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Sexta-feira, Junho 25, 2004
BRIZOLA: A MORTE DE UM MITO
O golpe de 1964 criou alguns mitos. E o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, sem dúvida, foi um desses mitos. Político audacioso, macho, enfrentou a ditadura, foi perseguido, cassado e exilado. Dono de grande capacidade de oratória e argumentação, parecia constituir uma muralha democrática contra os abusos que se seguiram, durante os anos negros do regime militar.
Quando voltou ao Brasil, pensei: vai incendiar o País!
No entanto, nesses últimos vinte anos de militância política, Leonel Brizola, o leão do sul, foi perdendo os dentes e sua mordida se transformou em rancores e invejas. Por duas vezes, governador do Rio, não do Rio Grande do Sul, sua terra, mas do Rio de Janeiro, não foi um grande administrador. Fez política paroquial. Pouco contribuiu para o debate democrático de que o País necessitava. Não aprofundou suas idéias, que continuaram as mesmas da época do getulismo. Era, portanto, um político de tiro curto. Quando instado a somar, dividiu. Manteve com as esquerdas, principalmente com o Partido dos Trabalhadores, uma relação conturbada, por não entender a natureza das mudanças que aconteciam no Brasil e no mundo. Com Lula, então, manteve um misto de admiração pela capacidade de liderança e avanço dos ideais de esquerda que ele representava e de inveja, por não conseguir alcançar o seu poder de falar aos trabalhadores. Como líder populista, não entendia a popularidade do ex-metalúrgico. E quando Lula chegou, finalmente, ao poder, deve ter-se moído de ciúmes por dentro. O PT soube fazer o que ele não conseguiu: alianças vencedoras. Porque Brizola, que podia ter sido um dos maiores estadistas do Brasil, tinha ficado para trás, não modernizara o discurso, não tirara as teias de aranha de seu populismo ultrapassado, não conseguira mobilizar as massas como muita gente, eu inclusive, imaginara. Uma pena.
Morto Brizola, apesar de tudo o que eu disse acima, ainda assim acredito que tenha cumprido um papel importante na história política do Brasil do século vinte, um século complicado para nosso País. E o simples fato de nunca ter sido engolido pela elite paulistana, que o temia, já é motivo suficiente para eu o admire, mesmo que não tenha tido o brilho que dele se esperava no processo, ainda em curso, de democratização e de modernização de nossas instituições políticas.
Isaias Edson Sidney
25 de junho de 2004
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:21 PM
Segunda-feira, Junho 14, 2004
UM POUCO DE FUTEBOL, PARA VARIAR:
SÃO PAULO E ONCE CALDAS: AINDA BEM QUE A BOLA NÃO ENTROU!
10.7.2004
Sim, ainda bem que a bola não entrou!
Não estou falando, é claro, das três ou quatro oportunidades de gol que o São Paulo perdeu, o que é mais ou menos normal num jogo. O que não é normal, ou não seria,
levar um gol aos quarenta e seis minutos do segundo tempo, de um time que não fez nenhum ataque digno desse nome durante os noventa minutos anteriores. Se aquela bola entrasse, o desastre teria sido irremediável.
Há coisas que surgem na nossa cabeça e não há nada que tire. E nada tira da minha cabeça que a Libertadores é um torneio criado para ser vencido pelos hermanos, principalmente argentinos. Claro, alguns times brasileiros ganharam taça, mas foi ou por descuido de los hermanos ou porque eram times excepcionais. É só ver a história. Nem vou citá-los. Porque me interessa, mesmo, é falar sobre o jogo de ontem, 9 de junho de 2004, com Morumbi lotado (75.000 torcedores), e o empate fatal.
Não foi jogo de torcida única. Foi jogo de time único. E o São Paulo não teve competência para vencer a retranca armada pelo técnico do Once Caldas. Perdeu todas as oportunidades de gol criadas ¿ três ou quatro ¿ o que é muito pouco para um time que tinha a pretensão de chegar às finais da Libertadores. E isso, na minha opinião, foi fatal.
Como um dominó sem controle, todos os times brasileiros vão caindo na Libertadores. E ao São Paulo só resta sonhar com a sorte. Muita sorte.
O jogo na Colômbia, a 2.2000 metros de altitude, com pressão da torcida sobre os jogadores, sobre os árbitros e sobre quem mais se apresentar em campo, tem , agora, um grande favorito: o time da casa. Porque não pense o São Paulo que o Once Caldas irá para cima, num jogo aberto, em que o seu melhor futebol conseguiria prevalecer. Como se dizia antigamente, pode tirar o cavalinho da chuva. Lá como cá, os colombianos continuarão cultivando a mesma retranca. Com uma diferença: em vez de renunciar ao jogo, como fizeram no Morumbi, ousarão contra-ataques, com certeza exaustivamente ensaiados, quando o São Paulo menos esperar. Habilidade eles têm. E malícia: a jogada dos 46 minutos, quando o atacante peruano driblou toda a defesa do São Paulo deve acender uma luz vermelha na cabeça do Cuca. Malícia para conseguir um gol através de uma falta (como fez contra o Santos, que caiu na mesma armadilha) ou de um pênalti duvidoso.
Posso, é claro, estar queimando minha língua e o São Paulo voltar da Colômbia com uma vitória consagradora. Mas isso, infelizmente, é sonho de uma noite de inverno. Mesmo que a partida seja decidida nos pênaltis, ainda assim, a chance do time brasileiro é bem menor. São Rogério pode fazer e defender pênaltis. Mas não duvido que, em caso de defesa, o juiz voltar a cobrança, alegando que o goleiro se adiantou.
Porque assim é a Libertadores, a copa inventada para ser vencida por los hermanos. Brasileiro, só se for fora de série. E isso, o São Paulo não é.Resta, portanto, a sorte. Principalmente porque a final será contra los hermanos argentinos!
Isaias Edson Sidney
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 5:53 PM
Segunda-feira, Junho 07, 2004
NÃO É PRECISO PENA DE MORTE, MAS...
Jovem, vinte e poucos anos. Estudante de medicina. Mantido com mesada, em São Paulo. Filho, portanto, de família de posses. Um dia, enche o nariz de cocaína, para ganhar coragem e mata três pessoas num cinema. Não as conhece. Mata, apenas por matar. Não tem distúrbios mentais, é apenas um assassino. Pena: 126 anos de cadeia. Mas cumprirá apenas 30, pelas leis brasileiras. Ou seja, se não for agraciado com outras reduções previstas em nosso Código Penal, tão humano, sairá da cadeia com cinqüenta e poucos anos. Talvez para matar de novo.
Os defensores de nosso Código Penal bonzinho argumentam que a pena deve ter por objetivo tentar recuperar o meliante, o qual deve sempre ter uma segunda chance. Concordo, em gênero, número e grau, desde que o crime não envolva morte. Assassino não pode e não deve ter segunda chance. Porque a vida não tem segunda chance. As pessoas mortas nos cinema do shopping, em São Paulo, não tiveram e não têm uma segunda chance. Seus familiares e amigos, também não. Portanto, crime de morte tem que ter pena máxima. Sem dó nem piedade. Deve ser exemplo, não recuperação. Não se recuperam assassinos frios.
Também acho uma perda de tempo e de recursos públicos julgamento por júri popular nesses casos, de assassinos confessos ou claramente reconhecidos como tal por provas incontestáveis. Bastaria um júri singular, para pronunciamento da sentença. Com menor sofrimento para parentes e amigos das vítimas. Com menos circo e com menos gasto. Júri popular, somente para crimes em que possa haver atenuantes ou dúvidas, como, por exemplo, no caso de autodefesa da vida, de matar para não morrer. Ou em situações limite, como as vividas por policiais. Ou, ainda, como no caso do dono do cão que escapou e matou uma criança (crime que está sendo considerado culposo, conforme noticiário de jornais).
Nosso Código Penal não pode continuar sendo leniente e tão pouco rigoroso, como tem sido. Os tempos mudaram. As pessoas mudaram. Ninguém, em sã consciência, deve defender a pena de morte, que deve ser banida de qualquer sociedade. E penas mais longas, é claro, não vão acabar com a violência que grassa por aí. Mas não podemos continuar dando à vida humana tão pouco valor. Tanto o assassino do shopping, como qualquer outro assassino, deve ser mantido o mais tempo possível longe da sociedade. De preferência, para sempre.
Isaias Edson Sidney
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7.7.2004
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:17 PM
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