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Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006
AS BATATAS DE MACHADO DE ASSIS
Assisto de camarote ao embate mais do que cômico entre o Prefeito e o Governador pela legenda do PSDBFL. Risível, a luta: o Prefeito não diz que quer ser o escolhido, mas faz de tudo para obter a bênção dos deuses. O Governador já se lançou e faz campanha aberta, pelas mesmas bênçãos. O Prefeito diz que só se considerará ungido, se a unanimidade do partido escolher seu nome. Já o Governador não está nem aí para essa tal união em torno de si: quer, mesmo, a unção final. E ponto.
Em qualquer reunião de homens em torno de uma idéia comum, seja partido político ou time de futebol de várzea, quando há dois líderes lutando pelo mesmo objeto (ou objetivo), o grupo racha. Essa é uma lei universal. E, às vezes, os ânimos acirram. Quando o impasse chega a um ponto de ebulição, que possa comprometer até mesmo a existência do grupo, parte-se para um sistema muito singelo, há tanto tempo inventado, que as pessoas costumam se esquecer dele. Um sistema chamado democracia: vota-se. E a maioria leva. E, democraticamente, o derrotado apóia o vencedor. E ponto. Se não o fizer, não merece conviver num grupo democrático e deve procurar sua turma. Ou recolher-se à sua insignificância. Prevalece, sempre, o voto da maioria. Isso é democracia. Isso é saudável.
Não, porém, entre as plumas coloridas do ninho tucano. Lá, as coisas são mais complexas. Mais sutis. Ou seja, entre dois contendores de peso, há todo um ritual para inglês ver e a imprensa publicar. Os puxões de tapete, as agressões, as defesas veementes são transformadas em pérolas de ironia, em encontros sorrateiros, em jantares finos regados a vinho importado, entre um candidato e seus eleitores. Porque, pasmem, senhores e senhoras, os eleitores, ou seja, aqueles que vão decidir entre os dois contendores, aqueles que vão dar a palavra final, a unção desejada e, às escuras, estapeada, são apenas três. Sim, não estou inventando, não. São três. Dois vetustos senhores e um jovem governador do Estado vizinho! O colégio eleitoral tucano se reduz a apenas três aves de rara plumagem! Haja pontos de exclamação!
Que estranha forma de democracia, não? Representativa? Se for, quem os escolheu para representá-los? Ou será que o PSDBFL basta-se com um sombreiro de três bicos, para acolher sob tal sombra todo um contingente de filiados e simpatizantes? Ou será que, para os ilustres bicudos, democracia é só um conceito abstrato? Afinal, uma das aves raras desse insólito colégio eleitoral tem em seu vasto currículo de sociólogo a noção clara de que tudo o que se disse no passado deve ser esquecido, inclusive o conceito de democracia. E mais: dizem, claramente, para todos ouvirem e a imprensa publicar (e como publicam!) que política é conversa. Sim, política é realmente conversa, muita conversa. Conversa mole para boi dormir, quando se trata de escolhas que deviam ser democráticas, não?
Então, eu fico pensando: que exemplo! Que belo exemplo de democracia! E gasto meus pontos de exclamação a esmo, tentando trazer para a racionalidade algo que, absolutamente, me foge pelos escaninhos da fantasia e da literatura. Governador e Prefeito se contorcem, exibicionistas, em estripulias verbais para driblarem o desconforto, talvez mais do primeiro do que do segundo, de gastarem o verbo, de forma contida e polida de modo a não ofenderem pelo menos em público as noções básicas de boas maneiras, para convencerem os três cardeais a ungir o seu nome. E a literatura me vem pelas mãos do velho e sábio Machado, o de Assis, diante desse quadro grotesco de pirotecnia política: dois contendores a lutar por tão pouco que, ao cabo e ao fim, ao vencedor caberão as batatas. Apenas as batatas. Ao povo, nem isso.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:20 PM
Domingo, Fevereiro 19, 2006
REFLEXÕES SOBRE A BARBÁRIE (3)
Respeito. Talvez a palavra chave da humanidade. Respeito ao outro, à cultura do outro, à existência do outro. Digo isso porque sou um crítico duro, muito duro, das crenças deístas e, principalmente, das religiões. Não aceito bíblias, alcorões ou quaisquer outros escritos ditos sagrados como orientadores do homem. Não temo iras de deuses ou de profetas. Os primeiros são invenções humanas e os segundos, seres profundamente problemáticos, loucos ou estúpidos, em suas visões inúteis de utopias metafísicas e espirituais. Condenam o homem ao desespero de ter de salvar a alma em detrimento da vida. São seres estúpidos, repito. E nada mais. Mas respeito, e muito, as pessoas que seguem essas fantasias fanáticas, porque são fruto de uma longuíssima tradição deísta, imposta ao homem como verdade absoluta desde a descoberta da ausência do outro, pela morte. Tenho clareza de que as religiões, embora falseadoras da realidade, se constituem numa forma complexa de cultura e estão, também, profundamente arraigadas na consciência do homem. Condeno-os todos, porém: religiões, livros, deuses, profetas. Tenho o direito de fazê-lo, de forma crítica, mesmo que dura, pois sou livre e advogo como uma das supremas conquistas humanas o direito de divergir, de criticar, de dizer o que penso. Presunçosos e estúpidos são os homens que condenam a quem quer que seja por causa de suas opiniões. Acima de religiões, de regimes políticos, de crenças, conceitos e preconceitos, está o direito ao livre pensamento.
Repito: respeito, no entanto, as religiões. E repetirei mil vezes. Respeito-as como fruto da tradição, da cultura. Não vou ridicularizá-las, mas combatê-las. De forma aberta, sem ódios, sem desrespeito. Porque uso argumentos que julgo racionais, para condená-las. Não preciso, por isso, satirizar os seus seguidores que, fanáticos ou não, são homens como eu e merecem todo respeito que qualquer ser humano deve merecer. Condeno o fanatismo, mas não preciso matar os fanáticos. Senão, me transformarei num deles.
Considero, portanto, estúpidas as caricaturas que ridicularizam, na mídia européia, o profeta do islamismo. São fruto da prepotência de uma cultura, que sempre foi desrespeitadora dos direitos dos outros em toda uma longa história de colonialismo e escravidão, sobre outra. São fruto de uma visão equivocada do outro. Não trazem nenhum benefício a nenhuma causa, porque são eivadas de preconceito irracional. Também considero estúpidas as manifestações de multidões islâmicas de fanáticos organizadas por meia dúzia de aiatolás ou sacerdotes islâmicos que, aproveitando-se da situação, por ignorância ou interesses escusos de poder e repercussão na mídia, pregam a intolerância e a exclusão. Portanto, nesse episódio lamentável, da publicação de charges do profeta Maomé na imprensa dinamarquesa e sua reprodução por outros jornais europeus, há um falso argumento de que isso seja liberdade de expressão. Há, sim, liberdade de expressão quando podemos divergir claramente do outro e apresentar argumentos de nossa divergência. Quando, porém, ridicularizamos um povo, através de suas tradições, não está havendo liberdade, mas preconceito. Estamos revolvendo um cadinho de longo cozimento em que há, ocultos, ódios profundos, ódios históricos, provenientes de guerras de conquistas, de derrotas e vitórias, de perseguições e preconceitos de ambos os lados. E esse conjunto tenebroso de forças vem à tona, quando satirizamos o que o outro considera sagrado. Embora o outro também se esqueça de que faz a mesma coisa: se pode, ridiculariza, satiriza e se ri. E aí está o nó emblemático da questão: o riso. Rir do outro é aceitável, mas rir do sagrado do outro é sacrilégio, é motivo para grandes tragédias. Principalmente quando o outro se sente, de alguma forma, inferiorizado. Com razão ou sem razão, não importa. Há, aí, um componente complexo de desrespeito ao sagrado e à própria existência do outro, contida na sátira, que, com certeza, não haveria na crítica racional.
Portanto, nesse triste episódio das caricaturas, há todo um festival de equívocos de ambos os lados: não deviam ter sido publicadas e, se o foram, deviam ficar esquecidas, porque divulgá-las como profanação, como o fizeram os defensores do islamismo (jogando gasolina ao fogo) e, depois, como desagravo à liberdade de imprensa, como o fizeram os demais meios de comunicação (atiçando mais vento ao fogaréu), só leva ao aprofundamento do fosso de preconceito e de desrespeito entre culturas aparentemente tão distantes e que, no entanto, são muito mais semelhantes do que julgam as tentativas de fanáticos e estúpidos de torná-las para sempre irreconciliáveis.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:20 PM
Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006
REFLEXÕES SOBRE A BARBÁRIE (2)
Assisti, há dias, um daqueles documentários sobre vida animal, comum em certos canais a cabo. Numa reserva africana, assolada pela seca, a luta dos bichos pela sobrevivência. Um cervo abatido por uma leoa torna-se motivo de disputas e, para preservar sua presa, um tigre leva-a para o alto da árvore, mas a leoa desesperada segue-o e retoma o cervo. Mas cai da árvore, quebra o pescoço e morre. O chocante da história foi a chegada do bando de leões que, famintos, devoram o corpo da leoa morta. Canibalismo quase impensável, no caso desses felinos.
Os animais matam porque há uma cadeia alimentar em funcionamento na natureza. Ou porque precisam defender seu território. O homem também mata para se alimentar. Ou para defender seu território. Mas também mata por mil e outros motivos. Racionalmente. Porque sabe o que está fazendo.
Matar outro ser humano: ato crucial na existência humana. Não há e não podia haver dúvidas sobre este ponto: todo crime de morte se constitui num ato de barbárie. Não importa o motivo, não importa o pretexto. No entanto, nós nos matamos aos milhares. Sem remorsos. Como formigas comidas por imenso tamanduá, que reconstituímos o nosso formigueiro após a chacina e nos recompomos da matança como se nada tivesse acontecido. A vida humana vale menos que o sopro da brisa. Vale menos que as armas que construímos para tirá-la. Isso é, sem dúvida alguma, um ato de barbárie. Nos casos de crime de morte, a dor individualizada nos comove, mas a coletiva nos deixa inertes, anestesiados. Somos uma sociedade complacente com os assassinos. Quem mata devia ter uma pena prisional severa, proporcional ao fato, ou ser afastado para sempre do convívio humano. No entanto, assassinos cruéis são postos em liberdade após menos de uma década de pena, por bom comportamento ou outras filigranas jurídicas de um sistema legal baseado em perdão e em outros estratagemas absurdos. E isso gera impunidade. E impunidade leva a outros assassínios. Um círculo vicioso que precisa ser quebrado, sob pena de continuarmos a assistir à barbárie de chacinas cometidas em nome de uma sociedade que oscila entre a total conivência e atos de vendetta, em que prevalece sobre a ordem geral o gesto solitário do vingador. E isso, positivamente, nos torna tão bárbaros quanto todas as demais sociedades bárbaras em todo o mundo. O mito do brasileiro cordial, como todo mito, vira fumaça, porque viramos todos feras a devorar nosso próprio corpo, num ato de canibalismo desritualizado, movidos não pela fome animal, mas pelo simples motivo de que não damos valor à vida, o bem mais precioso que possuímos. Calamo-nos diante da vingança, diante das chacinas, diante do número absurdo de atentados contra a vida humana a que assistimos diariamente, cabisbaixos, medrosos. E contribuímos ainda mais para a barbárie, quando premiamos os assassinos com a absolvição legal de seus crimes.
Realmente, não sei qual é a barbárie maior: matar, chacinar ou ser conivente e absolver os que matam e chacinam!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:51 PM
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
REFLEXÕES SOBRE A BARBÁRIE (1)
Não há, no dicionário, uma definição clara para barbárie. Sabemos que, na Roma Antiga, bárbaros eram os outros, os estrangeiros. Depois vieram as tribos bárbaras do norte que aterrorizaram a Europa medieval. Enfim, há uma longa lista de bárbaros e seus atos na História. Fica em nossa mente a idéia de que os atos bárbaros eram todos contra a civilização. Outro conceito complicado. Civilização. O que é ser civilizado? Roma era civilizada. E todo mundo sabe o que os romanos fizeram contra os inimigos, contra os cristãos. Os cristãos semearam a idéia de amor ao próximo, mas todos sabemos o que fizeram as cruzadas, a inquisição, as missões de convencimento dos gentios. As grandes religiões pregam o amor a deus, seja ele chamado apenas de deus, de alá ou jeová, mas todos sabemos o ódio que há no coração dos seus seguidores. Os profetas, sejam eles Jesus, Maomé, Buda ou Confúcio, deixaram palavras de sabedoria e orientação a seus seguidores, mas também ameaçaram com o fogo do inferno ou outros castigos mais ou menos cruéis aqueles que não concordassem com elas. O homem moderno se diz civilizado, mas protagonizou o século da matança, com duas guerras mundiais e milhares de outras lutas em que morreram mais pessoas do que em toda a história da humanidade. Além de inventar armas que podem destruir não apenas outros homens e nações, mas a própria Terra. O homem moderno desenvolveu tecnologias cada vez mais avançadas em todos os terrenos do conhecimento, mas permite que milhões de pessoas morram de fome em todos os cantos do globo.
O que é, portanto, civilização? O contrário da barbárie?
Acho que não: civilização e barbárie parecem dois lados de uma mesma moeda. A moeda da história do homem, um homem que carrega a arrogância de se dizer um ser criado por uma criatura que ele inventou, como forma de se imaginar superior, mas pensa, age, vive e convive com os instintos mais primitivos de sua formação. Acredita-se deus ou criado à sua imagem de perfeição, e age pior do que todos os animais com quem compartilha a origem negada.
O que é civilização? O que é barbárie?
É civilizado inventar a bomba atômica e é bárbaro quem defende o uso de preservativos para evitar doenças. È civilizado matar o assassino com injeção letal de última tecnologia, sob holofotes televisivos, e é bárbaro condenar as crenças obscurantistas com desenhos simplórios de um artista desconhecido. Vivemos uma era de paradoxos. A ciência, o conhecimento científico e o domínio da tecnologia avançam na proporção inversa de nossa possibilidade de tolerância, de convivência, de união. Quanto mais sabemos, mais mergulhamos em superstições. As filosofias e as religiões criaram uma ética que parece não funcionar: pregam o amor e disseminam o ódio, pregam a tolerância e absolvem as guerras e as chacinas. Perdemos a noção do certo e do errado, em termos humanos, porque a ética deísta só nos dá a dimensão divina. E o homem, é preciso acordar e concordar, não é divino: tem instintos terríveis em sua genética, em seus pensamentos, em seu cérebro. Instintos que precisam ser domados para torná-lo um ser viável dentro da escala da evolução e não um ser que se destrói e destrói uns aos outros simplesmente porque isso é possível. Ou porque, simplesmente, bárbaros são, sempre, os outros.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:56 PM
Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
VAI TUDO BEM, MAS...
Nossa sagrada imprensa vive do aqui e agora, do momentoso, da declaração bombástica. Se é para falar mal do Lula ou do PT, qualquer frase de qualquer idiota presidente de qualquer organizaçãozinha mais idiota ainda serve de pretexto para uma manchete. Nunca se ouviu falar do dito cujo, o dito do cujo vai parar em todas páginas de todos os jornais, com ares de verdade absoluta. Opinião vira fato e números de qualquer pesquisa, por mais obscura que seja, transformam-se em arautos da desgraça provocada pelo PT ou pelo Presidente.
Inútil dizer, a respeito daquele cantorzinho de quinta e atorzinho de novela colombiana também de quinta categoria, chamado Roberto Jefferson, que suas diatribes e invencionices, até certo ponto criativas, não levaram a nada de concreto. Aliás, de concreto, mesmo, ficou a cassação absurda do José Dirceu, o arrogante, aquele que provocou a ira da direita hidrófoba por ter atingido um dos mais altos cargos da República depois de ter sido guerrilheiro. E assim segue o bonde da história que, a cada dia, nossa imprensa tenta pôr nos seus trilhos tortos, a inventar escândalos, a tirar do armário qualquer esqueleto pútrido para transformá-lo numa ação de roubalheira do Governo. O PT errou, sim. Mas a canalha que o acusa cometeu e comete os mesmos crimes. A gritaria de torcida fanática só servia, mesmo, para assustar, intimidar e impedir que suas negociatas, essas sim, muitas vezes mais sujas, muitas vezes mais perniciosas aos interesses da Nação, pudessem vir a público como parte mais do que significativa do mar de lama que eles inventaram.
E a coisa funciona assim: a imprensa não tem como não noticiar que, por exemplo, tal índice econômico é ótimo. Então, o que ela faz? Coloca lá, no título da manchete: melhorou tal indicador econômico, mas... E aí vem o famigerado mas... É só prestar atenção: os pobres ficaram menos pobres, mas... O Brasil exportou o dobro, mas... A inflação está controlada, mas... Os preços de alimentos caíram, mas... O salário mínimo aumentou, mas... Essa a imprensa do mas, do olho no obstáculo e não no corredor. A que olha o que podia ser, mas não vê o que é, na realidade, porque é míope, porque é comprada, porque é imprensa de um partido só: o PSDBFL, que já nem sei mais se é, na verdade, o PFLSDB.
Agora, que a crise amainou, que o estrago feito foi parcialmente corrigido pelo nada em que se transformaram os relatórios das CPIs mais do que interessadas na desestabilização do Governo, as pesquisas voltam a apontar a vitória de Lula contra o cabeção, o prefeito Serra, com dez pontos de vantagem. Ora, está mais do que claro que essa pegou a nossa imprensa de calças curtas: não se esperava que o povo se desiludisse tão cedo das bravatas oposicionistas e voltasse a apoiar o Presidente. Mas isso logo vai mudar. Daqui a pouco, vamos ver na televisão, nas revistinhas safadas de fim de semana, nos jornais diários, os famosos comentaristas e especialistas em artes de coisa nenhuma a abrir os seus baralhos, a espalhar os seus búzios, a iluminar suas bolas de cristal para declarar que a popularidade do Lula cresceu, mas... E lá virão, dos mais obscuros antros adivinhatórios, as mais loucas explicações para tentar explicar o óbvio: que o povo não é assim tão bobo como sonhavam suas mais entreguistas fantasias de uma Nação subjugada ao domínio do capital estrangeiro.
E o aqui e o agora de nossa vaca sagrada, a imprensa mais do que capitalista, vai-se transformando em micos atrás de micos, decompondo-se e caindo como peças de um dominó montado nos meandros do labirinto de mentes toscas como a do ex-presidente e ex-sociólogo (já que tem abjurado de toda e qualquer tese científica), FHC, cujo objetivo de vida, agora, é tornar-se o pior ex-presidente que o País já teve. Com o aplauso, é claro, de nossa imprensa privada, mais privada do que imprensa.
P.S.: E por falar em Serra: quer conhecer a São Paulo que o nosso esperto prefeito governa? Assista Belíssima, a novela das nove da Globo. Está lá a cidade do Serra: limpa, linda, servida de ônibus cheios, sim, mas novos e confortáveis; com seus arranha-céus de vidro e suas fábricas fantásticas; com seus parques e ruas povoados de gente bonita, rica e bem vestida. Nem a oficina mecânica tem graxa no chão!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 4:28 PM
Sábado, Fevereiro 11, 2006
A NOVELA DAS SEIS E AS ILUSÕES DOS HOMENS
Não há nenhuma base lógica em acreditar-se em deus, alma, paraíso, vida além da morte e todas as demais superstições que se encontram profundamente arraigadas no inconsciente e no consciente do homem. E se houvesse deus, diante de tudo o que fez de bobagens para com os homens, teria de ser um cara com um tremendo senso de humor. Mas não é do humor de deus que eu quero falar. Quero dizer que todas as tentativas para provar, por exemplo, a existência da alma, a reencarnação ou a vida além-túmulo fracassaram Redondamente. Restaram depoimentos sinceros, mas mentirosos, ilusórios. Ficaram truques às vezes grosseiros, outras vezes bem realizados. E inúmeros argumentos pseudológicos para manter o encanto, o mistério e, principalmente, a fé e a esperança da maioria absoluta das pessoas. Porque nos encanta pensar em reencontrar parentes, amigos, entes queridos numa outra vida. Porque pensar na vida depois da morte ajuda-nos a lidar com a perda de pessoas que amamos. Porque a falsa certeza, baseada na fé, de que um pai misericordioso receberá a alma de quem amamos e aguardará a nossa, para toda a eternidade, faz-nos encarar a vida com olhos menos lacrimosos. São ilusões simplórias, em termos lógicos, mas cultivadas com zelo extremado por todos os que não querem se conformar com a transitoriedade da vida humana.
Como gostaria de rever a minha mãe, a minha irmã e meus irmãos, amigos queridos que tão cedo partiram, mas sei, na minha triste condição de mortal ateu, que isso não será possível. Conformo-me? Sim, porque não há outro jeito. Mas fica, lá no fundo da minha mente, fruto da repetição por milhares de vezes de uma mesma mentira, aquela esperança inútil a me provocar: e se você estiver errado? Eu sei e a minha cabeça sabe que a fé nos engana, ao levar-nos para mundos transcendentais de deuses, anjos, almas e redenção. Porém meu desejo e minhas emoções me fazem chorar por anseios impossíveis.
Divirto-me com as bobagens da novela das seis, Alma Gêmea, mas emociona-me o amor reencontrado, vinte e tantos anos depois, a alma da amada no corpo de outra mulher. Um total absurdo, uma das mais piegas e inúteis tentativas de nos cooptar pela emoção para os tristes meandros da metafísica, da transcendência. Mas, como emociona e ilude! E milhões de outras pessoas seguem, lenços nas mãos, a estupidez de uma história totalmente sem sentido, mas contada no ritmo lento e calmo dos que parecem dotados da sabedoria divina, daqueles que são tocados por algo superior. O ritmo cria a atmosfera e essa atmosfera no pega pela emoção. Embarcamos, estupidificados, na aventura de uma heroína precocemente assassinada pela inveja e a cupidez de uma prima que volta no corpo de uma índia, cuja missão é resgatar o amor que não se cumprira totalmente e punir os culpados. E encontramos aí os elementos fundamentais da ilusão, da mentira que se repete como verdade e que atrai o grande público: transcendência, maniqueísmo, culpa e castigo. Elementos cristãos criados para manter crenças estúpidas e absurdas através dos tempos, baseadas exclusivamente na fé, a invenção fundamental do deísmo. Sem fé, não há nada. Não há deus, não há cristos, não há almas, não há todo o imenso edifício deísta que se arraigou profundamente no pensamento humano. E, assim, uma simples novela de televisão, com toda a sua mistura de conceitos de seitas cristãs, numa mélange risível, se não fosse tão falsamente séria e compenetrada, contribui para perpetuar essa grande ilusão dos homens: a religião. Com todas as suas mazelas, incoerências e esperanças. Mesmo que isso tudo não tenha lógica nenhuma. E ainda nos surpreendemos com a revolta dos muçulmanos contra meia dúzia de caricaturas. Positivamente, os homens deviam ter criado um deus com um pouco mais de senso de humor.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 5:02 PM
Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006
MAIS ALGUMAS GOTAS DE VENENO, NUMA QUARTA-FEIRA QUENTE
Fernando Henrique Cardoso, o emplumado-mor do ninho tucano, quer exceder a si mesmo: depois de ter sido o pior presidente de todos os tempos, quer ser, também, o pior ex-presidente de todos os tempos.
E ainda mais: como tem falado muito em ética, pode-se perguntar: qual a ética que há por trás da compra da reeleição? Quais princípios éticos nortearam a venda das estatais a preços vis e o sucateamento do Estado, durante o governo tucano? E a guinada do partido, o PSDB, de socialista para a mais deslavada direita liberal? Isso não é enganação política? Não é falta de ética? Se não, como explicar o casamento tão perfeito com o PFL, o paladino das mais odientas oligarquias deste País? Haja ética!
Nesses tempos de relembranças, não concordo com o Lula em comparar-se a JK. Os tempos são outros e... bem, tudo é diferente: o país, as pessoas, as ideologias etc. Mas FHC encarnar o Carlos Lacerda!? Isso, sim, é total desperdício de tentativa de ser inteligente, porque o tucano de língua enrolada não tem nem uma centésima parte da verve e da capacidade de argumentação do governador da Guanabara. Por mais fdp que tenha sido ele.
Serra e Alkmin: uns gentlemen, em público. Quando vão começar a lavar as cuecas sujas? Porque briga em ninho de tucano que tenha o Prefeito de São Paulo no meio nunca termina sem muitos mortos e feridos. Lembram a Roseana Sarney? Pois é... quando a disputa esquentar, vai ser pena para tudo quanto é lado. E pena de tucano nem para travesseiro serve.
Tudo quanto Lula faz, como Presidente, é eleitoreiro. Já os projetos populistas do Serra, na Prefeitura de São Paulo, são obra da sua competente administração e enaltecidos pela imprensa babona e vendida dos meninos ricos dos Jardins. E segue o bonde, já que é ano de eleição e os ratos estão de novo famintos e sedentos de poder.
A obra do metrô do Alkmin já derrubou até casa, em Pinheiros. E o caos nesse bairro, por conta das interdições de ruas e avenidas, dos desvios etc. não incomoda nem um pouco os comerciantes, os donos dos escritórios de consultoria, enfim, toda a comunidade que ali mora ou trabalha. Se fosse obra da Marta, já havia até pedido de impeachment, com direito a passeatas, a manchetes de jornais e protestos irados... Eta povinho vaca!
E para encerrar, um velho provérbio: quem com ferro fere com ferro será ferrado. Porque as urnas vêm aí! E lugar de tucano é bem no meio da selva, ou numa boa gaiola, se o Ibama permitir.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:03 PM
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