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{Quarta-feira, Dezembro 28, 2005}


FALA, LULA, FALA...

Tentaram mil vezes. Com CPIs, CPMIs, com ameaças e trovões. Com artigos de revistas. Trezentas mil aleivosias. Veja: istoé mais do que estadão e folhão e todos os peessedebistas e peefelistas juntos, num banquete de hienas. Do podre ao podre. Não queriam que sobrasse nada, nem para os urubus. Que voaram em cima, que cagaram em cima. A tempestade tinha a cara de merda de deputado e senador: representantes do povo! Ora, o povo: que se foda o povo! O negócio era lavar a égua e colocá-la na sombra, para tomar de volta, a todo e qualquer custo, o poder. Onde já se viu? Um torneiro mecânico de voz de gralha na Presidência! E tirando de letra a inflação. Mesmo a chicotadas de lá e de cá, que bobões em todos os lados há.

Onde já se viu? O povo comendo mais: o povo, mesmo roubado, espoliado, fodido, tendo um pouco do feijão que rico compra e vende a peso de ouro. Onde já se viu? Levar água para os paraíbas, para os desgraçados? Onde já se viu? Um sindicalista falando grosso na ONU, para gringo bobalhão? Onde já se viu? Querer acabar com a fome, uma indústria tão próspera! E o emprego dos acms filhos e netos? Onde já se viu?

Mas o Lula de voz roufenha continua falando, e falando e falando... E enquanto ele fala, o País melhora, para ódio dos papa-defuntos, dos urubus e das hienas. Cadê minha carniça? Pergunta o PSDBFL? Cadê meu osso? Perguntam os bonitinhos dos jardins. Cadê minha sinecura? Pergunta o padre, pergunta o pastor, pergunta o banqueiro. Tudo gente do mesmo saco, que nem farinha ainda é.

Mas o Lula fala: fala no palanque de inauguração; fala no salão do industrial; fala na beira do rio; fala no aeroporto; fala no rádio; fala na televisão. E enquanto o Lula fala, a caravana das hienas, dos urubus, das cobras de todas as cores passa... passa... passa... e prepara o golpe.

Povo besta, este: desperta! Chega de babado de jornal, de revista semanal, de jornalista comprado, de prefeito de merda, de governador de sorvete de chuchu, de ex-presidente com dor de cotovelo! Deixa o Lula falar... e pôr pra frente esse País que um dia eles, os mesmos que se preparam para voltar, foderam de verde e amarelo!

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:24 PM


{Terça-feira, Dezembro 27, 2005}



UM POEMA! MAS (QUEM AVISA AMIGO É) SÓ PARA MENTES MAIS FORTES:


QUANDO SE MANDA UM CONDE TOMAR NO CU


Tua dignidade, onde está, meu senhor, onde?
No cu do conde,
onde teu avô se esconde?.

Conde, condessa,
barão, baronesa,
príncipe, princesa,
tudo
título de nobreza
dado por quem?
hem? hem? por quem?
por um deus cagão
vestido de roupão
de seda?
ou por um deus pregado
e coroado
de espinho,
sem pena de passarinho,
num triste madeiro?

senhor conde, senhora condessa,
sois, mesmo, herdeiros
de que sangue mais ameno
que azul
de metileno?
o que tem nas veias o barão?
licor de alcatrão?
o que tem na cabeça
essa nobreza?
chifres de ouro?
e o conde, e o cu do conde?
tem menos pregas o cu do conde?

ah! essa nobreza que se esconde,
se esconde aonde?
no porão cheio de ratos
ou dentro de lava-jatos
de gasolina azul?

quando se come um conde,
cru ou assado,
com o dedo cruzado
em talheres de ouro,
pode haver maior desdouro
que não lhe respeitar as ventas?

que conde, que nada,
apenas rapadura maltratada
de heranças imbecis;
carne nobre é carne de boi,
dependurada
em ganchos de ouro no açougue
sem glória,
sem história,
de tempos servis;

teu preço em ouro, senhor conde,
onde se esconde, senhor conde,
no teu cu de conde
ou no teu vil porão de grandes castelos?

tua língua oculta, teu semblante vazio,
senhor conde, não cabem em chinelos
do teu desvario:
me diz, senhor conde, vergonha não há
em comer mortadela e arrotar vatapá?
em vestir esses trapos de sujas bandeiras
como se fossem reles trepadeiras
de unhas-de-gato?
brincando de rato, de chato,
coroas de lata,
falsos festins, luas de nada,
nem ouro nem lata.
nem punhal de prata,
teu anel de pedra-pome, onde
seu velho conde? onde?

na campina, um corcel;
no castelo, o bordel;
aqui, seu conde, aqui, ó,
cagando teu ouro,
teu tesouro,
não estou assim tão só:
há, para cada um só conde,
milhares e milhões de bocas
todas loucas, muito loucas,
para te comer, senhor conde,
e milhares de paus e pedras
para te foder, senhor conde,
e tu me perguntas onde?
ora, senhor conde, se me permites
(sim, tu concordas com tudo,
em teus trajes de veludo)
mando-te já, com espinho de mandacaru,
tomar bem no olho do conde,
bem no olho do teu cu.







posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:35 PM


{Segunda-feira, Dezembro 26, 2005}


O MELHOR DO NATAL


O sentimento pós-tusunami de natal: sobrevivência. A data mais materialista do capitalismo já passou. Se uma meia dúzia de cristãos comemorou o nascimento de seu deus, com certeza o papa (tio Bento XVI), com sua retórica idiota, não está entre eles. O Vaticano, como as demais religiões, não estão nem aí para o tal espírito de natal. Só querem, mesmo, é faturar, para garantir mais alguns séculos de dominação das mentes humanas. Para gáudio de todas as fábricas de engenhocas e de presentes natalinos. O falso sentimento de solidariedade que percorre o mundo ocidental desmascara-se e todos voltam à realidade da fome, da miséria, da exploração do homem pelo homem, da destruição do planeta. Ricos ficaram mais ricos e os pobres, mais idiotas e conformados, pois a maioria deve ter tido o seu dia de um feijão menos bichado na mesa e os filhos perebentos e de barriga inchada ganharam presentes de plásticos que se quebrarão em poucos dias e ajudarão a entupir os rios e riachos, ajudando a provocar as famosas enchentes de verão. O gosto do champanha tem o amargo de uma grande festa da hipocrisia, que teima em se repetir ano após ano, com os imbecis de sempre se vestindo de vermelho para imitar um velho gordo e mais imbecil ainda com um saco nas costas e uma risada de débil mental. Após cumprir todos os rituais de estupidez humana, o único prazer que tenho é saber que o melhor do natal é que ele acabou. Resta esperar as mesmas baboseiras para o ano que vem.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 5:01 PM


{Quarta-feira, Dezembro 14, 2005}


JINGLE BELLS, JINGLE BELLS



Nem sei se o título acima está correto e nem me preocupo se não é bem isso o tal do jingle bells. Apenas sei que é tempo dessa musiquinha chata. Que anuncia uma série imensa de chateações. Minha mulher não comemora o natal, que é festa católica e ela é meio crente, meio nada. Mas enfeita a casa. Para as crianças, diz ela. Leia-se: para a minha neta e mais alguns pentelhos que se acostumaram a encantar-se com a árvore piscante, com o papai noel que solta bolinha (e toca lá a sua musiquinha, ainda mais chata do que o jingle bells) e com mais uma série de enfeites. Ah, e tem um papai noel sentado numa cadeira. O engraçado é que esse papai noel passa o ano todo como bruxa, ou seja, é uma boneca bruxa enorme, do tamanho de uma criança de dez anos, que se transforma em papai noel nessa época. Penso: nem as bruxas escapam. Em vez de soltas, elas se metamorfoseiam. Mas tudo bem, é uma coisa íntima, de desejo da mulher com quem vivo há tanto tempo, que pequenas idiossincrasias como essa não me chateiam. O que enche, mesmo, o saco é o tal espírito de natal, as pequenas explorações que se escondem sob ele e seus efeitos colaterais. Todo mundo fica bonzinho: os varredores de rua, que durante o ano inteiro fizeram um serviço porco na rua de casa, aparecem como formigas, e todos querendo caixinha; os lixeiros que, com seus caminhões barulhentos, preencheram as madrugadas dos dias pares da semana, o ano inteiro, agora vêm mais cedo: querendo caixinha, é claro; o entregador de jornal, que cumpriu sua obrigação de deixar sob o portão de minha casa a assinatura que garante o seu salário, sempre aparece com um cartãozinho: querendo o quê? caixinha, é claro. O telefone toca e alguém quer enfiar a mão no meu bolso, para o asilo não sei das quantas. E assim, o tal espírito de natal acha que todo mundo fica meio bobo, nessa época. E acho que fica mesmo. Porque fatura alto, o danado. Gente que a gente nunca viu ou que nos ignorou o ano inteiro, na padaria, no mercado ou na banca de jornal, agora abre sorrisos e nos deseja boas festas. Que bosta! E pior: a gente que não tem nada com isso, surpreendido com as gentilezas, para não passar por mal educado, acaba tendo, também, de desejar bom natal, boas festas e aquelas baboseiras todas.

Fico pensando: como a humanidade é besta. Festejam um deus que não se sabe se existiu ou não, e se existiu, morreu num madeiro, há mais dois mil anos. Um homem cuja data de nascimento se perdeu na poeira da história e só se comemora no dia 25 de dezembro porque a igreja católica apostólica romana um dia decidiu acabar com uma festa pagã e colocou no seu lugar a celebração do natal, que virou a droga que é hoje, com todo mundo querendo faturar algum por conta. E ainda incorporaram um tal de papai noel, de ridículas vestes vermelhas, gorro e barba grande, com um saco nas costas, que não se sabe bem de onde veio. E é nosso o saco que ele enche.

Recebo uma crônica de um amigo virtual, que diz ter matado o papai noel, jogando-o pela janela de seu prédio e gozando sua queda e seu despedaçamento na quadra do condomínio. Pensei: quando foi que matei o meu papai noel? Não me lembro. Aliás, nem me lembro muito de sua existência na minha infância, quando o brinquedo cobiçado nunca aparecia ou era trazido por um irmão que vinha de longe, e nada tinha de papai noel. Mas acho que lembro, sim, quando matei deus. Que, aliás, já estava morto há muito tempo, mais aliás ainda, que nunca chegou a nascer dentro de mim, acho, porque sempre desdenhei dele, mesmo quando brincava de acreditar nele. Mas, voltando à morte de deus: foi uma manhã, quando eu tinha ali pelos meus dezessete anos, morávamos eu e minha mãe numa velha casa na rua torta de uma cidade lá de Minas, interiorzão atrasado e católico, quando um pastor de não sei qual igreja, dessas que agora crescem como capim em qualquer esquina, apareceu à minha porta. Pediu para entrar e, não sei bem por quê, por curiosidade, por bonomia, sei lá, deixei que o cara entrasse. Começou a pregar a bíblia para mim. Falou um monte de bobagens, e eu escutando. E meu saquinho ameaçando estourar. Mas contive-me. Apenas lhe propus um desafio. Bíblico, é claro. Se ele me explicasse, adotaria a religião dele. Já havia lido quase toda a bíblia e, por isso, caminhava para o ateísmo. Mas, ainda havia uma esperança de que deus vencesse a batalha e não perdesse mais uma alma. E ali estava, talvez, a possibilidade de que ele, o homenzinho sério e de terninho preto, me salvasse. Que ele, então, me explicasse a seguinte história: havia no mundo Adão, Eva e seus dois filhos, Caim e Abel. Caim matou Abel, certo? E está lá, na bíblia, que depois disso, arrependido, Caim fugiu para uma certa terra distante, onde conheceu a sua esposa. Que mulher era essa? Se havia no mundo apenas quatro pessoas e uma morreu, assassinada, sobraram três, não? Então? Como explicar o surgimento dessa mulher de Caim? E o coitado do pastor ficou todo enrolado, não soube o que dizer e foi embora prometendo voltar com um superior dele, que na certa sabia mais. Voltou? Never more, never more, para lembrar Poe. E a ave agourenta de deus, ao contrário do corvo de Poe, levantou vôo para sempre de meus ombros, de minha consciência, de minha vida. Para nunca mais voltar. Never more, never more. Jingle bells, jingle bells para Caim e Abel. Podem bater quantos sinos quiserem, que nunca mais precisei de deus nem de deuses, de natais, de santos, de anjos, de padres, de pastores, de quem quer que seja que acredite nessa baboseira toda. Mas, como não posso viver fora desse mundo idiota, que cultiva todas essas histórias de carochinha como se fossem verdades absolutas, e como não adianta mais matar o papai noel, jogando-o janela afora, nem decretar, como Nietzsche, que deus está morto, porque não me darão a mínima atenção todos esses caras chatos que vêm tentar saquear o meu bolso por conta desse tal espírito de natal, olho para o outro lado e sorrio. Olho para o outro lado e finjo que não é comigo, ou então, desejo, sim, de todo o coração e com toda a ironia interior de que eu seja capaz, bom natal, boas festas, feliz ano novo, para todos os que se aproximam de mim com essas baboseiras. É o meu jeito de não ser julgado, definitivamente, como... como... bem, deixa pra lá, o termo que me vem à mente não iria agradar a ninguém, mesmo, e, afinal, já que o tal espírito de natal anda por aí a saquear nossa paciência, só preciso mesmo ficar esperto para que ele não me leve alguns reais, que não tenho e, se tivesse, não estaria disposto a dividir com ninguém, principalmente em nome do espírito de natal, que não é espírito nem é natal... E já que a bruxa não está solta, aqui na minha casa, mas apenas travestida de papai noel, solto eu as minhas bruxas (yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!) e desejo um feliz natal para todos, seus babacas!

Isaias Edson Sidney

iesidney@uol.com.br

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:34 PM


{Segunda-feira, Dezembro 12, 2005}


EI, COMPANHEIRO LULA, CALMA LÁ: EU FALEI PRIMEIRO


Cheiro de golpe? Há muito que certa imprensa brasileira alimenta a sanha dos cães da direita. Há muito que se esconde sob os grossos tapetes do Congresso a sujeira dos dois mandatos do FHC, para tornar mais manchadas as besteiras feitas por uma parcela do PT. Sim, uma parcela. De um partido de mais 800 mil filiados, uma meia dúzia de pascácios fez o estrago que ninguém pode ainda calcular. Fez o jogo da direita mais sarnenta, dos próceres não do quanto pior melhor, mas do foda-se o povo brasileiro, que nós queremos é rosetar. E estão deitando e rolando, esses próceres da velha república, como nunca se viu nesse país. A cada semana, aquela imprensa nojenta, filial do PSDBFL, coloca em suas páginas sujas mais um pouco da merda para jogar na Geni da vez, mais uma denúncia sem comprovação, na base do disse-me-disse para manter acesa a fogueira em que deve queimar em fogo brando, até as eleições, o Presidente. Para que ele não se reeleja. E tudo feito com muito glamour, ou seja, poupando-o do impedimento legal, para não dar na vista. Mas o plano, a princípio apenas um golpe de sorte do moleque e cavalo de Tróia Bob Jefferson, a mando da canalha direitista, vem sendo cumprido a risca por netos e filhos da sempre presente oligarquia baiano-paulistana, num compadrio impensável anos atrás. Lá estão, de braços dados, os bonitinhos dos bairros jardins de São Paulo e os manda-chuvas eternos das terras cacaueiras. Uma mistura quente de café, cacau e cana-de-açúcar, com o tempero de outras terras menos cotadas, mas não menos interessadas na débâcle do governo Lula. Uma orquestra afinada de denúncias vazias, de mistura de assuntos, de tiros para todos os lados, a ver se acertam em alguma falcatrua mais grave, ajudados pelos imbecis dos valeriodutos de água suja, na qual não há um só político brasileiro hoje que não tenha bebido e se fartado em anos anteriores. A diferença é que ainda não se descobriram os demais delúbios e valérios, ou eles estão muito bem escondidos sob as bundas gordas de gente que vem arrotar na televisão a sua honestidade de fachada. E é essa gente, que já se fartou e continua se fartando em várias outras estâncias de poder, por esse País afora, é essa gente, que domina o panorama do atraso do Brasil há quinhentos anos, é essa gente que está aí a ruminar todo o seu ódio, todo o seu rancor ao povo, por haver escolhido democraticamente (uma palavra que eles odeiam, mas com a qual enchem a boca) um governo popular e muito mais interessado em seu bem-estar do que todos esses anos de incúria, de roubalheira institucional, de manutenção de miserabilidade e de diferença de renda entre os pobres e ricos. Pois é: éssa gente que quer voltar. E, pelo andar da carruagem, vão acabar voltando. Para se assenhorear de vez dos destinos desse pobre país. Para manter calada essa raça, por mais uns trinta anos, conforme o destempero verbal do Bornhausen, num ato falho, num momento de descuido, em suas diatribes contra do PT e o povo brasileiro. Essa raça pode ter errado, sim. Essa raça pode ter feito bobagem, sim. E ainda fará outras. No entanto, são falhas de caráter ou burrices de meia dúzia de imbecis que devem, sim, ser punidos, não só pelo que fizeram, mas principalmente pela possibilidade que deram àquela elite paulistano-baiana de retomar o poder, com todo o jeito e trejeito de golpe, sim, senhor Presidente. E se o senhor me desculpa, não posso deixar de dizer que fui eu o primeiro a sentir o cheiro nauseabundo do golpe que tentam, não contra apenas o senhor, Presidente, mas principalmente contra o povo brasileiro.

O que mais me entristece nessa história toda, não é grande estupidez cometida pela antiga direção do PT, mas a estrada que eles abriram para dar voz, de novo, aos filhotes da direita de se aproveitarem da situação para armarem esse golpe sacana, em conluio com uma certa imprensa sacana a serviço dos cães de caça sacanas do Congresso, das elites, de todo uma gente que viveu e vive da exploração da miséria do brasileiro.

Golpe, sim, sem que os intelectuais de esquerda, perdidos em suas elucubrações teóricas, se dêem conta, sem que os próprios dirigentes partidários de esquerda percebam, perdidos em desculpas e penitências que a nada levam.

Está na hora da reação, senhores!

Sim, reação. Levantar a cabeça da merda e começar a colocar os pingos nos devidos iis. Botar a boca no trombone e mostrar ao povo os desacertos do desgoverno FHC e suas privatizações estúpidas e contrárias aos interesses da nação. Ir ao Supremo, como eles o fizeram, para destravar, por exemplo, os mais de sessenta pedidos de CPI que o Alkmin, o arrogante governador de São Paulo, impediu de ir adiante. E para continuar aqui mesmo, em São Paulo, no ninho das aves plúmbeas do mau agouro com que travestiram o tucano, mostrar o novo sucateamento da Prefeitura nas mãos incompetentes do Serra, aquele mesmo que queria ser presidente. E desencavar o passado daqueles boquirrotos relatores e componentes dos processos inquisitoriais em que se transformaram as CPIs e CPMIs, que, com suas bravatas diárias para atrair os holofotes da imprensa, fabricam denúncias a cada dia, sem se preocupar se são falsas ou verdadeiras.
Sim, é preciso reagir. E não apenas falar que há cheiro de golpe no ar. Porque enquanto a esquerda se esconde, escandalizada com as besteiras dos valérios e delúbios, a caravana peçonhenta da direita arma o bote e conquista, mais uma vez, pela mentira e pela repetição de inverdades, corações e mentes de um povo que não sabe ainda discernir muito bem o que é denúncia e o que é denuncismo com interesse político de reconquista do poder.

Reação, senhores, reação. Antes que seja tarde demais!

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 4:26 PM


{Quinta-feira, Dezembro 08, 2005}


PIOR CEGO É AQUELE QUE QUER VER, MAS É ENGANADO O TEMPO TODO


Divertiu-me a nota no jornal informando que, ao receber os jogadores do Corinthians, o presidente Lula ficou espantadíssimo com o porte dos atletas, ou seja, todos pequenos e mirrados, uns frangotes ainda, nas palavras do presidente. Isso me fez pensar no como estamos vendo o mundo, como o nosso olhar enxerga realmente o que está acontecendo.

O olhar é o mais formidável meio de entender a realidade. Ou não? Nem vou entrar na discussão dos cegos, principalmente aqueles que nasceram sem visão e, portanto, não têm nenhuma noção visual de como o universo se organiza. Quero falar de nós, pobres seres constituídos, normalmente, de dois olhos que funcionam, que vêem o mundo e enxergam tudo o que acontece ao seu redor. Será que enxergamos, mesmo?

Ver o mundo com os olhos bem abertos e interpretá-lo como ele é realmente, eis aí uma das mais difíceis funções da mente humana. Não sei se o que vejo é o mesmo que os que me rodeiam vêem. Há pontos de vista diferentes. Há ângulos inusitados. Há sombras e luzes. Há movimentos sutis. Nosso olhar sobre o mundo é sempre o nosso olhar sobre o mundo. Provavelmente diferente de todos os demais. Talvez não haja dois olhares iguais, duas visões idênticas dos mesmos fenômenos visuais. Talvez o nosso olhar sobre o mundo seja sempre um olhar meio vesgo, meio cego, com poucas possibilidades de acerto.

Além de todas as dificuldades que temos ao olhar o mundo, o século vinte, principalmente, nos forneceu elementos mais do que complicadores para essa visão desfocada que temos da realidade. Até então, a representação do mundo através da visão era feita apenas pelos pintores, artistas que retratavam subjetivamente a realidade, mesmo quando tentavam ser os mais objetivos possíveis. A tecnologia do século vinte nos trouxe a fotografia e, depois, o cinema e depois ainda, a televisão. Nosso olhar sobre o mundo nunca mais foi o mesmo depois do advento dessas três tecnologias.

A fotografia parecia retratar o momento de forma total e objetiva, sem deformidades. Só parecia. As lentes da máquina nos enganam o tempo todo. Além de parecer eternizar um momento, há filtros, há sombras, há luzes e há ângulos inusitados. Há sutilezas. E há também o tempo: o mesmo rosto visto há cem anos tem outros matizes ao meu olhar de hoje, diferentes dos matizes que os seus olhos, caro/a leitor/a, possam descobrir no mesmo momento. E será diferente daqui a não sei quantos anos. A foto envelhece. E o nosso olhar também. A foto não representa a realidade, mas uma realidade, a do fotógrafo, que se modificará com o tempo. E se modificará a cada olhar, a cada época.

Depois vieram o cinema e televisão. A realidade em movimento. Mas será mesmo a realidade? Nunca. Nunca o cinema e, por extensão, a televisão retrataram a realidade. Sempre nos enganaram a vista com os velhos truques de sombras e luzes, dos ângulos inusitados, da visão de quem filma e nunca a visão de quem olha. E são sutis os movimentos de câmera. E trazem sutilezas mil, cada lente, cada filtro, cada cor. Como espectadores, somos enganados o tempo todo, com o recorte da realidade apresentado como realidade. O feio se torna bonito ou mais feio, depende de quem o queira dessa ou daquela forma. O fraco se apresenta como mais fraco ou como forte, depende das intenções de quem filma. Mesmo aquilo que parece o mais próximo da realidade, como o documentário, é só uma parte dessa realidade, também filtrado por lentes, por ângulos, por luzes e sombras, ou seja, há sempre um ponto de vista que, como a fotografia, também muda com a mudança do olho de quem olha. E haja sutilezas.

Por isso, presidente, o seu espanto me divertiu e me encantou. E principalmente me fez ver o quanto o nosso olhar para realidade está comprometido pelo olhar das lentes da tecnologia. Como só enxergamos aquilo que nos querem fazer enxergar. E concluir que somos todos cegos, muito mais cegos dos que aqueles que não têm a visão, porque esses, os verdadeiros cegos, não podem ser enganados. Nós, sim, podemos. E somos, o tempo inteiro. Só não nos damos conta disso.

P.S.: Muito bom falar do presidente sem fazer nenhuma referência a ... ops! Deixa pra lá.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:50 PM


{Sexta-feira, Dezembro 02, 2005}


VENENOS DE UMA SEXTA-FEIRA CHUVOSA


MOTOQUEIROS (1)

O protesto dos motoboys, ontem, contra as medidas de segurança adotadas pela Prefeitura de São Paulo, para proteção dos próprios condutores dessas máquinas absurdas que se chamam motocicletas, pode ser um tiro no pé da categoria. Que, aliás, nem categoria é: não passa de um bando de loucos insanos a atormentar a vida de todo mundo. Mas, já que existe, é preciso um mínimo de regulamentação para evitar transtornos maiores, ou seja, que todos os dias tenhamos de conviver com, no mínimo, três corpos de motoqueiros estendidos nas ruas e avenidas da cidade, em acidentes traumáticos para todos. Não aceitar que a Prefeitura imponha um pouco de ordem no caos que eles provocam só serve aos interesses das empresas clandestinas que os exploram. Enfim, burrice pouca é bobagem.

MOTOQUEIROS (2)

Sempre é bom lembrar que essas bestas dirigem como loucos, costurando o trânsito, não respeitando sinais, porque o ex-presidente FHC, ao sancionar o Código de Trânsito Brasileiro, vetou o seguinte artigo:

É proibida ao condutor de motocicletas, motonetas e ciclomotores a passagem entre veículos de filas adjacentes ou entre a calçada e veículos de fila adjacente a ela.

Agora, o prefeito José Serra, do mesmo partido do presidente, se vê às voltas com a encrenca. Durma-se com um barulho desses.

TUCANO X TUCANO

E por falar em José Serra, o prefeito andou reclamando do governador Alckmin, em entrevista ontem à Rádio Jovem Pan, por alguns problemas vividos por São Paulo. Há casos de bombas de água (essenciais em alguns pontos de alagamento) prometidas e não entregues; a omissão da PM nas manifestações dos motoqueiros; obras em galerias do Tietê têm agravado as enchentes... Enfim, a tão propalada união entre Estado e Prefeitura, na época das eleições, parece que foi para o brejo... E por causa, também, de outras eleições: as do ano que vem, a que ambos, prefeito e governador, querem concorrer como candidato do PSDBFL à presidência. E os paulistanos, mais uma vez, pagam o mico!

DASLU OU DASPU?

É sério: uma ONG do Rio, ligada à defesa dos direitos das prostitutas, quer lançar uma grife (para angariar recursos, já que não recebem verbas que não sejam oficiais, por preconceito das empresas privadas) de roupas para as damas da noite e também para as damas do dia (ih...ih... ih...) com o nome de DASPU. O que despertou a ira da concorrente paulistana DASLU, que alega ser a marca das mulheres de vida fácil um fácil meio de debochar de sua marca. Se as senhoritas do Rio ganharem o direito de usar o nome DASPU, vai ser muito engraçado. E pelos preços superfaturados da DASLU, vai ter muita socialite preferindo DASPU, já que, no meio elegante, parece não haver qualquer preconceito: afinal, não receberam com honras aquela putinha atrevida chamada Paris Hilton? Ou será que ninguém viu o filme que ela fez com seu namorado? Enfim, puta por puta, é melhor ficar com algo mais verdadeiro.


POST SCRIPTUM:

Depois de prestadas todas as contas do famigerado referendo sobre as armas, sabem o que ficou claro? Que a suja campanha do NÃO, vencedora porque a maioria sempre faz merda, em se tratanto de assuntos importantes, foi patrocinada, sim, pela indústria de armamentos. Não vou nem citar o nome dessas indústrias, para não lhe dar qualquer colher de chá. Mas o estrago já está feito. E agora, seus bobocas, defensores de um estado armamentista sob o argumento de liberdade, de livre arbítrio, o que é que vocês têm a dizer? Hem? Hem?

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:47 PM


{Quinta-feira, Dezembro 01, 2005}


NORA NEI E A DIREITA BRASILEIRA

Nora Nei cantando Lupicínio:


Eu gostei tanto, tanto quando me contaram
Que lhe encontraram chorando e bebendo na mesa de um bar
E que quando os amigos do peito por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz, não lhe deixou falar
Ah, mas eu gostei tanto,
Tanto quando me contaram
Que tive mesmo que fazer esforço
Pra ninguém notar
O remorso talvez seja a causa do seu desespero
Você deve estar bem consciente do que praticou
Me fazer passar essa vergonha com um companheiro
E a vergonha é a herança maior
Que meu pai me deixou
Mas enquanto houver força em meu peito
Eu não quero mais nada
Só vingança, vingança, vingança aos santos clamar
Você há de rolar como as pedras
Que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu
Pra poder descansar


Levantei-me hoje com essa música na cabeça. Também me lembrei do adágio popular que diz:

VINGANÇA É PRATO QUE SE COME FRIO.

Pois é: demorou, mas a direita brasileira (leia-se PSDBFL, mais a bancada ruralista, mais os viúvos da ditadura, que não são poucos) conseguiu vingar-se de um de seus desafetos. Ainda há muitos, mas o Zé Dirceu incomodava muito mais. Um elefante com poder para triturar muitos dos que nesta madrugaram cassaram seu mandato, depois de o terem caçado por vários meses.

Se a vingança é prato que se come frio, a direita se fartou. E ainda tem apetite para muito mais. Deve empapuçar-se, nas próximas semanas, nos próximos meses, com o apoio daquela imprensa vendida que todos sabemos quem são. Que apóia e, mais ainda, incentiva a caça às bruxas, o processo neo-inquisitorial em que se transformou a política brasileira dos últimos tempos. É preciso que cortem até o osso qualquer possibilidade de que um governo democrático, de origem popular, possa permanecer por mais tempo do que um único mandato. É preciso purgar o pecado de a população ter escolhido Lula e PT. E vão escrevendo as páginas mais negras da história da república, pobre república brasileira. Com um dia de vergonha, como foi ontem, em que me senti humilhado por ser brasileiro, por ser mané e ter acreditado que haveria decência nesse país.

Fico torcendo, apenas, que, de tão frios, os pratos que comem e comerão lhes tragam uma indigestão do mesmo tamanho de seu apetite.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:41 PM

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