nós os demônios, somos nós virgens ou não de nossos próprios desejos e destinos.
É preciso que gritemos: basta!
É preciso que todas as mentes lúcidas da Terra não mais aplaudam os atentados, sejam eles proferidos por imbecis palestinos ou do taleban ou por soldados armados seja por qualquer potência ou governo; que concordemos todos que os governos, os ditadores, os estúpidos que por uma razão ou outra governam povos da Terra passam, mas a humanidade continua e precisa continuar; que pensemos seriamente que herdamos esse planeta e é ele o único possível, por enquanto, em que viverão nossos netos e bisnetos; que, absolutamente, não permitamos mais a matança, o genocídio, a miséria que exclui e a destruição paulatina das condições de vida na terra, no ar e nas águas; que lutemos contra toda forma de discriminação, de exclusão; que condenemos, sim, todas as filosofias estéreis, todas as religiões e todos os fundamentalismos que dividem, que odeiam o diferente por ser diferente, que determinam que há homens e mulheres mais iguais do que outros.
E, acima de tudo, não tenhamos medo de declarar que há, sim, esperança para o homem, desde que sepultemos de uma vez por todas os deuses e seus profetas, sacerdotes, pastores, rabinos, aiatolás e todos aqueles que pretendam se autodenominar donos da consciência e da mente dos homens.
Liberdade!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:23 PM
Sexta-feira, Setembro 15, 2006
CRIANÇA FELIZ, FELIZ A CANTAR...
Dia 27 de setembro de 1952: morre o cantor Francisco Alves, uma das vozes mais populares da música brasileira. Tinha eu sete anos, nunca ouvira falar de Chico Viola, mas me lembro perfeitamente do efeito que teve seu trágico desaparecimento, num acidente na Via Dutra, sobre o ânimo das pessoas: as emissoras de rádio passaram a tocar insistentemente as suas músicas, principalmente uma canção, do próprio Chico e de René Bittencourt, cujo refrão nunca mais saiu de minha memória:
Criança feliz, feliz a cantar
Alegre a embalar, seu sonho infantil
Ô meu bom Jesus, que a todos conduz
Olhai as crianças do nosso Brasil
Na minha inocência de interiorano, pensei: que pena, morreu um amigo das crianças! E até hoje nem sei por que essa música embalou o noticiário da morte do grande cantor. Só sei que aquele dia ficou mais triste e as brincadeiras na praça não tiveram o mesmo gosto. Sim, porque se brincava na rua, porque se armavam rodas e se cantavam músicas que ainda povoam o imaginário de muitas pessoas: a canoa virou, ciranda cirandinha, o sapo não lava o pé, fui no tororó, Terezinha de Jesus, sambalelê e tantas, tantas outras.
Não sou saudosista. Não acho que aqueles tempos eram melhores. E não abro mão de que meu tempo é, sempre, o agora. Mas não posso deixar de reconhecer a beleza dessas canções, sua musicalidade e, muitas vezes, as pequenas lições de vida que trazem embutidas em suas letras simples e inocentes. Porque beleza é fundamental. Acima de qualquer preconceito ou saudosismo, o cabedal de conhecimento e a visão de mundo que temos, como adultos, passam por uma formação estética de qualidade.
Corta. Ano: 2006. São Paulo. Nos fundos de minha casa, há uma escolinha. Dessas que abrigam crianças ainda bem pequenas, na fase pré-escolar. Sempre achei que esse tipo de escola é, na verdade, um depósito de crianças. Servem aos pais que trabalham fora e não têm creche ou com quem deixar os filhos. E, principalmente, podem pagar para que uma dessas escolinhas iniciem a formação de seus filhos. Mas, na maioria dos casos, não é isso o que ocorre: as tias ou não são preparadas ou vão na onda do mais fácil, na lei do menor esforço. É claro que há exceções, pré-escolas de qualidade, mas são, para usar um lugar comum, exceções que confirmam a regra: a maioria é, mesmo, muito ruim.
Mas o que tem a ver a escolinha do fundo de minha casa com a morte de Chico Alves e as músicas de minha infância? Acontece que é impossível não ouvir o que se passa do outro lado do muro, nos recreios e nas preparações para as festas comemorativas: canta-se, e canta-se muito. O que devia ser bom. Devia, mas não é. Sabem por quê? Pela qualidade das músicas a que são submetidas as crianças, crianças ainda muito pequenas, pré-escolares que deviam estar dando os primeiros passos na formação de uma gosto estético que as guie no futuro...
No entanto, o massacre é cruel: só falta, mesmo, a famigerada egüinha pocotó. Nem vou me dar o trabalho de relacionar os hits escolhidos pelas tais tias. Seguem o momento, os sucessos que as gravadoras e as emissoras de televisão impõem, ou seja, os ritmos e as músicas de gosto duvidoso que todo mundo que tenha um mínimo de formação deplora.
Então, fico pensando: temos um rico acervo cultural, musical, folclórico. Talvez nenhum outro povo, no mundo, tenha tantos ritmos, tantas variações musicais, oriundas de nossa criatividade ou da miscigenação de culturas tão diferentes como a dos negros, dos índios e dos europeus. Todo esse rico cabedal, no entanto, está sendo jogado, literalmente, na lata de lixo por conta da preguiça das pessoas, das tias que deviam cuidar de nossas crianças, que deviam ser educadoras e não meras repetidoras de modismos.
Será que custa muito pesquisar na Internet ou nas lojas de discos não o sucesso fácil de grupelhos nacionais ou estrangeiros que fazem música de baixa qualidade, com o único intuito de ganhar dinheiro, mas as melhores canções de nosso folclore? Será que é tão difícil assim buscar o que há de melhor em nosso passado musical e (por que não?) os bons compositores do presente, que, felizmente, ainda existem?
Então, só me resta lamentar. E pedir, como na canção de Chico Alves, que alguém olhe as crianças de nosso Brasil. Não apenas para que se tornem cidadãos responsáveis, mas para que adquiram um gosto estético um pouco mais refinado, um certo bom gosto que torne a vida um pouco menos árida e feia.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:24 PM
Segunda-feira, Setembro 11, 2006
ONZE DE SETEMBRO
O assunto é mais do que batido e debatido.
Cansou.
Falar o que mais sobre os atentados de onze de setembro de 2001? Todos já disseram tudo, em milhares de publicações, em milhões de artigos e fotos, em centenas de milhares de reportagens por todos os cantos do mundo. Já se esmiuçaram todos os detalhes, já se tentou compreender todas as motivações, já se inventaram todas as teorias conspiratórias.
O que poucos dizem, no entanto, é que o onze de setembro de 2001, a obra-prima do terrorismo até então, não atingiu apenas a cidade de Nova Iorque e seus moradores, ou só levou ao pânico os cidadãos estadunidenses: o atentado inédito levou à destruição de dois países, Afeganistão e Iraque, na sanha vingadora de um presidente insano e estúpido.
Respondam: quem é mais louco? Bin Laden ou Bush? Quem matou mais? Quem destruiu mais? Qual dos dois é o mais fanático?
Enquanto o primeiro se esconde como rato em alguma caverna obscura do Oriente, o outro posa de estadista e defensor da democracia. Mas são ambos faces da mesma moeda: a moeda falsa da barbárie e da estupidez humana.
Bush e Bin Laden, unidos umbilicalmente na mesma missão: impor suas idéias fundamentalistas ao mundo. Loucos, ambos, estúpidos e estupidificados por conceitos ultrapassados, assassinos do futuro, gêmeos univitelinos da mesma idiotice metafísica dos deísmos ultrapassados.
Que o onze de setembro sirva, ao menos, para nos lembrar que o homem ainda está muito longe de alcançar o que se possa chamar de estado civilizacional, enquanto houver gente como Bin Laden e Bush e seus seguidores.
Viva a barbárie!
E, senhores, prossigam com a matança! E que deus e alá sejam louvados para sempre, amém!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 11:54 AM
Sábado, Setembro 09, 2006
POEMAS PARA AMALDIÇOAR
DUODÉCIMO
É PRECISO DESTRUIR TODOS OS ALTARES
È preciso destruir
Todos os altares, todas as piras, todos os templos
No coração dos homens.
Há cheiro podre de cadáver putrefato no ar e
No coração dos homens.
É preciso destruir altares de um deus morto
No coração dos homens.
É preciso que todas as piras não mais exalem
No coração dos homens
O cheiro putrefato do deus morto.
Templos de ódio, templos de dor, onde jazem
Como se fossem no coração dos homens
Deuses mortos, fétidos por estarem podres.
Da carne suja dos deuses mortos
No coração dos homens
Gases exalam rancores e ódios e trevas.
Do coração dos homens
O tóxico de opiários espirituais enlouquece
E destrói e mata e mutila e rompe
A carne vermelha de corações em chamas.
Não mais templos, não mais piras, não mais sacrifícios.
Matar os deuses dos corações dos homens
Seja da paz o gesto final.
terça-feira, 18 de setembro de 2001
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:46 PM
Sexta-feira, Setembro 08, 2006
POEMAS PARA AMALDIÇOAR
UNDÉCIMO
PARA DEUS
Reinaste no coração dos homens por muitos séculos.
Agora basta.
Não te querem mais a exigir altares.
Não te querem mais a exigir mantras.
Não te querem mais a exigir promessas.
Que te aquietes, enfim, no fundo dos neurônios
do homem liberto, que nasce agora.
Em teu nome já não poderá matar,
em teu nome já não poderá odiar.
Em teu nome já não poderá viver o homem que nasce agora.
Tenho, tenho, sim, muita pena de ti:
das tuas artimanhas, dos teus desvarios, dos teus loucos sonhos.
Perdeste, enfim. Recolhe-te a ti mesmo lá dentro dos neurônios
do homem que nasce agora.
Não deixará, contudo, o homem de fazer o que sempre fez,
mas não mais em teu nome, não mais por tua palavra.
Penso, então: se foi o homem quem se libertou
ou foste tu, afinal, que te livraste da sina
de ter teu nome sempre ligado
a todas as loucuras do ser que te criou?
quinta-feira, 13 de março de 2003
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:41 PM
Quinta-feira, Setembro 07, 2006
POEMAS PARA AMALDIÇOAR
DÉCIMO POEMA
O DEUS DO MADEIRO
Preso ao madeiro rústico,
o deus não chora
mas também não ri.
Não pode haver mais que a sisudez
nessa hora solene.
E o deus que sofre deve manter
a tez serena, os olhos firmes
e a boca apenas entreaberta
sem espanto e sem impropérios.
A hora é esta e sob o madeiro
soldados deviam atirar-se sobre os despojos
e jogar dados e soltar palavrões.
Mas não há nada disso.
No altar barroco, apenas seu corpo em sangue
implode a vista entre ouros e pratas.
E o deus, em seu ricto de dor, empresta
à catedral um ar soturno. Seus fiéis
vivem vidas em campos e cidades,
alheios aos olhos mendigos do deus do madeiro.
Ao deus, então, só resta
o olhar vazio dentro das órbitas mal desenhadas
e o doce desencanto de nada poder fazer
pela humanidade.
3.4.2004
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:42 PM
Terça-feira, Setembro 05, 2006
POEMAS PARA AMALDIÇOAR
NONO POEMA
Quando se mata um rei...
Devia-se poder todos os dias matar um rei.
Não importa que rei seja: de copas, de ouro, de espadas ou de nada,
Basta que seja um rei e seja morto.
Que o seu sangue cubra o céu, que seu sangue suje o mar,
Não importa: devia-se poder sempre matar um rei.
Quanto vale um rei? Quanto vale um mendigo?
O rei ao mendigo faz, mas um mendigo nunca fará um rei.
Devia-se, sim, devia-se poder matar a cada dia um rei.
Coroas regem destinos, mas o destino não se compactua
Com salamaleques de penacho e reinados de capacho.
Como seria melhor a vida, se se pudesse pelo menos um dia sim e outro também
Matar um rei.
Um rei que reina é cocô de cachorro na calçada: pisamos e sujamos e xingamos.
Mas não esquecemos nunca.
E assim como não se esquece da merda na calçada,
Não esqueçamos nunca de poder matar todos os dias um rei.
Uni-vos, todos, ó regicidas! E clamai para todos os povos:
É preciso, sim, matar todos os dias um rei,
Porque, quando se mata um rei, a vida volta a reinar!
terça-feira, 19 de junho de 2001
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:07 PM
Segunda-feira, Setembro 04, 2006
POEMAS PARA AMALDIÇOAR
OITAVO POEMA
O QUE É UM PADRE
Perguntei-me um dia, num dia de todos os santos:
o que é um padre?
Não é uma dúvida filosófica, é claro,
pois um padre ( em sua inexeqüível existência )
não chegaria a provocar tal consideração...
Não é uma dúvida vital, também,
pois um padre, em sua impossível importância
na ordem das coisas, não resiste
a uma necessidade diária...
Não, sem dúvida, não é preciso que eu me pergunte
o que é, afinal, um padre...
Mas num dia de todos os santos, perguntei-me!
E lá ficou a pergunta a atazanar-me os miolos,
como um chato nos pentelhos,
como uma vaca solitária em imenso campo verde,
ruminando-me a paciência.
De tanto besuntar-me o bestunto
a idéia do que fosse um padre dentro da ordem das coisas,
perdi algumas horas a remoer respostas:
um padre é... um padre é... um padre é...
afinal surgiu, clara como a tez
de um nobre norueguês,
a resposta tanto tempo buscada em meu bestunto:
um padre não precisa ser
para existir: basta que haja merda no mundo
para justificar sua pregação inútil.
E chega: não falemos mais nisso!
terça-feira, 22 de abril de 2003
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:18 PM
Sábado, Setembro 02, 2006
POEMAS PARA AMALDIÇOAR
SÉTIMO POEMA
QUANDO SE MANDA UM CONDE TOMAR NO CU
Tua dignidade, onde está, meu senhor, onde?
No cu do conde,
onde teu avô se esconde?.
Conde, condessa,
barão, baronesa,
príncipe, princesa,
tudo
título de nobreza
dado por quem?
hem? hem? por quem?
por um deus cagão
vestido de roupão
de seda?
ou por um deus pregado
e coroado
de espinho,
sem pena de passarinho,
num triste madeiro?
senhor conde, senhora condessa,
sois, mesmo, herdeiros
de que sangue mais ameno
que azul
de metileno?
o que tem nas veias o barão?
licor de alcatrão?
o que tem na cabeça
essa nobreza?
chifres de ouro?
e o conde, e o cu do conde?
tem menos pregas o cu do conde?
ah! essa nobreza que se esconde,
se esconde aonde?
no porão cheio de ratos
ou dentro de lava-jatos
de gasolina azul?
quando se come um conde,
cru ou assado,
com o dedo cruzado
em talheres de ouro,
pode haver maior desdouro
que não lhe respeitar as ventas?
que conde, que nada,
apenas rapadura maltratada
de heranças imbecis;
carne nobre é carne de boi,
dependurada
em ganchos de ouro no açougue
sem glória,
sem história,
de tempos servis;
teu preço em ouro, senhor conde,
onde se esconde, senhor conde,
no teu cu de conde
ou no teu vil porão de grandes castelos?
tua língua oculta, teu semblante vazio,
senhor conde, não cabem em chinelos
do teu desvario:
me diz, senhor conde, vergonha não há
em comer mortadela e arrotar vatapá?
em vestir esses trapos de sujas bandeiras
como se fossem reles trepadeiras
de unhas-de-gato?
brincando de rato, de chato,
coroas de lata,
falsos festins, luas de nada,
nem ouro nem lata.
nem punhal de prata,
teu anel de pedra-pome, onde
seu velho conde? onde?
na campina, um corcel;
no castelo, o bordel;
aqui, seu conde, aqui, ó,
cagando teu ouro,
teu tesouro,
não estou assim tão só:
há, para cada um só conde,
milhares e milhões de bocas
todas loucas, muito loucas,
para te comer, senhor conde,
e milhares de paus e pedras
para te foder, senhor conde,
e tu me perguntas onde?
ora, senhor conde, se me permites
(sim, tu concordas com tudo,
em teus trajes de veludo)
mando-te já, com espinho de mandacaru,
tomar bem no olho do conde,
bem no olho do teu cu.
15.12.2005
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:42 PM
Sexta-feira, Setembro 01, 2006
POEMAS PARA AMALDIÇOAR
SEXTO POEMA
QUANDO SE INAUGURA UM TEMPLO
Quando se inaugura um templo,
devia-se poder fechar todas as portas
e deixar ali dentro para sempre a orar
todos os imbecis e filhos da puta
que construíram com o dinheiro ralo
de todos os idiotas e enganados
aquele monte de merda e estrume.
Quando se inaugura um templo,
morre um pouco a esperança do homem.
Quando se inaugura um templo,
abrem-se mais abismos para o homem.
Quando se inaugura um templo,
uma sombra imensa desce sobre o homem.
Quando se inaugura um templo,
mais um monte de merda cai sobre o homem.
Ah! Quando se inaugura um templo,
devia-se poder destruir mil e quinhentos altares
que consomem a liberdade do homem.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:00 PM
|
 |