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{Quinta-feira, Outubro 27, 2005}


TUCANO NA CUT

O palíndromo é um jogo divertido com as palavras. Uma frase, como a acima, pode ser lida nos dois sentidos e desperta em nós uma sensação de desafio, o desafio de dar sentido a algo que não tem nenhum sentido, o sentido palindrômico da vida. Tudo que vai, um dia volta.

Aí fiquei pensando no sentido da frase: TUCANO NA CUT. A ave, naturalmente. Que seria muito bem-vinda, nesses tempos do ecologicamente correto e do politicamente mais errado do que nunca. Mas, um tucano de alta plumagem, agora falando dos políticos, jamais pisaria na CUT, um reduto da raça trabalhadora que, como disse o Bornhausen, com essa crise, pode ser varrida do mapa por trinta anos. Por isso, está encantado com a crise. Esse tucano sabe do que fala: ficou quase trinta anos puxando o saco dos milicos que... todo mundo sabe o que os milicos fizeram nesse país. Agora, o tucano posa de democrata, como, aliás, todos os demais, com aquela sua arrogância de sempre.

Engraçado, se não fosse trágico: o tucano, a ave, é belíssima, com suas cores, seu enorme bico, seu vôo majestoso, mas o tucano (a ave) não é arrogante: é até um bicho muito simpático, se algo assim se pode falar dos bichos. Já os tucanos políticos não despem suas casacas nem quando na intimidade. Devem tomar banho e fazer amor (aliás, amor não é coisa que os tucanos políticos sejam muito chegados, como veremos a seguir) sempre de casaca colorida. Moram, não nas árvores, mas em pedestais. Têm um público fiel, mais fiel (por incrível que isso possa parecer) do que a torcida corintiana, principalmente entre os clientes da Daslu e os que dão caras recepções a rainhas brasileiras de países distantes. Orgulham-se disso, os tucanos, empoleirados em seus altos cargos e olhando de cima a nós, pobres mortais. Cultivam um sonoro desprezo pela CUT, é claro, principalmente agora que alguns desses barbudos sujos e sem a finesse dos que estudaram francês na França ocuparam altos cargos na ex-capital do tucanato mais emplumado. Aliás, não é bem desprezo, não. O Bornhausen, aquele que foi menino de recado da ditadura, definiu bem: aquela raça. O desprezo virou ódio, que escorre pelo lado da boca do Alckimin, quando ele fala das verbas que o Governo Federal não liberou para as obras superfaturadas do Rodoanel; que mancha a camisa branca do Serra, quando manda o Andrea Matarazzo expulsar os mendigos, todos petistas, com certeza, do centro de São Paulo; que faz brilhar o olho do Arthur Virgílio, quando abre as asas imponentes para negar o caixa 2 do Eduardo Azeredo; enfim, é ódio, sim, o que toma conta do tucanato, quando querem caçar o José Dirceu e cassar todos os pretos, pobres e operários que tiveram e têm a ousadia de governar esse País.

Então, fico pensando como é engraçado o palíndromo TUCANO NA CUT... E me solidarizo com o coitadinho do Bornhausen, que tantos serviços prestou à ditadura, com seu ar arrogante de tucano, agora ser achincalhado por um sindicalista que ficou puto só porque não gostou do que ele disse contra a raça dos trabalhadores e operários entrar em extinção... e espalhou uns cartazes em Brasília em que ele aparece vestido de nazista! Como? Nazista o Borhausen, só porque disse aquilo? Que absurdo!

Ora, ora, minha gente, coitadinho do Bornhausen... E o palíndromo que dá título a essa crônica não pode, nunca, ser divertido: UM TUCANO NA CUT? Nunca! Jamais! Pelo menos, não o Bornhausen, porque, para ele, a vida não é nunca um palíndromo, pois o passado passou e não se fala mais nisso...

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 11:55 AM


{Segunda-feira, Outubro 24, 2005}


VENENOS...

POR NIETZSCHE:

Na resenha de lançamento de um livro sobre Nietzsche, no Estadão de domingo (23.10.05), o senhor Gilberto de Mello Kujawski termina seu artigo com esta pérola:


Vicente Ferreira da Silva, o genial filósofo paulista, furibundamente anticristão como Nietzsche, declarou, textualmente, no fim da vida, que nós todos somos cristãos de fond em comble. O cristianismo não é algo que está em nós; nós é que estamos nele. É a crença na qual vivemos, movemo-nos e somos. A única maneira de darmos o salto final para o antípoda pagão é a total dissociação da nossa personalidade. Nietzsche tentou-a. O resultado foi a loucura. Aos olhos de C. G. Jung a causa da loucura de Nietzsche não foi a sífilis cerebral e sim a derrubada da barreira que o cristianismo representa para nos salvar das forças demoníacas que assediam o homem.

Fico, realmente, em estado de choque ao ler tais baboseiras. E pensar que estamos no século XXI e que o senhor Kujawski é um homem culto pois, pelo menos, tem obras publicadas e escreve no jornal!...

O homem ainda teme o demônio, como na Idade Média! E, pior, quem não é cristão é louco ou fica louco. Como Nietzsche! Ora, tenha paciência, senhor Kujawski, vá ser imbecil assim na casa dos seus capetas!

E há, ainda mais: sob essa estupidez, esconde-se um processo emburrecedor de tentar reinterpretar Nietzsche, ou seja, de torná-lo menos anti-cristão do que ele realmente foi, como uma necessidade mórbida que o cristianismo tem de fazer apodrecer tudo o que toca, através do processo de assimilação histórica que o acompanha, desde o nascimento. O cristianismo apropriou-se de todas as festas pagãs e transformou-as em comemorações santificadas, em dias santos, em natais e outras baboseiras. Daqui a pouco, o tio Bento XVI estará iniciando o processo de canonização de Nietzsche!...

PELO REFERENDO:

A insanidade venceu. Através da mentira, da falácia, da enganação... A estupidez, mais uma vez, assola o País. A campanha pelo SIM foi idiota e mentirosa. Mas a campanha pelo NÃO desafiou qualquer princípio de lógica, de bom-senso, de falta de ética. Sob os olhares complacentes do Tribunal Superior Eleitoral, que ficou pegando no pé dos contendores por picuinhas e não percebeu o engodo, a enganação, a falsidade e a mentira que fomos obrigados a assistir e a ouvir através dos meios de comunicação de massa, sob o disfarce de esclarecimento ao público. Um jato de vômito bem podre para quem enganou e para os quase 65% da população brasileira que se deixou idiotizar!

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:07 PM


{Sexta-feira, Outubro 21, 2005}


TERRA EM TRANSE: UM DESABAFO SOBRE O QUE ANDA ACONTECENDO POR AÍ


Roubo de Glauber o título de seu famoso filme, para tentar colocar em ordem as idéias. Se isso é possível, diante do que acontece por aí. Acho que envelhecer é, também, ficar ranzinza. Com tudo e com todos. E não quero envelhecer. Quero apenas a ranzinzice de quem olha para o lado e vê que o mundo parece um pouco mais torto do que sempre foi, embora o homem tenha sido sempre o causador de desconfortos e tragédias.

Não sei se começo o meu desabafo pelo mais comezinho ou pelo mais amplo. Difícil escolha entre o último escândalo da política nacional e o aquecimento do globo por conta da excessiva emissão de gases poluentes das fábricas das nações mais poderosas.

Comecemos pelo mais amplo: pelos gases.

Bush não admite parceria. Só hegemonia. Ao cowboy imbecil não lhe basta o domínio da cidade e a conquista da mocinha. Exige o enforcamento dos adversários ou, no mínimo, a sua humilhação. É o que faz Bush com o mundo. Não assinou o tratado de Kyoto e arrotou mundo afora a sua arrogância. E então, mais cedo do que seria de se esperar, a natureza tem sido vingativa. Pelo menos, na nossa visão antropomórfica de mundo, quando tal visão nos é favorável. Pode não ficar provado que o aquecimento das águas do Oceano Atlântico tenham por causa o efeito estufa provocado pela emissão excessiva de gases, principalmente de países como os Estados Unidos, o maior poluidor do mundo, mas a dúvida permanecerá por muito tempo a roer a consciência dos estadunidenses. Os furacões que assolam os estados americanos próximos ao Golfo do México têm deixado à mostra as mazelas e incompetências do governo Bush, quando o que se deve fazer é ajudar humanitariamente as vítimas e não, apenas, jogar bombas em países distantes. A expertise de Bush se resume à política de invasões, de destruição e de guerra. A economia está em frangalhos, o País tem o maior défict de sua história, o terrorismo já mostrou força suficiente para atacar até mesmo lá dentro de suas fronteiras, o mundo está perdendo a paciência e a natureza dá a sua mãozinha, destruindo cidades, matando muita gente, solapando a indústria petrolífera. O caos. E Bush apenas acerta a aba de seu chapéu de cowboy, ameaçando o mundo com sua arrogância.

No Iraque, morrem todos os dias pelo menos vinte ou trinta pessoas vítimas de terrorismo. Eles matam e se matam, enquanto o exército invasor não consegue garantir a ordem e a segurança nem de suas próprias tropas, também elas vítimas constantes de homens-bomba dispostos a se sacrificar por fundamentalismos tão estúpidos quanto foi estúpida a destruição de uma nação para prender e julgar o seu governante. A invasão do Iraque deve passar à História como um dos acontecimentos mais vergonhosos da trajetória humana. Tem sido, sem que a grande imprensa se dê conta disso, pior até que a guerra contra o Vietnã. Os vietnamitas estavam unidos em defesa de sua terra e conseguiram expulsar o invasor. Mas os iraquianos, não. Suas divisões internas não lhes permitirão derrotar o inimigo comum, porque também lutam entre si. O sangue ainda vai correr por muito tempo, antes de se encontrar uma solução para uma guerra estúpida e sem sentido, promovida pela estupidez do Bush.

Enquanto isso, na Amazônia, também provável conseqüência do mesmo efeito estufa que provoca os furacões no Caribe, a seca promove um espetáculo de crueldade e dor para com os pobres habitantes de margens de rios outrora abundantes de peixes e agora reduzidos a bancos inúteis de areia. E não só os rios amazônicos desaparecem, mas também a própria floresta vai, aos poucos, sendo destruída pela sanha de ganhos milionários de meia dúzia de imbecis que cortam, sem dó, árvores centenárias, num desmatamento desenfreado, cujas conseqüências não se podem prever, tal o tamanho da estupidez e da cobiça do homem. O futuro jogado na lixeira para ganho de miseráveis que não enxergam um palmo à frente do nariz. A agressão à natureza é apanágio do homem. Deter esse tipo de coisa não é discurso de naturalista romântico, mas um grito de desespero que deve alertar o homem para a sua própria destruição. Estamos jogando contra o nós um jogo em que não haverá ganhadores para comemorar qualquer vitória. Estamos destruindo o útero que nos dá a vida. Estúpidos! Mil vezes estúpidos!

São desgraças imensas, essas a que me referi. Mas não são menos desgraçadas, apesar de pequenas, as mazelas humanas no terreno da política e das relações humanas. Matamo-nos por qualquer motivo, ou sem motivo algum. Não respeitamos a vida. Não há valores humanistas numa sociedade de ladrões, de corruptos, de assassinos, de hipócritas. A justiça de apequena e se torna ainda mais injusta, ao condenar a 25 anos de cadeia um doleiro idiota que comete crime financeiro, enquanto o assassino confesso e cruel, que mata sem motivo real, apenas porque a vítima é negra e, portanto, pode ser um assaltante, usando da prerrogativa de ser policial, esse assassino covarde pega uma pena de apenas dezessete anos. Daqui a sete ou oito, estará na rua, beneficiado por leis absurdas que dão ao assassino a possibilidade de reduzir a pena, por bom comportamento ou outros artifícios legais. Estúpida sociedade que não pune rigorosamente os que matam, os que torturam, os que estupram. Estúpida sociedade que tem o dom absurdo do perdão a crimes de morte. Estúpida sociedade que cultiva a impunidade.

Há quarenta anos, Maluf rouba. Há quarenta anos Maluf gasta o dinheiro público para buscar petróleo no maior aqüífero do continente. Há quarenta anos, Maluf destrói a cidade com a construção de viadutos suspensos, que nem o capeta ousaria projetar, e obras de demoníaco urbanismo. Há quarenta anos, Maluf desvia dinheiro do povo para construir avenidas de metro quadrado asfaltado mais caro do mundo, assaltando a inteligência do povo com seu sorriso gelado de escroque internacional. Há quarenta anos, Maluf rouba. Passa quarenta dias na cadeia. E temos que nos rejubilar, porque pelo menos provou, por quarenta dias, de um pena que devia ser perpétua. E um juizinho imbecil do Supremo Tribunal diz que mandou soltá-lo porque ninguém merece ficar preso ao lado do próprio filho, que também estava detido. O juiz ficou com dó do escroque! Estúpido um povo que mantém a altos salários um juiz tão imbecil. Estúpidas as leis de um povo que permitem tal tipo de julgamento. Num País decente, ia o juiz para a cadeia, no lugar do Maluf.

Está certo: José Dirceu foi arrogante, como Ministro plenipotenciário do governo Lula. José Dirceu pode, até, ter sido o artífice de imensas burradas políticas ligadas à compra de apoios para a base política do governo. José Dirceu pode, até, ser o demônio que a oposição vê com os olhos de quem quer de volta o poder que já teve. Mas não merece a execração pública e o pré-julgamento que vem tendo desde que estourou o escândalo da compra de votos do governo. São, sim, acusações sérias e precisam ser apuradas, provadas, comprovadas, para que os responsáveis tenham a devida punição. Mas o que não pode ocorrer é um órgão do Congresso Nacional, como uma tal Comissão de Ética, ter um presidente que se revolta e estrebucha contra o direito de defesa de quem está sendo julgado. Se até o Maluf tem um juizinho safado a condoer-se de sua prisão, porque José Dirceu, por mais que tenha errado, não pode ter o direito de usar todos os instrumentos da lei para se defender? Mesmo que ele, José Dirceu, não tivesse a história de vida que tem, um passado de luta contra a opressão, um passado de perseguido político que soube manter acesa a chama da liberdade e, com seus gestos, com sua vida, contribuiu para a democratização do País, mesmo que ele não tivesse essa história, o direito de usar os recursos da lei para se defender não podem esbarrar nos estrebuchos de um deputado que preside um órgão chamado Comissão de Ética! Vá ter ética assim na casa do capeta! Isso é condenação a priori, um absurdo que pode levar a que as resoluções de tal Conselho se tornem nulas. E aí, de quem será a pizza? É gente muito estúpida, mesmo! Porque confundem ódios políticos com senso de justiça. Imbecis!

Acho que, por enquanto, chega. Ainda haveria muitas mazelas a serem comentadas, muitas diatribes para serem distribuídas. Mas cansa-me a mente, cansa-me a mão a bater inutilmente nos teclados do computador. Não contribuirão para melhorar o homem as minhas palavras iradas, porque há milhares de anos homens como eu têm denunciado as mesmas mazelas inutilmente. As esperanças de que homem mude o seu comportamento imbecil residem em muito poucas ações que possam ser feitas para isso. E as poucas pessoas que podem fazer tais ações parecem acometidas do tédio fatal da inércia. E ainda que façam, suas ações acabam caindo no vazio da imensa futilidade e estupidez que é esse mar de fúteis e estúpidos que constituem a chamada classe média que, ao fim e ao cabo, domina o mundo em nome dos ricos e realmente poderosos, servindo-lhes de capacho para receber as ricas migalhas de seu banquete que nos consome a todos e consome o próprio mundo, numa autofagia suicida, totalmente louca e sem sentido.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:39 PM


{Quinta-feira, Outubro 20, 2005}


DECEPÇÃO


Uma questão simples e lógica: proibir a fabricação e o comércio de armas de fogo no País.

Uma questão que nossos ilustres representantes no Congresso Nacional poderiam ter resolvido. Para isso, ganham o que ganham. Para nos representar.

Mas, não: iludidos pelo lobby dos que acham que ter arma de fogo é um direito, o direito de matar ou, pior ainda, ter arma e fogo significa segurança e outras falácias, acabaram aprovando um referendo. Ou seja, transferiram para o povo a responsabilidade de resolver um problema que a lógica do desarmamento civil mandaria que se restringissem o máximo possível a posse, o porte e o uso de armas de fogo, numa sociedade que mata por qualquer motivo, como a que vivemos hoje.

E o povo, mais uma vez iludido por argumentos absurdos, mais uma vez enganado pelos que detêm o poder, inclusive o de poder comprar o seu revólver dito de defesa, vai votar a favor das armas, contra a proibição. Isso, se crermos nas últimas pesquisas.

O que dizer? O que fazer? Nada. Absolutamente nada. É jogar a toalha e lamentar. Lamentar a estupidez humana. Lamentar a extrema estupidez humana. E só.

Não vou mais gastar meu latim com isso. Que fique, como minha última palavra sobre o tema, esta: DECEPÇÃO!

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 4:30 PM


{Quarta-feira, Outubro 19, 2005}


TUCANIZAR É PRECISO


Há, em curso, um processo de demonização do PT. Consciente por parte de uma parte da chamada elite política paulistana, tucana até a raiz dos cabelos, eleitores fervorosos de Alckmin e Serra, não necessariamente nessa ordem e inconsciente por parte das classes médias paulistas e paulistanas, gente que acha que pobre tem que ficar restrito a guetos distantes de seus sobradinhos decorados com móveis de shopping e protegidos com amplas grades de ferro. Para essa gente, o PT simboliza tudo o que eles não querem: o resgate da pobreza absoluta, política social, pleno emprego e independência internacional. Há o temor de que Lula se reeleja e que eles percam seu status social, seu poder de barganha e o domínio dos meios de produção. São os anti-marxistas utópicos dos anos sessenta, ainda cheios de medo dos comunistas comedores de criancinhas. Não admitem que um metalúrgico barbudo possa comandar os destinos do País e, pior, reorientar esses destinos para o combate às desigualdades sociais enraizadas há quinhentos anos no imaginário doentio dessa gente. Temem a perda. Só não sabem exatamente o quê eles vão perder. Acham que o comunismo ateu obrigará a que dividam com os malditos pobres e miseráveis as economias de toda uma vida, herança para os filhos que queimam o patrimônio duramente conquistado nas raves regadas a drogas sintéticas, por falta de valores humanos que lhes dêem sentido à vida. Essa gente, sim, essa gente que pensa que não há pecado em pagar salários humilhantes a seus empregados, porque os tratam com humanidade, permitindo que seus miseráveis desfrutem de vez em quando dos restos de suas mesas fartas, com campanhas de agasalhos para os pobres no inverno e com doações de alimentos aos que perdem suas casas nas enchentes e deslizamentos de verão. Essa gente, sim, essa gente tão amável, quando em situação social, tão agradável no trato diário, tão perfumada e educada em todas as situações, essa gente que preenche as melhores vagas nos melhores empregos das mídias, dos escritórios, dos bancos, dos hospitais. Essa gente que mora em Vila Madalena ou em Pinheiros, ou até mesmo em enclaves rigorosamente planejados por grandes construtoras em bairros mais populares, mas devidamente isolados do povo por cercas eletrificadas de arame farpado e câmeras de vigilância. Essa gente que comanda, como um bando de formiguinhas obedientes, o que se publica nos noticiários da televisão, dos jornais e das revistas semanais. Essa gente que tem, pois, o real domínio das mídias, por que tem poder de opinião. Parecem gente boa, e o são realmente, quando não está em jogo o que eles pensam que pode pisar em seus calos tratados em salões dos Jardins. Essa gente, encastelada em redutos estratégicos da sociedade, manipulando fios invisíveis mas extremamente poderosos, decretou que Lula e seu governo são perigosos a seus interesses. Então, chega de brincadeira! Se permitiram que ele chegasse lá, é porque tinham a certeza absoluta de que um ano, um ano e meio bastariam para que seu governo desse com os burros nágua, e tudo voltasse ao que era antes. Mas, não. Parece que Lula não meteu os pés pelas mãos em aventuras econômicas catastróficas, mas jogou o jogo do poder, o jogo da estabilidade para o crescimento. E isso é perigoso. Pode desencadear forças terríveis aos interesses dessa gente. Então, Lula é o demônio que não pode prosseguir seu projeto de poder ou de governo, porque Lula pode, sim, vir a reformar o País. E o que essa gente mais teme é a palavra reforma. Ou já se esqueceram de que foi justamente essa a palavra de ordem contra João Goulart? Essa gente não queria reforma de base, lembram-se? Há apenas uma pequena diferença: nos idos de sessenta, se o País caminhava para a urbanização, o dinheiro ainda estava nas mãos dos grandes fazendeiros, os grandes latifundiários. E foram eles que financiaram o golpe. Com apoio explícito dos Estados Unidos. Agora, as forças conservadores são todas engravatadas: freqüentam os melhores restaurantes e falam inglês com seus agentes em Nova Iorque. E se dizem reformadores! Ou seja: pregam as reformas que nada mudam. Defendem as reformas que solidifiquem o status quo. Odeiam qualquer possibilidade de que a política ou a situação financeira do País não se alinhem com as forças do mercado global, palco de suas falcatruas ou de seus negócios mais lucrativos. Essa gente precisa de governantes que saibam falar inglês e tenham a arrogância do atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes. Gente que deseja transformar o Brasil numa espécie de México um pouco mais sofisticado, mais próximo das idéias gestadas em escolas de economia como a FGV, gente que freqüente com mais desenvoltura os escritórios carpetados das grandes capitais do capital sem dono e sem pátria. Por isso, é preciso demonizar Lula. E o processo já começou há muito tempo. No início, de forma sutil. Agora, de forma aterradora e massacrante. Com requintes de preconceito explícito. Vejam e observem quem ainda possa ter olhos de ver e observar, olhos que consigam ver e observar um pouco além da crise política.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 4:56 PM


{Sexta-feira, Outubro 14, 2005}


A CULTURA DAS ARMAS

Lembro. Criança, brincava muito de bang-bang. Imitávamos os filmes de faroeste, os gibis. A cavalaria que matava índios como piolhos. Modelão, os Estados Unidos. Com sua cultura das armas. Cada lar, garantido pela constituição, pode ter ou tem uma arma. De vez em quando, um menino, aí de seus dez ou doze anos fica maluco e sai matando coleguinhas, professores e quem mais aparecer à sua frente. Nada de mais. A vida, depois da matança, continua. Como continuou no Vietnã e como continua no Iraque. Coisa de americano. De vez em quando, eles são assim: ficam malucos e saem pelo mundo dando uns tirinhos, destruindo umas nações. Nada de mais. A vida, depois da invasão, continua. Modelares, os americanos. Dignos de imitar. Mesmo que, de vez em quando... bem, deixa pra lá.


Recebo um e-mail de meu amigo Alvinho:

Há 25 anos assisto angustiado à lenta decomposição de uma das pessoas que
mais amo, meu tio Nido, vítima de uma bala perdida. Era um jovem lindo de 19 anos, patriarca da família desde seus 16, sustentava pai, mãe, cinco irmãs, um irmão e dois sobrinhos com salário de garoto de entregas, adorava futebol e black music, tinha uma noiva com quem ia se casar brevemente, estava estudando e tinha um sonho: tornar-se dj. Hoje usa sonda, bolsa de colostomia, é eunuco, as pernas são escamas o tempo todo enfaixadas, tem inúmeras doenças e é obrigado a limpar diariamente os próprios intestinos com álccol e trapinhos.

Não preciso dizer mais nada, não é, caríssimo colega?


Pois é, Alvinho, não seria preciso dizer mais nada, se não visse ou ouvisse o que tenho visto e ouvido de gente de que gosto e que gosta das armas. Gente pacata, que não mataria uma mosca, defendendo as armas, fazendo o jogo da indústria armamentista, que é a que mais fatura no mundo!

Não precisaria dizer mais nada, mas eu digo: vamos perder essa oportunidade, gente? Não haverá outra. Se começarmos agora, a banir as malditas armas de nosso convívio, talvez os nossos filhos ou netos ou sei lá quem de nossos descendentes não tenham que escrever, nunca, mas nunca mesmo, um e-mail como o que me escreveu o meu amigo Alvinho...

Vamos perder essa oportunidade? Vamos? Só porque há um surto de violência na sociedade? Por que estamos passando por um momento, no mínimo, estranho, em termos de violência? Queremos imitar os little friends do norte e nos tornarmos também uma sociedade doente, armada, medrosa, desconfiada, com jovenzinhos a pegar a arma do pai para atirar nos coleguinhas de escola e nos professores? E isso o que queremos?

É. Talvez seja isso mesmo o que queremos... Paciência!


iesidney@uol.com.br
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:14 PM


{Quinta-feira, Outubro 13, 2005}


ARMAS: A QUEM INTERESSAM?

Não há e nunca houve lógica em que um cidadão ande armado. Ou possua armas em casa, para, pretensamente se defender. Não vou citar as estatísticas que demonstram a quase impossibilidade de uma pessoa comum conseguir se defender diante de um bandido armado. Não vou citar o fato de que a tal campanha pelo desarmamento não é bem isso, pois o que se pretende, mesmo, é a proibição de fabricar e comercializar armas e munições. Também não vou me referir ao fato de que certas pessoas vêem teorias conspiratórias de esquerda e de direita no referendo. Afinal, cada um tem direito à sua conspiraçãozinha, para não pirar de vez. Enfim, não tenho por objetivo discutir os argumentos até aqui apresentados pelo aprovação ou não da tal proibição. Tampouco o fato de que a pergunta é mal feita ou outras discussões comezinhas.

Bato apenas em uma única tecla: se queremos um mundo melhor, temos que abolir todas as armas. Dirão: e as armas de guerra? A bomba atômica? Também, também direi eu. Todas as armas. Um mundo sem armas, essa tem que ser a luta de todo ser humano que se declare contra a morte, o assassínio, o achaque ao semelhante. E uma luta começa com pequenas atitudes. Proibir a fabricação e a comercialização de armas e munições em todo o território nacional é um passo e tanto para isso, independente de quaisquer outras razões, sejam elas de cunho político, ideológico ou prático. Haverá problemas? Claro, mas é melhor tentar resolver os problemas que aparecerão com a proscrição das armas do que os problemas relacionados a uma população armada até os dentes.

Isso se chama pacifismo. E é por ele que eu luto. Sem quaisquer outras razões, sem quaisquer outros argumentos. Um mundo sem armas, apenas isso. Acima de todas as choradeiras e desculpas de quem pretende ter uma arma em casa, há uma lógica muito maior, muito mais profunda: é preciso desarmar os homens. Sem isso, nunca teremos paz. E ponto final.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 4:22 PM


{Terça-feira, Outubro 11, 2005}


O QUE EU PENSO... SOBRE O INSTINTO HUMANO DE MATAR


Se não houver mais nenhuma arma no mundo, os homens se matarão com as próprias mãos. Pode esse aforismo até ser verdadeiro: o instinto assassino do homem sobreviverá à destruição das armas e à conquista definitiva da paz pelo homem. No entanto, ao matar com as próprias mãos, o assassino deverá demonstrar o total desprezo pela vida, na forma do mais abjeto ato de coragem: a coragem de admitir para si mesmo a sua covardia extrema. Pois somente um homem que despreze a sua própria existência admitirá eliminar a existência de outro homem. E isso, o desprezo da vida, é um ato de coragem, enquanto tirar a vida de outro é um ato de covardia extrema. Superar esse instinto animal, o instinto de aniquilação como redenção, como pregam as religiões deístas, deverá consumir milhares de anos de evolução da raça humana. Mas será um acontecimento fundamental para que a vida adquira o valor supremo a substituir o perverso culto à morte que tem acompanhado a história humana, com suas batalhas torpes, seus assassinatos cruéis e seus suicídios covardes.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:31 PM


{Segunda-feira, Outubro 10, 2005}


OBSERVAÇÕES OFÍDICAS DE UMA SEGUNDA-FEIRA SEM GRAÇA


A multidão que se aglomera em Belém, PA, para acompanhar a procissão da santa, embolando-se e pisoteando-se ao puxar uma corda ridícula, é a mesma que mostra a bunda para o mundo, a saldar a pedra do templo de Meca. Cristãos e muçulmanos têm muito mais em comum, do que rosnam seus profetas uns para os outros.

Patético, o Maluf, a sair da cadeia para o hospital, queixando-se de dores. Quando se hospedava no Plazza Atené, em Paris, a mil dólares a diária com café da manhã, às custas de túneis e avenidas superfaturadas, com certeza não tinha nenhum desses achaques. Não é para se ficar com peninha?

Quando é que se vai criar vergonha e investigar as falcatruas do governo FHC? A começar pela compra da reeleição que só não está engasgada na garganta da imprensa marrom que deseja ter a tucanada de volta ao poder. E as privatizações? E onde foi parar o dinheiro das privatizações? Golpe sujo tem limite e golpe político branco nem limite tem: se tentarem, levam pau.

E a classe média continua cagona e burra: acha que ter arma em casa pode defendê-la contra os bandidos. Ora, sempre votaram em bandidos! Estão com medo de quê? Chame o ladrão, chame o ladrão!

Quando o jornal O Estado de São Paulo, vulgo Estadão, não tem o que falar, mal, do Lula, diz que ele aumentou impostos. Embora, tenha desonerado vários setores produtivos. Ou seja, para não ficar muito chato, bota a notícia ruim na manchete e termina com uma linha, uma única linha, para desmentir a besteira que escreveram. E é assim que grandes mentiras se tornam verdades absolutas.

O teto de uma churrascaria do Morumbi ruiu e feriu alguns clientes. O Serra foi lá ver e exigir providências. No mesmo horário, o córrego Aricanduva, na Zona Leste, tinha inundado o bairro inteiro, por causa da mesma chuva que derrubou o teto da churrascaria do bairro elegante. Mas o Serra não foi lá para ver, não... Afinal, Zona Leste é longe pra cacete, não é mesmo? E as câmeras de televisão não chegam lá tão rápido...


isasidney@uol.com.br
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:57 PM


{Sábado, Outubro 08, 2005}


OS BÁRBAROS



os bárbaros que temem bárbaros
em seus castelos escondidos
atrás de paliçadas trancados
colecionam armas
que dos bárbaros os defendam
milhares, milhares de armas
nos armários, sob as camas
nos fornos das cozinhas
atrás dos livros nas estantes
armas e armas e armas
mortíferas, potentes
armas de bárbaros de dentro
contra as armas de todos
os outros bárbaros de fora

até que um dia, já cansados
de tanto tempo esperar
para o castelo conquistar
cansaram-se os bárbaros de fora
e para longe se mudaram
mas antes de enfim partir
num grande monte ajuntaram
bem na frente do castelo
as armas com que combatiam
e sem olhar para trás
deixaram-nas lá, as suas armas
armas tão potentes, tão mortíferas

pulam as paliçadas os bárbaros encastelados
e festejam a vitória há tanto almejada
não há mais bárbaros com quem lutar
só há bárbaros loucos a dançar

erguem fogueiras
assam batatas
tomam vinho
provocam as mulheres
tiram-nas à força
para com eles dançar

a festa se impõe
o instinto aflora
mulheres reclamam
e os bêbados maridos
e os bêbados pais
e os bêbados irmãos
não querem suas mulheres
não querem suas filhas
não querem suas irmãs
a dançar a dança
dos outros bárbaros tão bêbados

os bárbaros que dançavam
já não dançam
os bárbaros que cantavam
já não cantam
os bárbaros que bebiam
já não bebem

há no ar um cheiro de sangue
há no ar um cheiro de briga
há no ar um cheiro de vingança

e há perto das fogueiras
milhares de armas
de armas tão belas

e os bárbaros que cantavam, dançavam e bebiam
partem para cima dos bárbaros
que também bebiam, dançavam e cantavam:
ao primeiro soco a mão rebateu
à primeira cuspida com cusparada se defendeu
ao segundo murro um tiro respondeu
e então correram todos
às armas
e então buscaram todos
as armas
e então pegaram todos
nas armas
as belas armas abandonadas pelos bárbaros invasores
e a noite de festa em outra festa se transformou
bêbados, loucos, raivosos, com gosto de sangue na boca
irmão matou irmão e filho ao pai não perdoou
mulher no marido atirou e marido à sogra assassinou
calou-se a voz do que antes cantava
parou a dança do que antes dançava
e o vinho que antes alegrava
tinha de sangue o acre sabor

lá de cima do morro
de tocaia na noite
a tudo assistiam
os bárbaros espertos
que as armas deixaram
e de tocaia ficaram
no morro a esperar

o sangue correu
a batalha arrefeceu
e os bárbaros choravam
as baixas da luta

os bárbaros do morro
em hordas de bárbaros
com gritos de júbilo
desceram à campina
as gargantas cortaram
dos poucos que restaram
as paliçadas pularam
e o castelo conquistaram


agora estão lá, atrás das paliçadas
bárbaros que castelos não tinham
agora, bárbaros encastelados
bárbaros que bárbaros não temiam
entulham de armas o castelo
espiam com susto a campina
arrepiam-se a cada aragem
trancam-se com todos os cadeados
mais, cada dia mais desesperados.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:47 PM


{Sexta-feira, Outubro 07, 2005}


HOJE É SÓ ISSO, E NADA MAIS:


De Carlos Drummond de Andrade:


O poeta municipal

discute com o poeta estadual

qual deles é capaz de bater o poeta federal.

Enquanto isso o poeta federal

tira ouro do nariz.




isasidney@uol.com.br
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:45 PM


{Quinta-feira, Outubro 06, 2005}


QUANTO VALE A VIDA HUMANA?


Penso que, se todas as armas fossem destruídas, o homem, mesmo assim, usaria as próprias mãos para matar. Há, no instinto humano, muito do animal que um dia fomos. O predador maior, o ser humano, cobriu com um tênue verniz a barbárie que o torna um dos únicos espécies do reino animal que mata por outros motivos que não a fome, a necessidade de alimentar-se. Superar essa condição de barbárie, só daqui a muitos milhares de anos de evolução, durante os quais se pode pensar em extirpar da mente do homem o culto à morte, instituído pelas idéias deístas que o oprimem há outros milhares de anos.

Assim, a carne humana tem um custo muito acessível. Mata-se por qualquer motivo ou por motivo nenhum. Nas guerras, nas lutas étnicas, nas lutas por melhores condições de vida, nas praças, nas ruas, nos lares. Mata-se. E paga-se muito pouco, pelo ato de matar. Um imbecil pode assassinar o outro dentro do supermercado, apenas porque esse outro não o reconheceu como autoridade, como juiz de direito (que direito?), na frente das câmeras de televisão e pegar cadeia por apenas 15 anos. Pois é: quinze anos. Com as leis penais em vigor, por bom comportamento e outras artimanhas jurídicas, em cinco ou seis anos, o tal juiz estará na rua.

Poderia citar dezenas de outros casos recentes, mas isso levaria muito tempo e acredito que todos têm na lembrança o seu próprio exemplo. Somos muito coniventes com os assassinos. Somos incrivelmente bondosos com aqueles que matam. Por isso, defendemos o uso das armas por todos: afinal, quanto vale uma vida humana? Pouco, muito pouco, nessa sociedade governada pela lei do mais forte, o exemplo mais acabado da barbárie humana.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:43 PM


{Segunda-feira, Outubro 03, 2005}


GOTAS DE VENENO

RACIONALIDADE

Mais de setenta por cento da população a favor do SIM! Mas a luta contra a venda de armas e munições não pode afrouxar. Fico estarrecido com amigos meus, pessoas inteligentes, votaram contra. Acham que as armas as defendem contra a bandidagem ou querem outras medidas, mais severas. Parece que a população que vota SIM também acha que essa não é a única nem a mais importante medida contra a violência: é só mais um passo para um mundo menos bárbaro! Outras medidas devem ser implantadas, se a sociedade reclamar, pressionar, exigir!

ESTUPIDEZ

O mundo está ficando perigoso: com o aquecimento das águas dos oceanos, provocado pela emissão de gases, haverá cada vez mais furacões, chuvas torrenciais, vendavais, inundações e outras tragédias. Enquanto isso, os Estados Unidos (leia-se: Bush, o pentelho) continuam com sua política de não assinar o tratado de Kyoto, apesar da destruição de Nova Orleans e de outras cidades estadunidenses.

AINDA HÁ ESPERANÇA

Maluf continua na cadeia.

VEADOS, NÃO

O tio Bento XVI (na verdade, parece uma tia velha), o nazista inquisidor que escolheram para papa, quer acabar com os veados nos seminários. Será que vai ressuscitar a famosa cadeira papal que tinha um buraco no assento, para examinar se os papas eleitos eram mesmo homens? Ou seja, vem aí, um exame anal para os anais do Vaticano?

MULHERES, MULHERES

É muito bom ver que, cada vez mais, as mulheres ocupam espaços importantes no mundo. O problema é que o pior delas está ascendendo a postos importantes ou podem vir a fazê-lo: na Alemanha, a Merkel e, nos Estados Unidos, a Condoleeza. Como se não bastasse já termos agüentado a Thatcher na Inglaterra. Mulheres, sim! Mas não essas que andam por aí com pinta de macho da mais extremada direita!

TUCANO ROSNA?

O Serra e o Alkimin, que se juraram tanto amor eterno durante a campanha, agora vivem rosnando um para o outro. Claro: querem ambos ser candidatos à Presidência pelo tucanato. É briga de tucano grande, onde só perde o povo idiota que escolheu um prefeito que governaria afinado com o governador. Isso é ou não estelionato eleitoral? E os paulistanos vão pagar o mico de ter o Kassab, amigo do Pita, na prefeitura. Exatamente como eu falei há muito tempo. Eta povinho besta!

O PREFEITO DE FATO

Em São Paulo, Serra é a rainha da Inglaterra: reina, não governa. Quem faz e desfaz, mesmo, na Prefeitura é o Matarazzo, de nome Andrea (!). Cuja política social consiste em erguer barreiras em viadutos contra os mendigos. Tudo bem: não se pode mesmo deixar que a população de rua viva sob os viadutos. Mas tem de apresentar solução, não apenas erguer rampas de impedimento. Só não sei o porquê do espanto: afinal, de que elitezinha mesmo veio o senhor Andrea???

ENQUANTO ISSO, EM BRASÍLIA

As CPIs esquentam o forno, para mais uma rodada de pizza. Graças à estupidez de quererem investigar até a origem da folha de parreira de Adão e Eva, quando expulsos do paraíso; graças às gracinhas de netos e solistas e idiotas que só querem aparecer na televisão; graças, enfim, à incompetência de políticos corruptos querendo punir corruptos. Enquanto isso, o Buani vai ser, sim, candidato a deputado e, com certeza, os imbecis todos de Brasília vão torná-lo o mais votado, é claro.


UM ADENDO: O DIREITO AO FODA-SE

O título do meu desabafo, tirei de uma crônica cujo autor não aparecia em meus apontamentos. Resolvi fazer uma pesquisa no lixão da Internet. Está, a crônica, reproduzida em inúmeros blogs e sites. Ora como autor desconhecido, ora tendo por autor o Millor Fernandes, ora o Luiz Fernando Veríssimo. Até um tal de Evandro Agostinho se atribui a autoria. Bem, de qualquer modo, seja de quem for, é ótima. Caiu na rede, todos se locupletam. E o resto que se foda.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:22 PM


{Domingo, Outubro 02, 2005}


REFERENDO: O QUE SE DEVE SABER PARA SE VACINAR CONTRA O LOBBY DAS ARMAS

NÃO MATARÁS. (Êxodo, 20,13).

DISSE POIS O SENHOR A MOISÉS: CERTAMENTE MORRERÁ O TAL HOMEM; TODA A CONGREGAÇÃO COM PEDRAS O APEDREJARÁ PARA FORA DO ARRAIAL. ENTÃO TODA A CONGREGAÇÃO O TIROU PARA FORA DO ARRAIAL, E COM PEDRAS O APEDREJARAM, E MORREU, COMO SENHOR ORDENARA A MOISÉS. (Números, 15,35-36)



A primeira citação todos conhecem. Deus ordenou ao homem: não matarás. No entanto, o mesmo deus dos judeus, que fora tão contundente em sua lei, manda Moisés matar o tal homem. E esse mesmo deus ordena várias vezes a morte de inimigos ou pecadores durante a trajetória do povo judeu para encontrar sua terra e sua identidade. Jeová não tem misericórdia dos inimigos dos judeus e não tem dó de quem não cumpre o que ele quer: mata (como, entre outros vários episódios, o de Sodoma e Gomorra) ou manda matar (como no exemplo acima).

Se Jeová, que é deus, não cumpriu a sua própria determinação, eu pergunto: algum meliante deixará de assassinar porque a lei o proíbe? O ladrão deixa de roubar, porque é contra a lei? Deixa-se de estacionar sobre a calçada porque é proibido? E assim por diante: há milhares de proibições, estabelecidas por lei, e há milhões de desobediências. Sempre foi assim, e o exemplo, agora de forma bem cínica, vem de deus.

Portanto, o fato de ser proibido o comércio de armas de fogo não vai impedir que pessoas com más intenções deixem de adquirir uma arma de fogo, seja no mercado negro, seja por suborno, seja por contrabando. A lei contra o comércio de armas não tem por objetivo, tampouco, diminuir a criminalidade, porque bandido não obedece à lei. Contra a bandidagem, o crime organizado, existem organismos estruturados para combatê-los. Se não funcionam, ou funcionam mal, cabe à sociedade exigir das autoridades o cumprimento de seus objetivos, pois, para isso pagamos impostos. E esses organismos, exército, polícia, corpo de bombeiros etc, existem para nos proteger. Por que, por exemplo, os bombeiros são tão elogiados por cumprirem, e bem, o seu dever e a polícia, não? Exijamos que a polícia também funcione. Há contrabando? Que se vigiem melhor as fronteiras, os portos e aeroportos! Há comércio ilegal? Que se prendam os receptadores, os maus comerciantes! Enfim, o crime organizado não está nem aí para a proibição do comércio de armas e munições. Isso não afeta os bandidos.

Então, para que proibir o comércio de armas e munições em todo o território nacional? O que se ganha com isso?

Primeiro, o que não se ganha: a proibição não vai afetar a bandidagem, isso já ficou claro. Também não vai fazer diminuir o índice de latrocínios, por exemplo, nem o de assaltos. Em termos estatísticos, não é esse o seu objetivo. Porque senão cairíamos naquela anedota tola do marido que pegou a mulher transando com outro no sofá e... vendeu o sofá.

Agora o que realmente importa. Em primeiro lugar, é uma obrigação de todos lutar por um mundo mais seguro, menos violento. É também tolo o exemplo do beija-flor a levar no bico uma gota dágua para combater o incêndio na floresta, mas é um bom exemplo. Se cada um fizer a sua parte, um dia, talvez, as coisas melhorem. Parece meio bobo dizer que uma longa caminhada começa com o primeiro passo, mas é isso mesmo o que acontece. Se queremos um mundo melhor, tem de ser um mundo sem armas. E não adianta ficarmos dizendo que os Estados Unidos deviam destruir o seu arsenal atômico ou restringir o uso de armas por seus cidadãos. Não nos interessam, nesse momento, os Estados Unidos. Nem os outros países onde há guerras e matanças diárias. Porque, em segundo lugar, não estamos querendo mudar o mundo, mesmo que esse seja o pequeno passo de uma longa caminhada. Estamos pensando em nossa sociedade, em nossos filhos, pais,irmãos, amigos que morrem por motivos fúteis, porque um idiota qualquer achou que era uma boa ter uma arma de fogo e leva-a a passear no porta-luva de seu carro e, por uma batida mais idiota ainda, resolve atirar. Estamos pensando naquela briga de bar, na favela ou no condomínio fechado, quando os contendores já tomaram uma cerveja a mais, pessoas de bem, que nunca matariam uma mosca, mas naquele momento um dos dois imbecis está armado. Estamos lembrando o garoto que um dia viu a arma na mão do pai e resolveu mostrá-la ao coleguinha de classe, por curiosidade e gabolice típicas da idade, e a maldita arma estava carregada.

Enfim, o objetivo da lei que proíbe o comércio de armas de fogo e munições no território nacional é começar a construir uma sociedade que não ande armada por aí, inutilmente, provocando acidentes estúpidos que não têm volta, porque envolvem a morte de inocentes e a condenação de pessoas que, se não tivessem uma arma na mão, jamais cometeriam assassinato para o desespero das famílias tanto de vítimas quanto de autores dos crimes fúteis. Porque, se é para andar armado, então façamos aprovar uma lei que determine que todo cidadão tenha a sua arma, doada pelo governo, e o direito de sair por aí dando seus tirinhos a torto e a direito. Acho que com isso nem Jeová, o deus que mata e manda matar seus inimigos, concordaria. E também são absolutamente falaciosos e estúpidos os argumentos daquela revistinha semanal safada que resolveu defender o lobby armamentista.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 5:22 PM


{Sábado, Outubro 01, 2005}



REFERENDO SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DE ARMAS DE FOGO NO BRASIL: CHUMBO GROSSO, SIM, JÁ SABÍAMOS; MAS, SACANAGEM DE UMA CERTA IMPRENSA... ISSO JÁ É DEMAIS


Eu não disse que vinha chumbo grosso, na questão da comercialização de armas de fogo no Brasil? Só não esperava que uma revista como a famigerada VEJA, um dos órgãos de imprensa mais sacana desse país, entrasse também na briga de uma forma tão absurda.

Em forma de reportagem, o pasquim marrom da imprensa brasileira levanta os argumentos mais absurdos e falaciosos para defender o lobby armamentista. Só falta chamar os autores do referendo de imbecis que querem iludir os cidadãos brasileiros.

Pega pesado, a tal revistinha vagabunda, que tem sido um dos piores exemplos de imprensa suja do mundo.

Não dá nem para polemizar com tal nível de reportagem. Só prestam um desserviço ao Brasil, tais publicações, tal a sua cara de pau. Que filhos da puta!

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 11:32 AM

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