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Sábado, Agosto 27, 2005
VINGANÇA É PRATO QUE SE COME FRIO.
E ANGU DE CAROÇO, TAMBÉM.
Fato: o PT atormentou o governo FHC, durante oito anos. Uma ala mais radical entoava, constantemente, o fora FHC por tudo e por nada. Mil CPIs foram pedidas, exigidas, sem nenhum sucesso. A base aliada do governo, PSDB e PFL, principalmente, brecou toda e qualquer tentativa de investigar os desacertos do queridinho das elites, o mestre da sociologia brasileira. Compra de votos para reeleição? Absurdo! Maracutaia na venda do patrimônio público para pagar dívida externa? Delírio! Enfim, tudo ficou por isso mesmo, graças à bem articulada maioria. E FHC ficou oito anos no poder, dos quais governou dois, os dois primeiros anos. O restante do primeiro mandato, consumiu-o com a reeleição. Os quatro do segundo, bem, tentou, mas não conseguiu, consertar as burradas do primeiro mandato. Acomodou-se e acabou saindo bem na foto. Não fedeu, não cheirou. Só escondeu debaixo do tapete dos palácios a sujeira que não foi investigada.
Opinião: ficou no gogó dos tucanos e liberais, entalada, a oposição do PT. Um dia, a gente se vinga. E o dia chegou, na invenção de um cidadão acima de qualquer suspeita: o deputado Roberto Jéferson. Pego com a boca na botija nos Correios, inventou um tal de mensalão. Era a senha para a vingança. E vamos que vamos. Investiga isso, investiga aquilo, quebra sigilo daqui, quebra sigilo dali, convoca fulano e beltrano e convoca o doleiro condenado a vinte e cinco anos, e invoca o espírito do amigo que já morreu, enfim, armam-se várias CPI, todas investigando os mesmos fatos ao mesmo tempo, com pilhas de documentos chegando de todos os lados, com revistas semanais tirando o sarro de sempre, com mil reportagens que não reportam coisa alguma, e as excelências, senadores e deputados, disputando quem faz a mesma pergunta mais vezes, ou a pergunta mais cretina, ou dá o maior show de grosseria com os depoentes, e até uma juíza perguntando a um depoente se ele conhecia a realidade de uma cadeia, e as bobagens todas transmitidas pela televisão, um palco de sandices e invencionices em cadeia nacional, com deputados-netos dando entrevistas histéricas e os tucanos, ah, os tucanos, com sua língua imensa e retrátil, posando de vestais, putas velhas recauchutadas pela maquiagem dos telejornais ao vivo, risíveis todos, mas todos muito sérios e denúncias, dezenas, centenas, milhares, todo mundo tentando tirar sua casquinha e o mar, não de lama, mas de denúncias vai pouco a pouco afogando gansos, patos, galos e galinhas no cipoal de investigações que, afinal, não vão levar a nada porque tudo se fala e nada se prova.
Enfim, se há caroço no angu, diz a sabedoria popular, que é melhor esfriá-lo antes de meter a mão. Porque angu quente queima. As CPIs não vão dar em nada. E sabe por quê? Porque as denúncias todas não passam de um grande angu de caroço que as oposições não tiveram a paciência de esperar esfriar. Querem tudo ao mesmo tempo agora. O que vai acontecer? Vão dar atestado de honestidade a quem merece e a quem não merece. Porque, afinal, o angu nem era tão grande e nem havia caroço para tanto tucano e pefelista se banquetear. Ficarão, é claro, com o mico, um grande mico, na mão, porque foram muito afoitos, os cretinos, porque não atentaram para a velha máxima que diz que vingança é um prato que se come frio. Não tiveram competência no governo, não tiveram competência na oposição. Por isso, não acredito que a crise vá acabar em pizza. Vai acabar num grande angu, frio, duro, insosso, que, nós, brasileiros, vamos pagar e engolir. Como engolimos e pagamos os desmandos do governo tucano.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:40 PM
Quinta-feira, Agosto 18, 2005
O QUE EU PENSO... SOBRE A REPÚBLICA E SOBRE POLÍTICOS
A palavra república tem o significado que todos conhecem: coisa pública. O conceito de governo democrático passa, necessariamente, pela república. Ignoro e desprezo solenemente qualquer outro sistema que tenha por governo, de mentirinha ou não, algo parecido com reis, rainhas, príncipes etc. Ou governos que tenham por origem o dedo de deus, as teocracias. Nem monarquias nem teocracias, por mais que se disfarçam, podem ser consideradas representantes democráticos de governos republicanos. E governo republicano implica representação popular. Ou seja: participação direta do povo na escolha de seus representantes. Como os países são, em geral, populosos, a saída foi constituírem-se partidos políticos que teriam, teoricamente, o papel de escolher os representantes populares, através de listas de candidatos alinhados a princípios filosóficos e ideológicos do partido. Aí, no entanto, começou a encrenca. Os partidos políticos não representam o povo. Representam, no máximo, a si mesmos, ao se constituírem em ninhos de membros das elites que têm uma só preocupação: eleger-se e perpetuar-se no poder. Os tais princípios filosóficos e ideológicos foram para o brejo, submersos pela visão utilitarista do voto, do poder a qualquer custo. Tornaram-se organismos viciados e viciosos, de troca de favores, de balcão de barganha para negócios escusos com o único objetivo de conquistar o poder. Perderam o trem da história. Não servem para mais nada, no atual estágio de democracia republicana que tem por objetivo não o poder pelo poder, mas os interesses populares. Há muito, não representam mais esses interesses, perdidos em picuinhas e lutas internas e externas para ganharem cada vez um naco do dinheiro público. Por isso, devem passar por uma reestruturação total e absoluta, para não serem expurgados definitivamente da vida republicana, o que seria um mal maior. Não se pode jogar a água da bacia com a criança dentro. Não vejo outra saída para os partidos políticos a não ser a completa remodelação desse modelo estagnado e esgotado, com uma nova visão que acabe com os políticos sem eliminar a arte política. Os partidos podem e devem ganhar uma nova missão e, com ela, mais importância. Desde que se transformem em usinas de concepções ideológicas da sociedade, de teorias, de projetos e de planos de governo, geridos por uma estrutura extremamente enxuta, dirigidos por homens que não tenham outro ideal que não seja servir à sociedade e aos interesses da comunidade. Idealistas que fundam e participam do partido, orientam suas diretrizes, fiscalizam o cumprimento dessas diretrizes pelos eleitos sob sua legenda, mas que nunca, em tempo algum, poderão ser votados ou escolhidos para qualquer cargo público. Partidos que possam, portanto, deter o poder de eleger, de definir rumos para uma sociedade, em consonância com essa sociedade, mas que não podem governar. A arte do governo deverá estar com os legítimos representantes do povo, escolhidos ou indicados por diversas manifestações desse povo, acolhidos pelos partidos políticos com os consentimento desse povo, porque aquele partido detém, na visão do povo, a melhor proposta em determinado momento para a solução de seus problemas. Caberá ao partido viabilizar a candidatura, dar suporte teórico e ideológico aos candidatos, discutir planos de governo e projetos, dar, enfim, todo a assistência necessária ao candidato para se eleger e, se eleito, propiciar-lhe a melhor forma de conduzir e aplicar os planos e projetos gestados e discutidos na campanha. Serão, portanto, os partidos políticos os avalistas diante do povo de que o eleito governará segundo seus princípios éticos e ideológicos, cumprindo o programa anteriormente acordado e apresentado à população. Com a eleição de um candidato de determinado partido, deve ser constituída também a maioria no poder legislativo, através de distribuição proporcional de cadeiras ao vencedor e aos demais partidos, como forma de garantir a governabilidade. O partido vencedor tem o direito de aplicar o seu programa e governar segundo os ditames e diretrizes escolhidos. Não pode um prefeito, um governador ou presidente serem compelidos a fazer alianças espúrias para garantir aprovação de projetos de governo, simplesmente porque a oposição tem maioria nas casas legislativas. Isso é uma das tantas distorções dos sistemas atualmente vigentes, por isso acho que a única saída é proibir alianças e coligações, dando ao eleito a maioria das assembléias legislativas. A oposição não pode impedir um governante de aplicar suas idéias, seus programas, seus projetos, se foram eles os escolhidos pela maioria do povo. A missão dos partidos opositores é fiscalizar, reclamar, apontar desvios, nunca impedir que o governante escolhido pelo povo imponha seu programa. Para isso, a fidelidade partidária será sempre fundamental. Além, é claro, de mecanismos de controle do poder pelo próprio povo, através de consultas diretas ou mesmo por meio dos partidos oposicionistas. Um sistema democrático e republicano implica o reconhecimento de que os derrotados não podem usar de chantagem ou de qualquer estratagema espúrio para desestabilizar um governo. Se houver denúncias de desvios, a apuração e o julgamento devem ocorrer de acordo com as leis vigentes, com acompanhamento pelo povo, de acordo com princípios democráticos. O tempo é sempre muito cruel com os governantes. Não se pode esperar que um governo colha os frutos de seu empenho em mandatos muito curtos. Também os mandatos muito longos deterioram as relações do governo com a sociedade, gerando crises. Acedito que seis anos são suficientes para que projetos sejam propostos, discutidos, aprovados, aplicados e avaliados em seus resultados. Com mecanismos sérios de fiscalização, não há dúvida de que se colherão frutos substanciosos para toda a sociedade, sem que haja necessidade de reeleger os governantes. Aliás, a reeleição deve ser sumariamente abolida, em nome da renovação, do não continuísmo de homens e sistemas viciados. Pode-se pensar, por exemplo, que um determinado líder possa eleger-se prefeito e candidatar-se ao governo do estado e, depois, à presidência, numa carreira ascendente, nunca descendente. Se já foi prefeito, não pode se candidatar mais a esse cargo. O mesmo valendo para os cargos legislativos. Também pode um governador, por exemplo, pleitear um cargo no legislativo e vice-versa, desde que não o tenha ocupado antes. Assim, não se desperdiçam todos os talentos revelados na política, mas também não se permite o continuísmo desgastante de políticos profissionais. Porque política não pode e não deve ser uma profissão. A ninguém será permitido declarar-se político de profissão, a não ser os poucos componentes dos núcleos partidários. A chamada classe política fica, assim, restrita e não deve se constituir numa casta intocável ao longo dos anos, como clãs que se perpetuam no poder e dele usufruem como se fosse o bem público seu negócio particular. Um rígido código de ética deve regular as relações de todos os que postulam cargos públicos e de todos os dirigentes partidários, de modo a se resguardarem sempre o bem maior, a república, e o interesse do povo. A democracia republicana é o sistema mais legítimo de governo. No entanto, precisa renovar seus mecanismos de atuação, para que não se desgaste com as distorções que esses mecanismos têm apresentado ao longo do tempo. Sua renovação e o aperfeiçoamento de participação popular tornam-se, mesmo, em muitos casos, uma necessidade vital para a consolidação definitiva de um sistema que, se possui vícios, são todos oriundos não de sua concepção como sistema, mas do desgaste de mecanismos operacionais.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:25 PM
Quarta-feira, Agosto 17, 2005
TINHA JURADO A MIM MESMO NÃO VOLTAR AO ASSUNTO, MAS...
O QUE EU PENSO... SOBRE LULA E SOBRE A REFORMA PARTIDÁRIA
Confesso: estou decepcionado. Como a maioria do povo brasileiro. Há, sim, muita sujeira sob o tapete de um partido que veio para mudar o país e escorregou na lama. Confesso mais uma coisa: tentei ficar alheio, não ler jornais, não ouvir rádio, não ver televisão, não baixar e-mails com notícias de CPI, opiniões etc. Tentei, mas é impossível. A crise bate na aorta e acelera nossos corações. Então, como o estupro é inevitável, tentemos, pelo menos, não sofrer tanto com ele. Porque gozar é impossível. Vai ser um longo, muito longo desabafo, mas o vômito tem de tirar para fora toda a sujeira que revolta nossos estômagos e mentes. Vamos lá.
O que acontece com este nosso País? Há uma síndrome no ar: a do gigante adormecido. Não acorda nunca, ou se o faz, é por pouco tempo. Rancores antigos, corrupção, conservadorismo, despolitização do povo, políticos espertos e muito, mas muito mesmo, messianismo. Sempre esperamos alguém que nos salve. Com isso, não nos salvamos nunca.
Vou falar do tempo que vivi, desde menino, na década de cinqüenta, quando me lembro das aulas interrompidas no grupo escolar, por causa da morte de Getúlio. Não sabia quem era Getúlio e continuo não sabendo. A História não o revela, apesar do mar de tinta que tentou entender o mar de lama de seu governo, o que só vim a saber muito tarde. Talvez tarde demais. Creio que foi o primeiro messias, ungido por pendores ditatoriais de um tempo de que não posso falar. Getúlio, naquela manhã de agosto de 1954, era apenas a possibilidade de um feriado, a troca dos duros bancos escolares pelos folguedos de rua. Só o que preocupou foram as lágrimas de minha mãe. Mas as lágrimas sempre secam. E o rádio anunciava a posse de um homem de nome de bebida, Café Filho. Passou, também. E Juscelino foi um cometa que iluminou o Planalto Central. De seu governo, só me lembro de Brasília e da campanha pela sua sucessão. Aí, sim, já começo a me meter nos assuntos de política. E um homenzinho bravo chegou, um dia, à pequena cidade mineira, fez discurso, eletrizou e tomou posse, depois de uma vitória espetacular, com um pronunciamento à noite, pelo rádio, que fez tremer as bases da república. Falou em corrupção, em roubalheira, em consertar o País. E proibiu o uso de biquínis em praias brasileiras. A vassoura que iria varrer a bandalheira era vassoura de bruxa. Erva daninha dos cacauais dos livros de Jorge Amado. Símbolo do mau governo e da tentativa de golpe. Também não entendi Jânio Quadros. Aliás, quase ninguém o decifrou. Morreu esbravejando, como sempre viveu. Mas nada revelou. Ou melhor, revelou, sim, um pouco de nós mesmos. Era o messias que, mais uma vez, não dera certo. E agora eu o comparo com JK: Juscelino subiu a duras penas, venceu sem convencer e é hoje considerado, com todas as ressalvas, um grande presidente, talvez o maior que já teve o Brasil. Juscelino não era um messias, era apenas um homem prático. Jânio, sim, era um radical da utopia, com seu olhar estatelado, com suas frases de efeito, com seu jeito de fera. Não deu certo. E, então, mergulhamos na busca de outro messias. Mas, há uma pausa, aí, uma longa pausa. Que começou com o herdeiro do primeiro messias. João Goulart não tinha o carisma de Getúlio, não tinha as intenções de Getúlio, não tinha o poder de Getúlio. Apenas pensou que podia mudar os rumos do País, com algumas reformas. Não podia, não tinha o direito de contrariar o conservadorismo que vinha dos grandes latifúndios, dos interesses corporativos de banqueiros, industriais e tantos outros vendilhões da riqueza nacional. Jango comia criancinhas e as mães que eram filhas de Maria não o suportavam, atiçadas pelas batinas negras do conservadorismo clerical. Além disso, Jango não era um messias: tinha apenas a pretensão. Defenestrado do poder pela onda verde, não se pode mais falar de Presidentes, a partir de abril de 1964. Os ditadores que se sucederam no Planalto Central devem ser vistos apenas como títeres de outros podres poderes. Deixemo-los em seus túmulos verdes, mesmo que ainda possam estar vivos, e busquemos, de novo, outro messias: Tancredo Neves. Como todo bom messias, imolou-se na antevéspera do poder. As promessas de um novo país regurgitaram nós em nossas gargantas e viraram trágicas comédias sob José Sarney, um homem prático, mas não o suficiente para perceber que não devia ir além dos passos de suas botas de falso sertanejo nordestino. O Brasil não se resolve sob os bigodes de Sarney, porque não eram os bigodes de Nietzsche e o filósofo não podia prever, nunca, o que seria o novo messias de plantão. Jovem, elegante, nordestino e carioca, caçador implacável de marajás, seu governo levantou o tapete do mar de lama de Getúlio e sucumbiu a experiências heterodoxas na economia que teimava em cozinhar no banho-maria da inflação as reservas de um povo exaurido em sua busca inútil. Collor de Melo: descanse em paz, bem longe dos cofres de Brasília. E venha a nós o reino de dois práticos: um topetudo que gostava de se apresentar com modelos sem calcinha e seu escudeiro ministro da economia. E Itamar viveu e sobreviveu às artes da equipe econômica de FHC, o seu sucessor guindado ao posto por artes e manhas de haver domado o dragão da inflação. E Fernando Henrique, moço culto, apadrinhado das elites, apesar de um passado de esquerda, pensou-se a si mesmo como messias. Não era. Governou dois anos. Nos dois anos finais de seu primeiro mandato, vendeu o País e a si mesmo para se reeleger. Nos quatro anos seguintes, tentou, mas era tarde demais, consertar as bobagens que fizera antes. Pavimentou a estrada para o homem que derrotara duas vezes, esse, sim, um legítimo sebastianista, migrante expulso pela miséria do sertão nordestino para o sul maravilha, para as fábricas de Juscelino, numa São Paulo em transformação. Sem medo e sem dedo, enfrentara os tribunais dos milicos, tornara-se líder sindical e fundara o partido dos sonhos mais lindos. Lula, no entanto, tinha não só o sebastianismo do sertanejo, mas também o lado prático do homem que deseja o poder a qualquer custo. Porque se julgava dono de uma missão, e sua missão era ao mesmo tempo salvacionista e prática, sua teimosia se transformou em alvo fácil dos aproveitadores de plantão. Que souberam agir nas sombras para acolchoar de dinheiro ilícito os caminhos que o levaram ao Planalto. Seu pecado: o olhar perdido no horizonte das promessas. Não viu o que acontecia sob os seus pés. Não podia e não queria ver. Não tem o glamour de Collor, nem sua lábia. Não tem os bigodes de Sarney nem o topete de Itamar. Também não tem a cultura e o charme de FHC. Não ganhou a confiança das elites sem antes mostrar a sensatez dos que sabem que, na tempestade, o timoneiro tem de conduzir o barco devagar. E todos sabem disso, menos aqueles que prevaricaram em nome de uma causa que não era a causa do povo. Esses merecem o patíbulo, a execração pública, não o Presidente. Que pode ser o único messias a dar certo, nesse pobre País em busca de redenção.
Mas considerar Lula o salvador da Pátria pode não ser o caminho mais certo, o desejo mais profundo de quem pensa o País a partir de realidades objetivas. O messianismo que vejo em Lula não está na consecução de projetos inauditos, de realizações hidráulicas de proporções amazônicas, mas no trabalho árduo e diário de mudar a mentalidade de um povo. De mudar as prioridades de uma nação. De fazer-se entender, com sua linguagem às vezes trôpega e rude, como aquele que pode domar forças extremamente conservadoras, que pode, enfim, iniciar um processo que não se conclui ao longo de um só governo, mas de décadas de mudanças constantes: a distribuição de renda e a eliminação da pobreza sem a eliminação dos pobres, que se constitui no modelo posto em prática há quinhentos anos. Lula tem a sabedoria dos que enxergam um pouco mais longe e a sensatez dos que vêem um palmo além de seus narizes. O problema foi não ter visto ou não ter querido ver o que se passava sob seus pés. Será isso um pecado? Na concepção cristã, sim. Na minha concepção, apenas um erro tático. Porque Lula, a despeito de tudo o que possa dizer dele, não tentou, como Collor, pôr em prática um novo modelo econômico a golpes de jiu-jitsu: aceitou os parâmetros já delineados e tratou de colocar em ordem uma economia que só parecia forte por artes e manhas de um plano perverso da era Fernando Henrique. Um plano-bomba que não podia ser desarmado sem um longo processo de maturação para entendimento de seus mecanismos internos e conseqüente desarme sem vítimas, para, só então, iniciar um novo modelo de desenvolvimento sustentado para o País e poder tirá-lo da miséria crônica em que está há tanto tempo. Portanto, Lula tem o jeito de messias, a fala sebastianista do Conselheiro, as atitudes beatas do Padim Cícero, mas não se sujeita aos reclames de irracionalidade dos que lhe cobram um governo de transformações bruscas e receitas mágicas que levaram, sempre, ao fracasso os planos miraculosos dos falsos profetas de antanho. Por isso, e por muitos outros motivos, Lula não pode ser defenestrado do poder como o desastrado de Alagoas. Ele pode representar, se seu governo atingir, como se espera, o patamar de pelo menos metade de realizações prometidas, uma real mudança de rumos no transatlântico Brasil, e levá-lo para águas mais calmas de um futuro menos cruel de desigualdades sociais. Mas Lula deve iniciar e encerrar um ciclo de mudanças muito mais profundas, essas, sim, capazes de dar segurança à nação para não abandonar seu destino e entregar-se, de novo, às sanhas messiânicas de outros falsos profetas, que já se preparam, no cadinho político, para abrir suas bocarras cheias de dentes de ouro das elites atrasadas, para abocanhar o poder e reconstruir sua trilha de fome, miséria e vergonha para o povo, enquanto enchem os cofres dos entreguistas, dos banqueiros e dos políticos. Então, o que fazer? Uma verdadeira reforma política.
Reforma política? Sim, mas verdadeira, que jogue para escanteio definitivamente todos os aproveitadores do bem público. Uma reforma que privilegie a arte da política e não os trambiqueiros de plantão que se apresentam em pele de cordeiro a cada ciclo eleitoral, perpetuando-se no poder como abutres a comer o fígado da nação, que um dia não mais regenerará ante a fome insaciável desses urubus.
Uma reforma política que acabe com os políticos. Essa a única solução. Não a reforma que está por aí, simples paliativo de um problema que se torna cada dia mais trágico. Uma reforma que, simplesmente, elimine o político profissional da sociedade brasileira ou, pelo menos, coloque-o num curral específico e controlável, onde todos possamos vê-lo. Somos todos nós, o povo, os nossos próprios políticos. Não precisamos de intermediários, mas de representantes. Assim, a minha idéia é a seguinte.
Primeiro: partidos políticos. Devem ser células mínimas de produção ideológica. Explico: um partido político deverá ter um número limitado de cidadãos, talvez uns dois mil, no máximo, que trabalhem para definir o seu espectro ideológico, suas propostas de sociedade, seus planos de governo, enfim, para estabelecer claramente perante o povo o tipo de País que deseja, caso obtenha o poder nas urnas, seja no âmbito federal, estadual ou municipal. Essas idéias devem ser divulgadas periodicamente, através dos meios de comunicação, como é hoje o horário eleitoral gratuito. Com algumas diferenças fundamentais: a propaganda será do partido e não de seus membros; não pode haver divulgações de realizações, mas apenas de idéias e projetos; não será permitido o aparecimento de membros do partido, mas os programas serão apresentados por profissionais do mercado, neutros, portanto. E há mais um detalhe importante: esses membros permanentes do corpo partidário nunca poderão se candidatar a qualquer cargo. São apenas gestores partidários, homens e mulheres que tenham o ideal de construir uma proposta de Nação, mas não de se constituírem em representantes do povo. Também não poderão ocupar cargos oficiais nos governos de seus partidos, servindo apenas como uma espécie de conselho para os governantes, cuidando para que os planos traçados sejam postos em prática, de acordo com a carta do partido e suas propostas e planos. Terão prestígio, é claro, porque influenciarão decisivamente para o progresso do País e, por isso, deverão ser mantidos com bons salários por fundações arrecadadoras de fundos da sociedade, de forma clara e transparente, com suas contas sendo auditadas de acordo com a lei. Serão eles, na verdade, os únicos políticos profissionais em exercício permanente de sua atividade.
Como, então, se darão as eleições? Cerca de um ano antes de cada eleição, os cidadãos interessados em concorrer a qualquer cargo devem inscrever-se num dos partidos existentes, de acordo com suas convicções e preferências. Essas inscrições podem ser individuais ou virem respaldadas por associações populares, sindicatos, organizações não governamentais, universidades etc. Um pretendente não pode, teoricamente, inscrever-se por mais de um partido. Se o fizer, mesmo escolhido como candidato de um partido, pode ter seu nome impugnado pela Justiça Eleitoral, a pedido ou não de qualquer entidade ou cidadão. Terminado o prazo de inscrição partidária, cada partido terá seis meses para analisar os currículos de cada pretendente e escolher aqueles que devem concorrer por sua bandeira, em convenções a serem definidas por lei. Escolhidos os representantes, os partidos devem inscrevê-los imediatamente na Justiça Eleitoral, para, durante os próximos três meses, correrem os prazos para impugnações etc. Começa, então, a corrida eleitoral: por três meses, os partidos apresentarão ao povo os seus candidatos, devidamente financiados por dinheiro público de acordo com a lei que defina os critérios de propaganda, gastos etc.
Os candidatos serão cidadãos comuns, devidamente legalizados pela Justiça Eleitoral, os quais, durante os três meses de campanha, são licenciados de seus empregos e sustentados pelo partido e pelo financiamento público definido em lei. Se eleito, seus empregos serão congelados até a sua volta. Se não, têm o direito de retomar sua vida normal, com, por exemplo, um ano de garantia de emprego. O mesmo valendo para aqueles que cumprirem o mandato. Não há direito à reeleição para o mesmo cargo e a lei pode definir ainda se haverá permissão para reeleição a cargos de volta, isto é, um deputado federal voltar a disputar mandato estadual ou municipal. De qualquer forma, devem ser definidas regras que evitem a criação de vínculos permanentes com os eleitores ou que permitam que se perpetuem na política os mesmos de sempre, para que se possa cumprir um processo de renovação constante dos quadros partidários. Os mandatos deverão ser, para todos os cargos, de seis anos. Mecanismos legais de controle podem, no entanto, ser ativados por cidadãos descontentes com a atuação de seus representantes, a partir do terceiro ano de mandato, com a finalidade de cassação ou substituição do político que não estiver trabalhando a contento da comunidade. A fidelidade partidária, durante o cumprimento do mandato, deverá ser um princípio fundamental: qualquer eleito que mudar de partido ou se desvincular do partido por que foi eleito ou, mesmo, não estiver cumprindo com as diretrizes partidárias, poderá ser cassado e ter seus direitos políticos suspensos, de acordo com a lei. Por outro lado, terminadas as eleições, os cidadãos não-eleitos se desvinculam automaticamente do partido pelo qual concorreram, podendo, nas eleições seguintes, se candidatar por qualquer outro.
O número de partidos políticos em funcionamento será livre, porém o partido que não alcançar determinada densidade eleitoral, por duas eleições consecutivas, terá seu registro cassado, só podendo voltar a se reorganizar após um determinado período de quarentena, sendo tudo isso definido em lei.
As eleições serão realizadas todas na mesma data. Somente depois da apuração dos resultados das eleições majoritárias (governos municipais, estaduais e da República) os candidatos aos cargos de senadores, deputados federais e municipais e vereadores serão definidos, dando-se ao partido vencedor a maioria de 50% mais um dos componentes do Senado e das Câmaras Legislativas. Assegura-se, assim, a governabilidade dos municípios, dos estados e do País, sem necessidade de negociação de apoios políticos e conchavos de qualquer espécie. Não serão, portanto, permitidas alianças partidárias.
Eu creio que, com tal reforma política, possamos acabar de vez com o balcão de negócios em que se transformou o trato da coisa pública pelos políticos profissionais. Reduzidos a poucos e à direção partidária, sem direito a voto, embora influentes, poderão melhor ser controlados pela sociedade. Como não pode haver reeleição para o mesmo cargo, os cidadãos terão de apresentar bons serviços para tentar permanecer por mais tempo na vida pública. Mesmo assim, garantir-se-á a renovação constante dos quadros políticos e partidários. E isso transformará cada cidadão em potencial candidato, sem a necessidade de alianças espúrias e negócios sujos para obter legenda e se perpetuar nos cargos. Essa a reforma política de meus sonhos. Infelizmente, só meus.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:13 PM
Quarta-feira, Agosto 10, 2005
O QUE EU PENSO...
SOBRE FANATISMOS, EXTREMISMOS, FUNDAMENTALISMOS...
O fanatismo, muitas vezes travestido de fundamentalismo, traz em si mesmo a barbárie e a estupidez. Deve o homem sensato, mesmo o adorador de qualquer deus, fugir de toda e qualquer associação em que os componentes se tratem por irmãos. Não somos irmãos, porque não somos filhos de quem quer seja a não ser de nossos pais biológicos. Qualquer tentativa de impor conceitos de irmandade transforma-se em sociedade de exclusão, de preconceito e, se a seita ou a associação que se constitui a partir desse tipo de denominação, tornar-se forte o suficiente, a perseguição aos excluídos, isto é, aos que não a adotam como crença, tem início, com todas as conseqüências a que estamos acostumados. Irmandades são construções muitas vezes xenófobas, de origem nazi-fascista ou racial ou religiosa, mas sempre contêm a idéia de dominação dos outros através do auto-reconhecimento como seita salvacionista. Fugir dessa gente significa esvaziar movimentos fundamentalistas de origem cristã, muçulmana, judaica ou de qualquer outra origem. Todos os profetas dessas seitas miseráveis em sua concepção de mundo ordenado segundo suas vontades arrebanham seus seguidores com essa idéia de mansidão, de irmandade, de acolhimento dos que são menos favorecidos, para transformá-los em monstros de ódio a todos os demais, monstros muitas vezes dispostos a sacrificar a própria vida, a martirizar-se para impor o seu tipo de pensamento e, mais estúpido ainda, dispostos a matar o diferente como forma de agradar a um deus assassino e sôfrego pelo sangue tanto de seus pretensos mártires quanto de seus inimigos. E combater esse tipo de gente torna-se algo extremamente complexo e paradoxal. Se os deixamos agir, imbuídos da idéia de tolerância, somos julgados fracos, dominados por diabos ou pecados, e, por isso, devemos ser destruídos, porque fraqueza significa confissão diante do deus deles de que não somos dignos. Se os combatemos pela força, além da perda de inúmeras vidas inocentes, como sói acontecer nesse tipo de atitude, construímos mártires, porque esse tipo de gente transforma em herói todo aquele que morre pela causa. Então, não há muitas saídas no combate aos fundamentalismos e fanatismos. O bom senso, a velha e boa arma de que dispõe o homem, sugere que busquemos uma solução que contemple nem tanto o combate frontal nem tanto a tolerância enfraquecedora. Entre esses dois extremos, de cuja dificuldade não conseguimos nos livrar, mas que devemos adotar, deve haver um longo processo de investimento na educação, no convencimento através de ações que promovam nas gerações mais novas um outro tipo de visão de mundo, mais de acordo com os valores de respeito às individualidades, de convivência pacífica entre os contrários, de aceitação do outro como necessária à diversidade da própria vida. Sei que isso pode parecer um tanto inocente diante dos atentados brutais das forças da intolerância, tanto de um lado quanto de outro, nessa guerra em que não há inocentes, mas creio ser a única saída para a humanidade. Será um caminho difícil, oneroso, complexo, de idas e vindas, de ações arriscadas, em que muitas vidas ainda se perderão nos meandros do ódio, mas. repito, não há outra saída. Enquanto se adotar a velha lei de talião, enquanto a vingança for a única forma de reação, os dois lados da guerra contra o fanatismo se tornam tão extremistas quanto os profetas barbudos e insanos desejam como palco ideal para o fomento de suas idéias assassinas. A estupidez é sempre a bandeira maior de todos os extremistas, de todos os vingadores, de todos os fundamentalistas. E estupidez só se combate com o lento processo educacional de convencimento e de troca de valores. Mas, para isso, para que esse processo seja efetivo, não podemos simplesmente imaginar que devem se sobrepor os valores de um dos lados, mas buscar o equilíbrio numa nova vertente de pensamento humanista que jogue na lixeira da humanidade todas as formas de deísmo e de crenças estúpidas há tanto tempo elaboradas pelos homens. Talvez, uma nova humanidade, portanto. Uma nova humanidade sem deuses, sem religiões, sem castas, sem raças, sem nações e etnias. Utópica, mas necessária.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 4:34 PM
Segunda-feira, Agosto 08, 2005
SOLIDÃO
Tarde de agosto. Inverno quente, poluição e inversão térmica. As narinas ardem. O calo de estimação reclama. Os ossos parecem palitos e fragilizam meu andar trêfego. Os olhos mal vislumbram o pardo da vegetação do jardim, através dos vidros empoeirados. O tempo acabou para mim, essa certeza enrola-se em meu cérebro e demora a acionar os mecanismos da memória. Lembro fatos que ocorreram há oitenta anos ou mais, mas no espelho não reconheço o meu rosto. Não há tristeza, apenas decepção. Caminho pela casa, a madeira do assoalho carcomido de cupim range. Zumbi de mim mesmo, sombra de sonhos passados, arrasto minha agonia num roupão sujo. Urino-me antes de atingir o banheiro e a poça no chão era um poço formado pelo encachoeiramento de um riacho que enche o salão vazio de meu cérebro. Desenxabido, deixo-me cair no sofá da sala no meio do poço. Foi ontem, eu me lembro. Meninos vadios à procura de diversão. E o poço ali, ao nosso alcance. Aonde íamos nos refrescar nas tardes quentes do verão mineiro, o caminho rude entre marias-sem-vergonha e murcha-cadelas, trilha conhecida por poucos, risco no chão verde dos morros, uma falsa coral assustada a deslizar pelo mato ralo, o pio do fogo-apagou, um pé de gabirobas, sabor de verão, as cigarras e os grilos a emudecer com nossos gritos, e o poço, o velho poço onde nadávamos escondidos, escondidos não sei de quem, talvez de nossas mães, talvez de um possível dono do lugar, talvez escondidos de nós mesmos, encantados com a água fria em nossos corpos suados, quem não sabia nadar pegava com as mãos pequenos lambaris e engolia-os vivos, simpatia para não se afogar, mas o velho poço era amistoso, não tinha intenções aquela água a despencar lá de cima, barrenta nas chuvas, cristalina na seca, sempre amiga, sempre amiga. O cheiro da urina me incomoda, tenta brecar a memória, não posso deixá-la fugir, o poço da sala não pode afogar o poço de eu menino, retrato de um tempo fugidio, há séculos escondido no recôndito de meu cérebro, morto talvez para sempre não fosse a cascata quente a escorrer-me por entre as pernas, a sala se ilumina ao sol de dezembro, o sonho me abraça e viajo para um tempo em que ainda havia sonhos para mim, não era este trapo inútil e, dentro da água fria, era luxuriosamente quente a urina a descer por entre as pernas, todos fazíamos isso, para sentir o quente no frio, e se havia alguém por perto era briga na certa, briga de amigos e camaradas que logo se transformava em risada, em zombaria, não podia haver nojo entre meninos pelados dentro de um poço de água corrente, entre pequenas sacanagens de descobertas inauditas, e um dia um dos moleques escondeu nossas roupas e foi embora, seria vexatória demais a procissão de pelados ao cair da tarde, voltando para casa, um sufoco mesmo, sofremos e choramos e maldizemos até quase o anoitecer, mas alguém encontrou nossos trapos atrás de uma moita e então juramos vingança, arquitetamos grandes planos, o moleque sumiu por não sei quantos dias e quando voltou já nos havíamos esquecido, menino não guarda rancor, o inimigo de hoje é o amigo de amanhã, o tempo não tem passado, não tem presente, corre limpo como a água do riacho, e então lembrei, eu tinha um amigo, o que aconteceu com ele, onde está agora esse amigo, tão chegado, tão companheiro de todas as traquinagens, de todas as safadezas que fazem os moleques nessa época de tantas brincadeiras rudes, de lutas de grupos oponentes no final das aulas, de imitação das guerras de índios e cowboys vistas nos seriados de domingo no velho cinema, as armas de madeira, às vezes alguém aparecia com um revólver de metal e espoleta e era, para inveja de todos, o mocinho que matava mais índios, sendo índios aqueles que não tinham prestígio dentro do grupo, e eu tinha um amigo, zorro e tonto, tonto e zorro, mickey e pateta, batman e robin, dupla feroz nas brigas de rua, dupla inseparável nas tardes do poço, lembro-me agora de suas feições, de seu jeito valentão, de sua mania de dar um caldo nos mais medrosos no velho poço, o que consistia em mergulhar e puxar-lhes a perna para que engolissem água, os olhos vermelhos de susto e raiva, mas ele era mais forte, ficava só o ressentimento que logo passava, não me esquecem suas manias de valentão a tentar sempre a aventura mais perigosa de se jogar do mais alto da pedra, de ficar por mais tempo debaixo d¿água, de atravessar em menos tempo uma margem a outra do poço, de desafiar a tudo e a todos, não me esqueço disso, não, mas não sei mais quantas peripécias de moleques enfrentamos juntos, me lembro dele no poço, me lembro dele a puxar o calção dos mais tímidos, para risada de todos ao ver uma bunda branca, e lembro que era feliz a seu lado, era eu o seu parceiro, o amigo, o companheiro mais frágil a quem ele defendia nas brigas de rua, e há um hiato entre mim e minha memória e eu só me lembro que um dia voltei ao poço numa tarde de chuva fina, o velho poço parecia mais triste e abandonado e eu me lembro que já trocara as calças curtas por compridas, e eu me lembro que, sob a chuva que me encurvava ao caminhar, eu era o velho que hoje sou, arrastando os passos pela trilha do velho poço, sem sentir a chuva fina a molhar meus cabelos, minhas roupas, eu me lembro, cheguei até a beira do velho poço, eu me lembro, entrei no velho poço para enxugar as lágrimas que salgavam minha boca, a água morna envolveu meu corpo, como se eu tivesse mergulhado num grande poço de urina e lágrimas, eu chorava ainda, muito, eu sei que chorava, não sei por quê, mas eu chorava enquanto atravessava em poucas braçadas aquele poço antes tão grande, antes tão largo, antes tão fundo, eu me lembro, eu nadava e chorava e sentia que para sempre se tornara secreto aquele amigo que me protegia, que não me deixava sozinho nas brincadeiras mais rudes, que me conduzia de forma serena para um tempo de madureza, para o tempo de uma vida que passou tão rápido, de que me lembro tão pouco, e eu preciso limpar a sujeira que fiz, e eu preciso tirar dessas calças molhadas o cheiro de meu passado, o segredo que levo comigo, de que um dia eu tive um companheiro, um amigo...
(Conto escrito para a reunião do Grupo de Contistas de São Paulo no dia 5 de agosto de 2005. Tema: companheiro secreto).
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:39 PM
Quinta-feira, Agosto 04, 2005
CAMÕES E OS TRISTES TRÓPICOS
Ditas, as palavras ferem e vão ao vento. Ficam as cicatrizes. Escritas, as palavras são punhais: ferem e matam. E voltam-se contra quem as cunhou em papel, bronze ou tela de computador. Estão lá como testemunhas. Por isso evoco Camões (apenas um excerto):
BABEL E SIÃO
Sôbolos rios que vão
Por Babilônia, me achei,
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião
E quanto nela passei.
Ali, o rio corrente
De meus olhos foi manado;
E, tudo bem comparado,
Babilônia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.
Ali, lembranças contentes
Na alma se representaram;
E minhas cousas ausentes
Se fizeram tão presentes
Como se nunca passaram.
Ali, depois de acordado,
Co rosto banhado em água,
Deste sonho imaginado,
Vi que todo o bem passado
Não é gosto, mas é mágoa.
E vi que todos os danos
Se causavam das mudanças
e as mudanças dos anos;
Onde vi quantos enganos
Faz o tempo às esperanças.
Ali vi o maior bem
Quão pouco espaço que dura;
O mal que depressa vem,
E quão triste estado tem
Quem se fia da ventura.
Vi aquilo que mais vale,
Que então se entende milhor,
Quando mais perdido for;
Vi ao bem suceder mal
E, ao mal, muito pior.
E vi com muito trabalho
Comprar arrependimento;
Vi nenhum contentamento,
E vejo-me a mim, que espalho
Tristes palavras ao vento.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:39 PM
Quarta-feira, Agosto 03, 2005
A CRISE POLÍTICA: DE CAMISAS DE FORÇA À ÉTICA JORNALÍSTICA
Havia prometido a mim mesmo não voltar ao assunto que consome a mídia neste momento: a crise política. No entanto, o veneno acumulado em minhas entranhas ameaça sufocar-me e, então, eu o destilo contra duas figuras que me incomodam.
Primeiro, o senhor deputado Roberto Jefferson. Não consigo entender como um bandido corrupto notório se transforma em queridinho da mídia. Canastrão e falastrão, defende-se atacando. Suas denúncias, mesmo quando verdadeiras, vêm revestidas do ressentimento de quem não conseguiu o que queria e deseja vingar-se. Transforma fatos em fantasias, ou seja, toma um acontecimento real e reveste-o de conspirações. Aliás, o velho truque de ver conspiração em tudo é o um de seus recursos prediletos. O outro, arma quase invencível da oratória, é a ironia. Com esses dois ingredientes, faz caras, bocas, gestos e pausas para dar veracidade às suas afirmações, armando um teatro a que toda a mídia se rende, encantada por achar na figura ridícula do ex-gordo um prato cheio para elucubrações mais elaboradas que preencham páginas e páginas de jornais e revistas e ocupam o tempo de analistas imbecis a falarem merda através de rádios e televisões, como pitonisas enlouquecidas pela oportunidade de ganhar um dinheirinho a mais com suas besteiras. E haja penico para tanta merda!
È claro que a situação é grave. Não há imbecil que o negue. Porém, para tudo há limites. Se um grupo de políticos e empresários infligiram a ética, com uma série de irregularidades, que sejam exemplarmente punidos. Mas, para isso, é necessário que se apresentem os fatos que comprovem o que aconteceu e se revelem quem são realmente os culpados. Extrapolar, por motivos políticos, essa lógica, como a mídia tem feito, num linchamento público baseado em boatos e interpretações dos boatos, coloca os jornalistas e articulistas que o fazem no mesmo balaio de gatos da falta de ética e da canalhice dos que estão sendo acusados.
Segundo, a revista VEJA. Não só ela, mas principalmente ela. Em sua propaganda na televisão, um entregador chega com a revista na mão em uma casa, um dia antes do normal, e a mulher que o atende não acredita nos argumentos do indivíduo e chama a polícia. Não podia ser melhor comercial para identificar o tipo de jornalismo que essa revista pratica. Devia-se chamar a polícia, sim, mas para prender e processar toda a redação desse periódico pernicioso aos interesses da população, pois só veicula mentiras e boatos, com a mesma técnica utilizada pelo ex-gordo deputado chefe da tropa de choque do nefando Collor de Melo. Não merece credibilidade o jornalismo marrom e sensacionalista desse periódico travestido de revista séria. Não dá para aceitar que pessoas honestas e intelectualmente dotadas ainda leiam tal pasquim, aqui o termo usado no seu sentido mais pejorativo possível.
Se o caso da VEJA é falta de vergonha e de ética jornalística a serviço de um certo partido político de um certo ex-presidente da República, já o caso do ex-gordo deputado é para clínica psiquiátrica. Seus delírios só convencem, mesmo, a esse bando de analistas idiotizados que, como urubus na antevisão da carniça, sobrevoam as redações das rádios e televisões ou aos deputados e senadores da oposição, a cuja histeria atendem os arroubos do canastrão louco.
Se houver Justiça nesse país, os culpados pelo escândalo serão, com certeza, expulsos para sempre da vida política nacional, enquanto o senhor Roberto Jefferson deverá ser levado, em camisa de força, para o mais recôndito asilo de alienados que ainda exista no País. Para exemplo das gerações futuras. E a tal revista semanal... bem, essa, com certeza continuará destilando suas mentiras, pois, afinal, os interessados nesse tipo de jornalismo são gente muito poderosa. Além do mais, nesse País, pode-se criticar a tudo e a todos, menos a imprensa, vestal de bunda suja a posar sempre de defensora da liberdade. E não vou nem me lembrar do célebre caso da Escola Base...
E chega. Só volto a esse mar de lama, quando tudo estiver provado e comprovado, para comemorar ou lamentar o resultado ou, o que parece bastante provável, para saborear, com o resto da população, a imensa pizza de jiló cujo cheiro começo a sentir vindo de Brasília.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:37 PM
Terça-feira, Agosto 02, 2005
O QUE EU PENSO... SOBRE DEMOCRACIA
Eu acredito na democracia. E mais: acredito que a democracia só se realize plenamente através do sistema republicano, de preferência parlamentarista. No entanto, a democracia, assim como o capitalismo, é um sistema em crise permanente. Mas a semelhança com o capitalismo termina aqui, porque o sistema capitalista pressupõe a desigualdade, a escravidão, a miséria de muitos para o enriquecimento absurdo de poucos, enquanto a democracia pressupõe valores exatamente contrários: igualdade, liberdade e respeito. O problema é que a igualdade democrática não significa que todos sejam bafejados por riquezas e não precisem trabalhar, mas a igualdade democrática significa que todos os seres humanos tenham garantidos direitos fundamentais, como segurança, trabalho, remuneração digna, de modo que as diferenças tendam a diminuir e a se manter num mínimo aceitável. O ideal socialista é utópico. Os homens não são iguais, nem se pretende que sejam todos iguais. Diferenças de valores determinam que sejamos seres únicos, mas ao mesmo tempo tenhamos liberdade e respeitemos tais individualidades dentro das leis básicas da sociedade. Mesmo em relação à remuneração do trabalho, a idéia de que todos os trabalhadores devam receber exatamente o mesmo salário é por demais tentadora, mas para isso o sistema econômico que, nesse caso, não seria o capitalista, precisaria encontrar o equilíbrio perfeito e funcionasse quase como um moto perpétuo, sem perda de energia, o que é absolutamente utópico. No entanto, é possível que as diferenças atinjam patamares aceitáveis, sem que se promovam condições absurdas de riqueza ou pobreza que levem a lutas de classes, como em uma sociedade de servidão capitalista. Um socialismo apenas regulado pelo estado, e não emanado do estado, através de sistemas de controle do capital pode ser um tipo de solução a ser buscada pelo homem, para resolver os impasses e as crises do capitalismo. O respeito à individualidade e à propriedade deverão ser mantidos, porém com limitações ditadas pelo respeito à sociedade e ao outro, de forma que cidadãos que atingirem, por seus méritos e por seu trabalho e criatividade, o topo da pirâmide não agridam os demais com a ostentação de bens acumulados à custa da mais valia de milhares de outros seres humanos, porque a pirâmide social não será tão alta que se distanciem os diversos segmentos sociais. Mas, esse tipo de democracia ainda é um sonho. Enquanto isso, temos que conviver com o sistema capitalista em que nos encontramos, no qual se insere a maioria das democracias. Falemos das crises dessa democracia. O maior fator de crise do sistema democrático está na raiz da representatividade, ou seja, na criação de uma casta de dirigentes com direitos diferentes das demais pessoas, os denominados políticos. Não há democracia sem política, mas pode, e deve, haver democracia sem políticos. Ou seja: a constituição de uma pequena elite que se reveza no poder e, quando no poder, faz tudo para se perpetuar nele, constitui-se num cancro que corrói por dentro a idéia básica de democracia que é o direito à oportunidade igual para todos. Os políticos ferem o cerne desse direito, quando criam barreiras partidárias ao cidadão comum, quando não permitem que os quadros se renovem a cada eleição, quando inventam sistemas de financiamento de candidaturas que elevam o preço do voto a valores astronômicos. E o preço do voto se transforma numa armadilha para qualquer pretensão de candidatura que não conte com o apoio de partidos fortes e de financiadores poderosos. Assim, a representação popular só o é no nome, porque, na verdade, os políticos representam a si mesmos e a interesses de banqueiros, de industriais e dos capitais que os financiam. Como é quase impossível romper essas barreiras, cria-se uma casta de políticos que se revezam no poder ou só são substituídos por outra casta de igual origem e conteúdo. Os partidos políticos tornam-se arremedos de posições falsamente diversas, porque, na verdade, não há programas de governo ou de mudanças, apenas programas de poder. Como a origem do capital que os financia é a mesma, também é o mesmo o programa de governo, embora em palavras diferentes para iludir o eleitorado. Nas democracias atuais, não há nada mais igual do que as idéias dos políticos, que só diferem no discurso de situação ou oposição. Assim não existe verdadeira democracia representativa, apenas um jogo de cena de conseqüências trágicas para o povo. Enquanto houver uma classe política, não existe possibilidade de representação democrática. Para a evolução para um sistema verdadeiramente representativo, de associações de homens e mulheres reunidos em torno de idéias e representações da sociedade que desejam para si e para todos, propõe-se um sistema intermediário, em que os partidos políticos sejam limitados a quatro ou cinco, com estrita fidelidade partidária, em que o mandato de um político pertence ao partido e não aos seus interesses pessoais, com a proibição absoluta de reeleição para o mesmo cargo, com o controle público dos gastos eleitorais ou, mesmo, com o financiamento público das campanhas, com acesso direto dos cidadãos às listas partidárias de candidatos, escolhidos através de processos diretos de consulta às bases, enfim, com uma série de medidas que limitem o poder dos políticos ou, mesmo, que os releguem a um número mínimo necessário, restritos à atuação na direção dos núcleos partidários. Também acharia interessante que se adotasse um sistema em que, quando um cidadão se tornar candidato a um cargo público, ele se licencia de seu trabalho normal durante a campanha, por dois ou três meses, com a remuneração paga através do partido. Se ele se eleger, o seu cargo, seja em que empresa for, fica congelado durante o tempo do mandato, tendo o direito de a ele retornar ao final de sua missão pública. Se não for eleito, tem também o direito de retomar sua vida profissional, sem nenhum problema. Assim, mais cidadãos comuns poderiam ser candidatos e o político profissional teria sua ação bastante reduzida ou eliminada, evitando alguns fatores de instabilidade do sistema democrático, por causa do alto preço do voto e da existência de uma casta política encastelada no poder. A existência de poucos partidos políticos deve ser um fator de governabilidade. Para isso, ficam proibidas as coligações e, para que o partido vitorioso não precise barganhar apoios, as câmaras legislativas serão compostas majoritariamente por eleitos do partido vencedor em segundo turno, de forma a constituir maioria absoluta sempre. Assim, se o presidente da república obteve cinqüenta e um por cento dos votos, as duas câmaras (se houver sistema bicameral) serão compostas pela metade mais um de deputados e senadores de seu partido, principalmente se o sistema for presidencialista, o que ajudaria a evitar crises de governabilidade. São exemplos de medidas que se devem adotar para que a democracia funcione e suas crises sejam administráveis. Porque não há saída para as nações que não seja através de sistemas democráticos de representação popular ao mesmo tempo maleáveis em sua aplicação e rígidos em seus conceitos e valores. O cargo público deve ser sempre encarado como uma missão a que cidadãos escolhidos pela maioria se dediquem durante um certo tempo de sua vida e não uma carreira que os leve ao poder pelo poder. A perpetuação de indivíduos na cena política traz em seu bojo o culto de personalidades, o que é péssimo para a democracia. É totalmente antidemocrática qualquer idéia de peleguismo, de continuísmo, de divinização do poder, de formação de casta dirigente, de fortalecimento de grupos econômicos ou regionais ou étnicos em torno do poder. A eliminação de princípios e resquícios monárquicos que gravitam em torno da possibilidade de poder deve ser uma preocupação primordial para fortalecimento dos regimes democráticos. As práticas de nepotismo e de favorecimento de amigos e fornecedores, os atos de enriquecimento ilícito, a corrupção e o continuísmo são vermes que destroem as repúblicas democráticas e colocam em risco a própria integridade dos sistemas democráticos e devem, por isso, ser combatidos com todas as forças por todos os segmentos da sociedade, para que esse sistema consiga sobreviver às tentativas totalitárias que brotam todas as vezes que mazelas políticas vêm à tona.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:28 PM
Segunda-feira, Agosto 01, 2005
HIROSHIMA, SESSENTA ANOS
Quando o piloto do Enola Gay apertou o botão que soltou a bomba Little Boy sobre Hiroshima, às 8h15 do dia 6 de agosto de 1945, o cogumelo de fogo que matou instantaneamente 69 mil pessoas liberou uma nova e tremenda forma de barbárie: o terrorismo.
As populações civis foram sempre as que mais sofreram em todas as guerras que o homem fez sobre a Terra. Porém, nunca antes tivera o homem a capacidade de destruir tantos em tão pouco tempo, de forma tão covarde. Estava inaugurado o terror total, o vale-tudo, o despudor de matar inocentes em prol de uma causa qualquer, como se a morte de velhos, jovens, crianças, mulheres pudesse justificar o que quer que fosse.
Hiroshima e Nagasaki permaneceram como feridas abertas e incompreendidas durante mais de meio século. Agora, podemos interpretar o que houve. Agora podemos dizer que o homem dera o passo mais terrível de sua caminhada de vampiros em busca de sangue. As bombas atômicas jogadas sobre populações civis eram a senha para o inferno. Somente os trouxas imaginaram que a paz podia nascer da força bruta. Somente os ingênuos não perceberam que estava liberada a total e absoluta falta de escrúpulos. O que veio a seguir foi apenas a sucessão óbvia de barbáries em todo o globo, com milhões de vítimas massacradas em centenas de guerras genocidas. Vietnam foi apenas a mais famosa. E não vale a pena mencionar as demais. O exemplo de Hiroshima proliferou e, se não gerava cogumelos, fazia renascer a possibilidade da matança sem distinção de sexo, cor, idade ou envolvimento no conflito. A ordem é matar. Apenas matar. Para que aprendam, para que se assustem, para que sejam vingados.
E não sabemos o que aprender. E não sabemos de onde vem o terror. E não sabemos por qual vendetta morremos. E não sabemos nada. Apenas assistimos a homens-bomba se estraçalharem em nome de deus, de alá, do profeta ou dos loucos que se acham donos da vida e da morte.
Bush é o herdeiro e guardião da bomba de Hiroshima e Bin Laden, o seu profeta. E nós somos todos suas vítimas. Eu estive em Hiroshima. Você, que me lê, estava em Hiroshima. Nossos filhos são filhos de Hiroshima. Os famintos do mundo são filhos de Hiroshima.
E cada inocente que morre nessa guerra absurda de bombas e explosões, em Londres ou Bagdá; cada inocente que morre em pele e osso ou abatido por doenças incuráveis, na África ou na Índia; cada inocente que agoniza em campos de concentração ou prisões abjetas, em Guantánamo ou na Austrália; sim, cada inocente que morre abre em nosso peito uma ferida que precisará de milhares de anos de civilização para cicatrizar.
Porque somos todos filhos de Hiroshima e porque não podemos nos calar é que olhamos para trás, para o cogumelo brilhante de Hiroshima, e ficamos tentados a acreditar que não somos mais capazes de nos entender. Mas porque ainda brilha em nossos olhos algo mais que o brilho da morte, ergamos a cabeça e vislumbremos o futuro de uma humanidade livre das crenças malditas que a levam a cometer matanças em nome de um deus que nunca devia ter nascido na mente do homem, de um deus que sobreviveu a Hiroshima e teima em renascer das vísceras abertas de cada um dos homens-bomba que se explodem em Londres ou Bagdá.
Ninguém pôde fugir da bomba de Hiroshima, mas nós ainda podemos escapar da barbárie dos fundamentalistas, dos fanáticos, dos vampiros da guerra, desde que não entremos no jogo deles, desde que não adotemos o olho por olho, o dente por dente, porque esses são os valores dos inimigos da humanidade. A morte e a barbárie se alimentam da vingança. Só podemos vislumbrar um futuro sem guerras, se quebrarmos esse ciclo vicioso de vingança e genocídio que todos os covardes e assassinos apregoam.
Quem será o corajoso a erguer o cálice da compreensão do outro e do respeito à vida, para construir o futuro?
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 11:44 AM
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