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{Sexta-feira, Junho 24, 2005}


A PRIMEIRA PESSA DE MARCELO AMARAL


Quem é Marcelo Amaral? Não sei, não o conheço. A única coisa que sei dele é o que ele diz de si mesmo, ou seja, é jornalista. E tem um site. E me manda, não sei por quê, um e-mail de vez em quando. Coisas da Internet, que nos faz estabelecer relações inesperadas.

Fui dar uma olhada em seu site: crônicas, crônicas... Todas azedas. E em primeira pessoa.

Bem, não concordo com tudo o que ele diz. Aliás, a concordância plena é sempre burra. Ele escreve para provocar e eu também. Então, só nesse fato já há um começo de história. Ele é radical em suas idéias, pensamentos e propostas. Eu também. Mesmo que, muitas vezes possamos estar em campos opostos. Por exemplo: ele se diz contra esquerdas e direitas. Eu acho que ele é de esquerda: todo mundo que pensa como ele é de esquerda. Mas, aí, já é outra discussão e pode ser uma tremenda bobagem esse negócio de esquerda e direita. São categorias inventadas e, por isso mesmo, não têm muito sentido. Às vezes, eu me acho de esquerda, porque é só uma forma de me posicionar contra algo. Mas também, como o Marcelo, não sou filiado a nada, sou ateu e não aprecio os ativismos. Então, por que estou escrevendo a respeito do Marcelo Amaral?

O caso é seguinte: numa crônica furibunda (própria de seu estilo), ele se queixa de que as pessoas o criticam por escrever em primeira pessoa. E isso me incomodou. Por quê?

Em primeiro lugar, há o problema da objetividade. Todo jornalista, dizem, deve ser objetivo. E eu me pergunto: o que é ser objetivo? Procuro o Aurélio e lá está (expurgando-se as referências gramaticais):

Objetivo: relativo ao objeto. Alvo ou fim que se pretende atingir. Objeto de ação, idéia ou sentimento. Propósito, intuito.

Então, como ficamos? Se eu escrevo em primeira pessoa, deixo de ter um propósito, um objetivo? Ninguém vê a realidade pelos olhos de outra pessoa, por mais que os famigerados gurus da auto-ajuda preguem a famosa empatia. No máximo, nos solidarizamos. Então, vamos parar com essa bobagem de objetividade. Um jornalista, no exercício de sua profissão, deve ser justo, ou seja, dar oportunidade a que todas as partes envolvidas sejam ouvidas e tenham o mesmo espaço, vamos dizer assim.
Em segundo lugar, há o problema da opinião. Se eu escrevo para analisar uma situação e opinar sobre ela, de quem devem ser as idéias do artigo? De outra pessoa? De um pretenso e absurdo alterego? Ora, ninguém dá opinião que não seja a sua própria opinião, mesmo que a idéia não seja original e seja proveniente de fontes externas. E daí?

Então, que diferença faz escrever em primeira pessoa ou esconder o pronome pessoal? É só um problema de escolha ou, se quiserem, alguns até podem considerar mais elegante um texto em que o eu do autor não apareça explicitamente. Mas isso é só uma questão de opinião. E opinião de quem? Do eu de quem lê e aprecia mais esse tipo de texto. E só.

Para finalizar: não conheço o Marcelo Amaral. Não concordo com tudo o que ele escreve, mas dou uma banana (para não dizer coisa pior) para o tipo de crítica que ele diz receber. Eu também vou continuar escrevendo em primeira pessoa, quando e enquanto eu quiser e que ele, o Marcelo, também faça o mesmo. E que as pessoas deixem de ser ranhetas, e se preocupem com o conteúdo do que escrevemos e não, apenas, com a forma, o que, convenhamos, é só um jeito de chamar a atenção para o menos importante.


P.S.: Segue a transcrição da crônica que deu origem ao texto acima:




PRIMEIRA PESSOA


MARCELO AMARAL*

Criticam-me por escrever na primeira pessoa do singular. Dizem que sou muito personalista. Claro que sou egocentrado. Mesmo porque se trata da coisa que eu mais entendo na vida. Acredito que cada um deve falar por si. O universal é quimérico. Tudo é subjetivo. Escrever em segunda ou terceira pessoa, com muitas citações e referências, é apenas uma artimanha para transmitir uma falsa idéia de objetividade e distanciamento. Mendacidade e covardia próprias da nossa intelectualidade e dos metidos a pensadores.

Qualquer coisa que escrevo, logo aparece gente que me convida para algum movimento. Respondo que não há nada melhor do que a independência. Não me vinculo a coisa alguma. Não sou filiado a nenhum partido político. Não sou de direita ou de esquerda. Não sou ativista. Não pertenço a nenhuma ONG. Não sou sindicalizado. Sou ateu. Não faço parte de confrarias. Sequer sou sócio de um clube social. Aliás, social é um conceito que embrulha o meu estômago. Muitas das vezes serve mais para demagogia, assistencialismo, controle e autoritarismo do que para benefício de alguém. Fome Zero, Reforma Universitária, cotas, etc. e tal. Minha causa sou eu. Não sou fã do "nós".

Sem ter ligação com nenhuma entidade, posso expressar o que eu quiser. Sem preocupação com as conseqüências dos melindres. Claro que são poucos que alcançam esta condição. Sou idealista, mas não sou trouxa. Mas eu escolhi ser desgarrado. Mesmo sem poder. Era para eu ser mais pragmático.
Não escrevo textos terapêuticos. Se as minhas crônicas e artigos são pesados, pouco me importa. Exponho o meu ponto de vista. E cada leitor que julgue se as minhas idéias são cretinas, negativas, esdrúxulas ou se têm alguma serventia.

A minha postura é arrogante. Eu ofereço liberdade e franqueza a quem lê. Apresento o que penso, observo e sinto. Mais ainda: da forma que penso, observo e sinto. Não recorro a eufemismos e sofismas para ser aceito. Deixo o leitor totalmente livre para não gostar de mim. Tenho pouca experiência. Mas já é o suficiente para dizer que me sinto gratificado em ter alguns inimigos. Ou gente que pelo menos me acha um mala. Gosto de ser mala.

Dá muito trabalho escrever em terceira pessoa. Sou preguiçoso demais para isso.


*Marcelo Amaral é jornalista
e-mail: marcelo@marceloamaral.com.br
site: www.marceloamaral.com.br


posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:55 PM


{Segunda-feira, Junho 20, 2005}


PINTOR

Ni, um nome? Não, mas... Apenas isso, só isso: Ni. Concordou. Ni posou para ele. Apaixonou-se, ao vê-la abotoar o último botão da blusa de gola alta. Ni. Apenas Ni. E tudo era Ni. Achava-se feia. Pintou-a como Afrodite saindo das águas. Peito murcho. Uma maja mais que despida. Sou magra. Um botero no banheiro. Assim, o atelier se encheu: nada era dele. Não vendeu mais quadros, perdeu o gosto. Apenas vivia para esperar a amada e pintar seus caprichos. Ni às vezes vinha, às vezes não vinha. Um dia não veio mais. Rasgou todas as telas, fechou o atelier, mudou-se para a periferia. Fazia bicos como pintor de paredes. Um dia, pensou que vira Ni no reflexo do vidro do trem. Não era nada. Entendeu: Ni era nada. Agora, ele também.


GRITARIA

No vagão do metrô, os dois surdos-mudos conversavam entre si em tom tão alto, que se fez um silêncio absoluto no trem e todos os passageiros passaram a prestar-lhes atenção. Mas eles não se acanharam...

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:32 PM


{Quinta-feira, Junho 09, 2005}


O PREÇO DA DEMOCRACIA

A eterna vigilância. Esse o preço da liberdade. Frase atribuída a Jefferson ou a Clemenceau, não importa mais, virou ditado popular, citação para qualquer artigo sobre qualquer motivo. Como agora, eu uso a mesma frase para perguntar: e qual é o preço da democracia?

Aí a situação se complica. O que é democracia? Há controvérsias. E não vale dizer que é o governo do povo, pelo povo, para o povo. Porque nunca isso aconteceu, em nenhum lugar do planeta. E, se estamos, na América Latina, o jogo embola. Há muitas democracias. Nenhuma delas, até hoje, teve o seu preço estipulado em bolsa, para que se pudesse ter uma base para qualquer coisa.

No entanto, não só estamos na América Latina, como estamos no Brasil. E aqui a democracia tem, sim, vários preços. Depende de quem paga, depende do motivo por que se paga e depende de quem vende.

Há motivos para se comprar a democracia: maioria no Congresso, por exemplo. E quem paga por isso, geralmente é muito generoso: há pagamentos em espécie e há pagamentos em sinecuras (Sinecura: emprego ou função que não obriga ou quase não obriga a trabalho; Aurélio). O problema está, na compra e venda da democracia, na dependência de quem vende. Talvez esteja aí o elemento estrangulador da negociata. Porque quem vende ou se vende, diz que tem o voto, ou seja, a representação do povo para vender. E vende e se vende o mais caro possível. E sempre quer mais. Valoriza-se. Explora quem compra. Faz biquinhos de quero mais e ameaça dizer ao povo (de quem se diz representante) que se vendeu e... então, a lama vai parar no ventilador. Nesse caso, por meio da imprensa. Escândalo. CPI. Governo treme. Nomes são citados e negados. Empregos e sinecuras são retomados. Há todo um frisson, uma espécie de sábado de aleluias. Judas são malhados. Justa ou injustamente. Não importa. Precisa que sejam malhados. Aí, um dia, a gente acorda e o assunto do jornal já é outro: quase sempre um outro escândalo. Ou outra negociata. A democracia, coitada, vendida de uns para outros, achincalhada, desvalorizada, ficou num canto, esquecida, quase ninguém mais se lembra de que ela foi maltratada, violentada. E a vida segue.

Então, um dia qualquer, alguém se lembra de que a democracia precisa readquirir seu valor, porque, afinal, as eleições estão aí e é preciso recomeçar a valorizar a democracia. A dar a ela um novo visual, um novo brilho, para que o povo (sempre o povo!) possa de novo dar a eles, aos de sempre, o voto indispensável para que a democracia ganhe um novo preço.



posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:57 PM


{Terça-feira, Junho 07, 2005}


QUEM DORME COM PORCO...

Nunca imaginei sequer pudesse FHC ser um corrupto. O mesmo em relação ao Lula. Detestei as alianças do PSDB com as forças mais retrógradas da direita, como o PFL. Também odiei as alianças do PT com PTB e PP. Já havia sido duro engolir o PL. Digo e repito, sempre: FHC governou apenas dois anos. Os dois anos seguintes do primeiro mandato foram gastos em politicagem necessária à reeleição. Os quatro anos do segundo mandato serviram para tentar, inutilmente, consertar as besteiras do primeiro. Quando ouço Lula dizer que não tomará medidas visando às eleições do ano que vem, tenho um arrepio na espinha: será?

Nossa incipiente e insipiente democracia precisa ser aperfeiçoada. Não é possível um governo ficar refém de alianças espúrias, como estamos vendo. Pois, quem dorme com porco só pode acordar na lama. Os mais recentes episódios comprovam isso e muito mais: os aliados corruptos precisam de dinheirinho no bolso, para manter os compromissos, seja através de desvio de verbas, seja através de pagamentos a parlamentares, seja através de propinas. Nossa democracia é incipiente, porque tem apenas vinte anos e é insipiente porque não consegue superar esse tipo de impasse, com uma reforma política que possa ter realmente esse nome. Nenhum político fará o que precisa ser feito, porque ninguém quer perder as possibilidades ilimitadas de ganho fácil em empregos seguros nas tetas do governo. Quem está fora quer entrar, quem está dentro deita e rola enquanto pode.

Na crise atual, em que o próprio PT se respinga com a lama dos porcos que chafurdam por todos os lados, como outrora o PSDB também se sujou (e quero que apareça alguém que negue o contrário), as saídas são poucas e as opções resvalam por interesses que nenhum partido quer afrontar, porque os riscos são muitos.

Se eu tivesse acesso ao Presidente Lula, diria a ele para chutar o balde. A Nação o apoiaria, tenho certeza. E no que consistiria em chutar o balde?

Na minha opinião, Lula deveria cortar fundo na carne do PT, em primeiro lugar: se há suspeita de corrupção, fora! Não importa quem seja: fora! Em segundo lugar, descartaria todas as alianças até agora efetivadas, com PTB, PMDB, PP e quem mais não se enquadrar. A única dificuldade seria com o PL, que tem o vice-presidente, mas este bem que poderia se mandar para outro partido. Um terceiro passo, o mais arriscado de todos, mas aquele que o definiria definitivamente como estadista: procuraria o PSDB! Isso mesmo, o aparente arqui-inimigo. Diria aos tucanos, pelo menos à parte melhor do partido: preciso governar, preciso pôr o País nos trilhos, então, vamos definir uma agenda mínima de um ano, para aprovar as reformas necessárias à modernização e ao crescimento do Brasil e, se possível, uma reforma política de peso para as próximas gerações. Encostaria, mesmo, os tucanos na parede: acredito que seria uma aliança nunca antes esboçada, para descartar todos os partidos que acomodam corruptos em seus quadros e para colocar para escanteio por um bom tempo a extrema direita. A agenda eleitoral também poderia, a partir daí, ser estabelecida com clareza: mais quatro anos para Lula, com um vice do PSDB e, depois, rumos próprios para ambos os partidos, agora não mais inimigos ferrenhos, mas adversários políticos polidos e respeitosos, a tentar uma democracia de partidos fortes e definidos em termos ideológicos: dois partidos de esquerda (PT e PSDB), livres das amarras de alianças espúrias; um partido de centro (possivelmente o PMDB expurgado de sua banda podre) e um ou dois partidos de direita (PFL e mais algum que sobreviva à reforma política).

Bem, foi isso o que comecei a pensar, a imaginar, a sonhar... Então, os jornais do dia, os noticiários de televisão e do rádio, os portais de Internet e tudo o mais me jogaram de volta à realidade... e acordei!

Só espero que o Brasil também acorde.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:13 PM


{Sexta-feira, Junho 03, 2005}


OTIMISMO E PESSIMISMO

Sim, com certeza, o otimismo é burro. Mas o pessimismo obscurece tudo e não deixa ver a realidade. Nem otimismo, nem pessimismo, portanto. Realidade. Falar é fácil, mas praticar é que são elas.

Vejam, por exemplo, a atual crise na política brasileira. Está certo: o governo Lula prometeu mais do que podia cumprir. As expectativas geradas eram imensas. Por quê? Porque as demandas também eram grandiosas. Depois de oito anos de FHC, o País parecia paralisado. Não ia para frente nem para trás.

FHC foi um mau governo? Talvez, sim. Talvez, não. Depende da perspectiva. Se pessimista, diremos que foi péssimo: não houve crescimento econômico, as diferenças sociais se aprofundaram, a pobreza aumentou, a distribuição de renda tornou-se perversa, a carga tributária (hoje atribuída ao Lula) cresceu a níveis insustentáveis etc. etc. etc. Se a perspectiva for otimista, a avaliação tende ao ótimo, pois podemos dizer que houve avanços significativos no processo democrático, a inflação foi debelada, a economia se estabilizou, houve ganhos nas áreas de ensino e saúde etc. etc. etc.

Assim, pode-se dar uma no prego e outra na ferradura. Há sempre o outro lado. No entanto, a mídia (principalmente jornais e certas revistas) têm o péssimo hábito de um enraizado pessimismo. Se um presidente de uma estatal qualquer é pego com mão na propina, o governo todo se torna corrupto. Como se nunca houvesse quem não fosse corrupto em todos os governos, com exceção, é claro, do Collor. Então, transforma-se em crise institucional, isto é, capaz de abalar os alicerces do poder e da própria República, uma briguinha partidária por uma CPI que interessa politicamente à oposição e não interessa politicamente à situação. Isso sempre ocorreu: nenhum governo, em termos políticos, gosta de ser investigado. Nenhum governo, em termos políticos, dá de mão beijada palanque para a oposição. Isso é jogo político, e nada mais. Se não houver CPI, há inúmeros outros meios de investigação e punição de corruptos, todos meios legítimos e que podem ser cobrados por qualquer cidadão, quanto mais por congressistas que têm a tribuna e a imprensa por onde destilar suas diatribes. Se ganhar a oposição, ótimo: investiga-se através da CPI. Se ganhar a situação, também ótimo: investiga-se pela PF, pelo Ministério Público. Sem que se precise derrubar o governo ou colocar em risco as instituições. E em ambos os casos, a boca no trombone ainda é a melhor forma de cobrança. No entanto, joga-se, na imprensa tendenciosa, o jogo do pessimismo, do quanto pior melhor, da velha tentativa de desestabilizar o governo, qualquer governo, por interesses políticos. O PT cansou de fazer isso, apenas não contava, como conta hoje o principal partido da oposição, com o beneplácito explícito dos órgãos da imprensa.

Enquanto isso, deixa-se de julgar ou pôr a julgamento público a administração do governo, suas realizações, seus projetos, suas tentativas de melhoria da situação do povo brasileiro. E não estou falando de Lula, apenas, estou falando de Sarney, de Itamar e de FHC. Todos eles tiveram erros e acertos. Todos eles cometeram bobagens imensas e todos tiveram seus momentos de realizações importantes. Quando a imprensa toma partido (como é o que acontece agora), o pessimismo ganha de goleada: não há realizações, só complicações.

Foi assim que a imprensa burguesa paulistana fritou a Marta Suplicy: ao debitar na conta da ex-prefeita todas as mazelas de São Paulo, acabaram por, praticamente, inocentar os desastres cometidos pelos oito anos da dupla Maluf-Pitta. Os quatro anos de Marta, que cometeu erros, sim, mas cujo saldo administrativo está a anos luz das duas administrações anteriores, tornaram-se os culpados de tudo de ruim que aconteceu e ainda acontece nesta cidade. Tudo por conta, principalmente, de uns malditos túneis que infernizaram a vida dos burguesinhos dos bairros mais elegantes da cidade. O seu trabalho na periferia, a implantação dos CEUS, o começo da revigoração do centro e o fato de ter tirado a cidade da UTI ficaram sem nenhum destaque. A mídia, neste caso, teve um comportamento absolutamente anti-ético, influenciando, e muito, a cabeça do eleitor. Não que José Serra não mereça ter vencido. Mas que vencesse sem a ajuda absurda dos meios de comunicação postos a serviço de meia dúzia de mauricinhos que têm o domínio da mídia e a capacidade de articular jornalistas e repórteres já tendenciosos para as suas causas.

Enfim, indo do mais amplo para o mais restrito, do Governo Federal para o Municipal, podíamos ainda nos deter nas realizações e nos fracassos do Governo Estadual. Mas não é esse o objetivo desse artigo, já meio furibundo. O que eu quero deixar claro é: que a mídia tenha mais ética e mais isenção. Trabalhar o pessimismo do povo serve apenas para atiçar ainda mais a sanha dos aproveitadores de plantão. Se, para cada notícia pessimista, a mídia publicasse uma notícia boa, a vida seria bem melhor. O Brasil está repleto de grandes realizações, com ou a despeito de governos, basta olhar ao redor. Mas, não: dá-se grande destaque, por exemplo, ao fato de crianças estudarem em desconfortáveis escolas de lata. Publicam-se manchetes, reclama-se de tudo e de todos. Porém, quando houver a inauguração de escola nova (não importa por quem!) que substitua a de lata, quantas linhas serão gastas na imprensa ou quantas palavras serão ditas na tevê e no rádio para noticiar tal evento? Provavelmente, nem dez por cento do que gastaram criticando e reclamando. Isso é só um exemplo, que acontece com tudo o mais que é publicado na grande imprensa dita independente. Independente de quê? Onde está a isenção? E onde fica a ética?

Ganha, assim, o pessimismo. E perde o público, que nunca tem a noção exata do que realmente acontece.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:23 PM

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