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Sexta-feira, Julho 16, 2004
PARA NIETZSCHE
Nietzsche previu o super-homem, não o das histórias em quadrinhos, mas aquele que virá como conseqüência da evolução. Portanto, o super-homem está em cada um de nossos genes.
A vida é uma oportunidade única. O eterno retorno de Nietzsche não se refere a indivíduos que voltarão do além em reencarnações sucessivas, mas ao espetáculo da própria vida que se renova em cada nascimento de cada ser.
Somos nós os responsáveis por nosso destino. A morte de deus revela, apenas, que o homem é dono de si mesmo.
Pare para pensar um pouco: que falta faz o deus em sua vida?
Limpe a sua cabeça da idéia de deus e veja como a vida pode ser muito melhor.
Quando não há deus, tudo é permitido, principalmente viver!
Viver não é preciso, mas sem as incertezas da vida, o homem não seria feliz.
Viver foi, é e sempre será a única imprecisão do homem.
Quando Paulo de Tarso inventou o cristianismo, ele não sabia que estava atrasando o desenvolvimento intelectual da humanidade em, pelo menos, três mil anos. Esse foi o seu poder.
Ao criar os deuses, o homem brincou consigo próprio. E essa brincadeira custou muito caro.
Graças aos deuses, o homem perdeu sua vontade de potência. Para recuperá-la, não precisa matar esses deuses: basta não olhar para trás.
Os gregos conviviam com os deuses. Os deuses trouxeram o culto da morte. Os deuses morreram, mas seu culto permanece até hoje.
O homem é o único animal que tem a noção da morte. Essa foi a sua perdição.
A felicidade é uma utopia deísta. Esqueça-a e seja feliz!
Isaias Edson Sidney
16.7.2004
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:45 PM
Terça-feira, Julho 13, 2004
ELEIÇÕES MUNICIPAIS: ALGUMAS NOTAS MAL-HUMORADAS
UM: O Brasil tem mais de cinco mil e seiscentos municípios. Desses, pelos menos uns dois mil não têm a mínima condição de terem essa denominação e sobrevivem às custas de repasse de verbas da União. O famigerado Fundo Municipal ou sei lá o nome do dito cujo. Foram criados graças à esperteza de uns poucos, ao atiçar o orgulho de comunidades simples, enganadas pelas promessas de melhoria.
DOIS: Mas melhoria mesmo, só para os espertinhos, com a criação de centenas de milhares de empregos bem remunerados: prefeito, vereadores, funcionários... Empregos que não necessitam de nenhuma referência ou qualidade especial, apenas a esperteza.
TRÊS: E emprego de prefeito e vereador em pequenos municípios é a melhor sinecura que se pode arrumar. Ganha-se bem para trabalhar pouco. E pouco ainda é um eufemismo. Basta entranhar-se por aí, pelas cidadezinhas de menos de cinco mil habitantes (que são centenas ou milhares!), para ver as carências da população. Às vezes, um simples trator poderia melhorar a vida de uma comunidade, ao abrir uma rua onde há apenas picada no mato...
QUATRO: Mesmo em cidades maiores, a disputa pelos cargos de prefeito e vereador tem sido acirradíssima. Afinal, são o vestibular para vôos maiores na carreira política. Há muita gente de bem concorrendo, pessoas realmente interessadas no desenvolvimento de suas comunidades, mas a regra (que tem exceções, felizmente) é que acabam eleitos os espertinhos de sempre.
CINCO: Nas capitais, o dinheiro gasto para eleger um prefeito ou um vereador é muitas vezes (e põe muitas nisso!) o valor total dos ganhos durante o mandato dos eleitos. Por que, então, tanto empenho e tanto gasto? Como vão compensá-los, hem, hem? Tubo bem que o partido financia uma parte da campanha, mas ainda assim é muito pouco.
SEIS: Em São Paulo, a campanha promete emoções insuspeitadas. Marta Suplicy que se cuide. De um lado, um candidato (ex-prefeito!) que jura que não depositou no exterior o dinheiro extraviado de várias obras. Se não está no exterior, é melhor a polícia dar uma batida debaixo do colchão do dito cujo! Do outro lado, um ex-ministro e ex-candidato à presidência que não prima pela ética. Dono de um currículo invejável no quesito baixaria e dossiê (dona Roseana que o diga!), já colocou na rua os seus cães de guarda para ladrarem a torto e a direito. Sai de baixo!
SETE: Enquanto isso, a população vai votando... e escolhendo os piores! Como sempre. Assim, o tempo passa, as eleições se sucedem, o zé-povinho acredita em todas as promessas e depois reclama... e reclama. Mudar mesmo, nada! E quando muda, não vê, não enxerga, não apóia... Eta povinho besta!
Isaias Edson Sidney
13.7.2004
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:56 PM
Segunda-feira, Julho 05, 2004
DROGAS, DROGADOS, TRAFICANTES E HIPOCRISIA
Há temas que a sociedade ainda não sabe enfrentar. Por moralismo, por desconhecimento ou por falta de interesse. As drogas enquadram-se no primeiro caso. A sociedade não encara com seriedade o problema das drogas, por puro moralismo absurdo. Desde que se conhece o estrago que fazem as drogas ao organismo humano, o interesse é sempre crescente em relação ao tema. Falta um debate mais sério, sem pudores, sem manifestações emocionais, porque prevalece um falso moralismo a encobrir qualquer possibilidade de se chegar a uma solução definitiva.
O que eu vou dizer pode chocar a muitos, mas é uma realidade que não podemos esconder: há drogas, tráfico e a conseqüente violência, porque há drogados. Ou seja, porque há usuários. São os usuários os financiadores diretos ou indiretos de tudo o que acontece em relação às drogas. E só podemos começar a ter solução para todos os crimes relacionados às drogas, se resolvermos o problema de seu uso, ou seja, de acharmos um jeito de evitar que as pessoas se droguem. A solução fascista de prender quem usa não é a solução. Mas, a de passar a mão na cabeça do drogado, como a vítima e o coitadinho da história também não.
Se, numa família, alguém adoece, procura-se imediatamente o médico. Se necessário, receita-se remédio, interna-se o paciente, opera-se o órgão doente, enfim, busca-se a saúde a qualquer custo. Ora, o drogado também é um doente. Por que, então, não se busca a cura para essa doença? De imediato, assim que se constata o uso, sem meias soluções de passar a mão na cabeça do coitado e dar-lhe conselhos!
Também os governos deviam financiar a pesquisa para a cura da dependência das drogas, muito mais do que financiam a construção de cadeias. Não que as cadeias para os traficantes não sejam necessárias. Mas para uma unidade monetária gasta num presídio, pelo menos duas têm que ser usadas na prevenção e cura da dependência. Para isso, é necessário que as famílias deixem de lado pruridos de moralismo e de vergonha e busquem tratamento para seus doentes, façam pressão para que os cientistas encontrem formas mais efetivas de cura, exijam que os governos invistam em hospitais e clínicas e no financiamento de pesquisas que levem à descoberta de soluções.
No outro lado da ponta, há os traficantes. Também aqui há uma dose imensa de moralismo e falso pudor. Traficantes não brotam por geração espontânea. Nascem. E são criados por famílias de bem. No entanto, essas mesmas famílias de bem toleram o lado bandido do filho e permitem que o dinheiro do tráfico financie sua ascensão social, no início, quando o tráfico ainda é o de um pequeno empresário. Esquecem que não há retorno para quem entra no mundo da transgressão. E quando caem em si, estão enredadas na trama complexa da violência. Se não tivessem sido coniventes com os primeiros passos do filho na rota do crime, não estariam agora chorando as conseqüências de sua tolerância.
As famílias dignas devem tanto dar um basta ao consumo quanto ao tráfico. Devem deixar de lado seus moralismos e dificuldades e buscar para o usuário, a cura e para o traficante iniciante, a lei. Ambos são doentes. Ambos são curáveis. Para o traficante que ainda não cometeu crime de morte, um processo de reeducação longe das escolas de criminalidade que são os nossos presídios.
Para isso, a sociedade como um todo deve reagir com o rigor que exige a situação. Sem falsos moralismos. Se as famílias mais ricas, que financiam indiretamente o crime, ao tratar com condescendência um membro que consuma drogas, derem um basta a esta situação e partirem para uma solução radical de cura desse indivíduo, o problema das drogas e da violência ligada a elas começará a ser equacionado.
Se as famílias mais pobres, de onde quase sempre saem os traficantes, ao perceberem qualquer indício de aliciamento de um de seus membros, derem também um basta à situação, buscando uma solução para o problema com as autoridades, o outro lado da equação se fecha e o problema da violência ligada às drogas poderá encontrar uma saída.
Para isso, no entanto, é necessário que a sociedade se una, que pressione as autoridades constituídas em busca de leis mais justas e mais sérias, de soluções mais adequadas e de apoio em suas ações. Não adiantam as passeatas dos ricos contra a violência. Não adiantam os protestos dos moradores de morros e favelas contra a invasão de traficantes. Todos precisam marcar suas posições e se manterem firmes na defesa de seus interesses comuns: acabar com os drogados e com os traficantes.
Aceitar que o uso de drogas é uma doença que precisa ser tratada e que traficante não nasce por geração espontânea, mas provém de famílias dignas que fecham os olhos para a primeira contravenção. Esse o passo necessário e inicial. Sem moralismos, sem hipocrisias.
ISAIAS EDSON SIDNEY
5 de julho de 2004
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:25 PM
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