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{Quarta-feira, Abril 28, 2004}

 
MAIS UM PAPELÃO DO STF

Francamente, que Juiz é esse? Conceder liminar para um marginalzinho vagabundo, como o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, não dizer a verdade numa comissão de inquérito já é demais. Que coisa feia, ministro Cézar Peluzo! Incompetência ou sacanagem, mesmo?

DEVOÇÃO

Há homens que ficam na História, por sua história, que devia, também ser escrita com H maiúsculo. Por sua dedicação ao ser humano. Por sua luta por um mundo melhor. E, acima de qualquer ideologia, são homens que deram a vida por suas idéias e merecem a admiração e o reconhecimento de todos.

A Argentina tem um homem assim. Sua vida foi um exemplo para a humanidade. Não precisam, pois, os argentinos, erguer altares a falsos ídolos. Basta homenagear a honradez de ERNESTO CHE GUEVARA.

CAIXÕES

A divulgação das fotos dos sacos negros com os mortos no Vietnã abalaram os Estados Unidos na década de 1960. Deu no que deu e a história está aí para quem quiser saber as conseqüências.

Agora, são as fotos com os imensos caixões cobertos com a bandeira colorida que chegam à imprensa, embora tivessem sua divulgação proibida.

A consciência norte-americana só desperta na porrada. É como a mãe Coragem, de Brecht: só percebe que a guerra é cruel, quando perde seus filhos.

No Iraque, após um ano de ocupação, batalhas sangrentas continuam ceifando a vida de milhares de pessoas. Inocentes ou culpados? Mortos não são inocentes ou culpados. São apenas mortos.

No entanto, se os mortos pertencem ao inimigo, para a consciência dos norte-americanos, isso não é problema deles.

Agora que os caixões cobertos com a bandeira colorida transformam em realidade visível a triste estatística de números abstratos, será que essa consciência, enfim, despertará? Será que o eleitor norte-americano irá perceber que o vampiro que suga o sangue da nação não pode ser reeleito?

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:22 PM


{Segunda-feira, Abril 26, 2004}

 
RESCALDOS DA BIENAL DO LIVRO

Três pragas nessa Bienal do Livro de São Paulo, que terminou em 25.4.04:

livros infantis;

livros de auto-ajuda;

livros religiosos.

Está certo: a primeira praga pode ser contestada. Mas, quando se vê a quantidade de bobagens publicadas para as crianças, a gente não pode deixar de reconhecer que há muita gente querendo o rico dinheirinho dos papaizinhos e mamãezinhas das pobres criancinhas... Não sei até que ponto uma literatura de má qualidade pode realmente incentivar o público leitor. Enfim, acho que é, mesmo, uma praga.

Quanto às outras duas, não há dúvida: engana a si mesmo quem busca ajuda em livro de auto-ajuda. E agora com a ajuda das editoras religiosas. É muita merda junta. Tudo caça-níquel. E de centavo em centavo, as burras de editoras, livreiros e autores vão-se enchendo às custas das crendices de um povo que precisa ler, sim, mas literatura decente, de boa qualidade. Não esses paulos coelhos e zíbias gasparettos da vida.

E por falar em literatura de boa qualidade, nessa Bienal, para encontrar bons livros era necessário ser maratonista. Com as exceções de praxe (livrarias e editoras que ainda publicam obras sérias), o destaque fica com as editoras universitárias, que têm muito livro técnico, mas que prestam bons serviços à cultura e à divulgação científica.


Isaias Edson Sidney
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:38 PM


{Sexta-feira, Abril 23, 2004}

 
HÁ UMA ONDA DE SAUDOSISMO AUTORITÁRIO NO AR: IGNORÂNCIA , IMPACIÊNCIA OU MÁS INTENÇÕES?



André Franco Montoro. Ex-governador de São Paulo. Grande líder político. Como sentimos sua perda! Um homem de quem pouco se fala e que não merece esse certo silêncio em torno de seu nome. Um homem que freqüenta a galeria de minhas poucas admirações.

Por que, agora, lembrar Franco Montoro?

Vou recontar uma historinha, que já devo ter contado muitas vezes. Quando assumiu o Governo de São Paulo, depois de vários anos de administrações autoritárias, corruptas e incompetentes, o Estado estava quase falido. As demandas eram imensas. Havia no ar uma esperança mais do que absurda por uma administração finalmente honesta e democrática. Mais do que esperança, havia uma grande cobrança por resultados imediatos. Logo no início de seu governo, no entanto, os professores, depois de anos de achaques e achatamentos salariais, fizeram uma greve que se tornou incontrolável. Os grevistas marcharam contra o Palácio dos Bandeirantes e derrubaram parte de seus muros e alambrados. O que faziam os governantes anteriores diante de uma situação como essa? Não pensavam duas vezes em lançar sobre os manifestantes toda a força policial, com cães e bombas, brucutus e cavalaria. O que fez Franco Montoro? Não colocou a tropa contra os manifestantes. Não reagiu à violência de um ato impensado com a violência maior do estado. E foi um grande escândalo na mídia! Covardia foi o mínimo que se insinuou no noticiário da imprensa e se espalhou pela sociedade e pelos ditos formadores de opinião. Ultrapassado o impasse, com negociação e bom senso, Montoro terminou seu governo como estadista: colocou em ordem a bagunça orçamentária do Estado e ainda deixou obras e planos que permitiram, apesar de alguns maus governantes que o sucederam, tirar São Paulo das aventuras administrativas do tempo do autoritarismo. Mas nunca deixou de ser um democrata.

Democracia é isto: o tipo de governo mais difícil de ser administrado. Exige uma coisa que a maioria das pessoas não possui: bom senso. E cautela. Muita cautela com os apressadinhos e os maus democratas de plantão. Porque cautela e bom senso, como caldo de galinha, não fazem mal a ninguém. Aliás, só fazem bem. E dentro do bom senso, agasalham-se qualidades outras que fazem a diferença entre o governante verdadeiramente democrata e o autoritário: visão de futuro, capacidade de negociação e paciência, muita paciência. Coisa que, também, a maioria das pessoas não cultiva.

Por que tudo isso agora?

Vejam o resultado de uma pesquisa feita pela ONU em países da América Latina: mais de cinqüenta por cento das pessoas pesquisadas afirmam preferir um governo autoritário que resolva seus problemas a um governo democrático como o que têm agora.

O que parece, aos olhos de analistas, políticos e demais seres pensantes, uma grande prova de ignorância do povo, apenas demonstra que o conceito de democracia não foi bem assimilado pelo comum da população. Realmente, por abstrata, a democracia não se resolve no velho slogan de ¿governo do povo, para o povo e pelo povo¿. Implica um sofisticado sistema de valores e princípios que muito poucos logram alcançar. Não é e nunca foi a panacéia milagrosa que muitos pensam. Também não é e nunca foi a única forma de governo ou a que mais deu certo. É apenas a forma mais humana de convivência entre os homens dentro de uma nação ou de um estado moderno. E há períodos e situações em que essa forma de convivência pode tornar-se penosa e complicada, se não houver, por parte do povo e de seus líderes, uma verdadeira compreensão desse momento e de suas implicações. Trocá-la por sistemas autoritários, com os quais é mais fácil de lidar, torna-se, muitas vezes a saída para mais fácil para o pesadelo futuro. Porque, no autoritarismo, as regras são claras. Há o que se pode e o que não se pode fazer. Os limites são estabelecidos e todos devem tratar de cumpri-los. Sob as duras penas da lei e sob o chicote de quem a faz e manipula de acordo com seus interesses. Na democracia, não. Os limites são tênues ou quase inexistentes. Não há regras precisas que pré-estabeleçam comportamentos. Há que serem construídas a cada momento. Com conversa. Com negociação e perda de tempo. Na democracia, perde-se muito tempo com palavrório. E isso incomoda os imediatistas, que confundem a tolerância de um Franco Montoro com covardia, com inércia e falta de projeto. No entanto, não há outro caminho. Ou nos acostumamos a ouvir todas as partes e buscar o que é melhor para todos ou para a maioria, e isso é muito, muito penoso e complicado, ou ficamos a chorar pelos cantos com saudade de líderes autoritários que nos digam de imediato como proceder.

Esta a armadilha de um governo democrático: ter de prometer o paraíso e só poder cumprir essa promessa com a ajuda de todos, com o consenso da maioria, após um longo período de negociação, de construção do futuro, como uma casa em que se coloca cada tijolo de uma vez. Porque a democracia não é uma casa pré-fabricada. Urge, sim, que a construamos, mas na árdua tarefa do dia-a-dia, sob sol e sob chuva, com um projeto nas mãos, sem dúvida, mas sem o chicote do feitor. Porque, na construção do edifício da democracia, engenheiros, empreiteiros e peões são todos iguais perante a lei. Ninguém, rigorosamente, impõe sua vontade, mas ela é fruto do consenso e do bom senso que busca o bem comum. Não adianta querer colocar o telhado antes das paredes, ou as paredes antes das fundações. Há uma ordem a ser cumprida, dentro desse bom senso, e tudo tem de ser muito bem discutido, muito bem compreendido por todos, para que o resultado final não se transforme no pesadelo de uma casa com bela fachada, mas que se mostrará depois inabitável por erros de uma construção que teve um só responsável. Todos somos responsáveis. E não adianta querer colocar o carro na frente dos bois: há um processo de amadurecimento, que pode ou não ser abreviado, em função da boa vontade dos que se dispuserem a levar até o fim a construção da casa, que não precisa ser perfeita, mas precisa agradar a todos e servir ao fim a que se destina. Isso é democracia.

Todo esse palavrório para lembrar mais algumas coisas e comentar o que está acontecendo no momento com um governo que foi escolhido como esperança e parece frustrar essa esperança.

Durante os oito anos de Fernando Henrique, que é, também um democrata, não podemos negar, apesar de discordarmos dos rumos de seu governo, a oposição, hoje no poder, cansou de bater bumbo, de gritar fora FHC sob qualquer pretexto, sem que isso desestabilizasse, por um momento sequer, o regime em vigor. Nós, os cães da oposição, ladrávamos e caravana passava. Agora, nós somos a caravana. E os cães têm todo o direito de ladrar, latir, uivar. A nossa caravana também passa, enquanto isso. Porque isso faz parte da democracia. Não há por que ficar a imprensa a inventar crises ou os atuais governantes a não continuar governando. Se Fernando Henrique cometeu erros, sim, que todo governante, sem exceção, os comete, não deixou, no entanto, de ser democrata nem teve arroubos autoritários. Nem os terá os atuais, que são, também, democratas. E conhecem as regras do jogo. Um jogo que não pode dar pontos para os adversários, os autoritários de plantão, que vivem de colher o que os outros plantam, para impor suas idéias autoritárias.

Por outro lado, a política econômica do governo FHC foi tão competente nos seus objetivos maiores, que não eram necessariamente os objetivos do povo, que se tornou a maior armadilha para qualquer outro governo que lhe sucedesse. É impossível fugir aos compromissos assumidos. Desarmar a ratoeira num só golpe implicaria machucar a mão de quem tentasse fazê-lo. E isso iria doer, e muito, não só em quem o fizesse, pois a conta seria paga por todo o povo. O nó foi muito bem aplicado. Desamarrá-lo e desarmar a ratoeira, para buscar novos caminhos, implica paciência e negociação. Implica desfazer e refazer acordos. E isso leva tempo, pelo menos num governo democrático. Porque o País já teve mil receitas mirabolantes, mil pacotes salvadores, mil planos escorchantes e absurdos e tudo deu em nada, ou melhor, deu em mais miséria, em mais sofrimento, em mais adiamentos de um futuro melhor, por que todos sonhamos.

Também as demandas sociais, amarradas ao longo de muitos anos de política excludente, precisam ser cumpridas. Precisam ter um rumo certo, que atinja os seus verdadeiros objetivos. No entanto, o Estado herdado é pesado e inoperante. Muito antes de FHC. Há quase quinhentos anos de incompetência, pelos mesmos de sempre, que sempre souberam governar apenas em favor de seus interesses. A máquina administrativa encontra-se viciada por velhas práticas e antigos dogmas. Por isso, há espaço para gritarias e para greves absurdas. Para demandas longamente reprimidas que agora explodem com impaciência. Como se um governo democrático tivesse a varinha mágica do autoritarismo para fazer valer todas as vontades, sem nenhuma discussão, sem nenhum consenso.

Por isso, meu caro leitor (se leitores tenho), não há que se exasperar diante das críticas ferozes, dos rosnares de velhos ministros togados criados nos desvãos do autoritarismo, acostumados com as velhas práticas do chicote. Não há por que se assustar com o noticiário tendencioso de jornalistas ansiosos pela boa e velha manchete que vende jornais quando anuncia a pior desgraça. Também eles ainda carregam em suas veias um pouquinho do veneno longamente inoculado do bom e velho autoritarismo, que via tudo pelo prisma do imediatismo. Eles, os jornalistas, precisariam ter em sua formação um pouco do olhar sábio e às vezes cansado do historiador, que olha o passado com visão de futuro ou o futuro com a experiência do passado, mas que sabe que tudo passa, que tudo se esvai e que ficam apenas os poucos e grandes feitos.

Porque, diante de demandas há tanto reprimidas, e da realidade de um governo finalmente comprometido com essas demandas, mas um governo acima de tudo democrático, não é absurdo o abuso do direito de reclamar, não é absurdo o grito se transformar em ações impensadas. O que não se pode é entrar na paranóia de que não há autoridade, de que tudo está perdido, de que o medo venceu a esperança. São momentos difíceis, sim. E momentos pelos quais todo governo democrata tem de passar, para amadurecer e fortificar-se, não com a força de medidas autoritárias, mas com o diálogo e negociação, práticas que ficam esquecidas em momentos de tensão, de nervosismo, como se a democracia fosse a culpada por anos e anos de políticas e práticas excludentes e, agora, por não possuir o condão da mágica autoritária de resolver tudo no porrete, se tornasse, de repente, obsoleta e incapaz. Não podemos cair na armadilha do discurso dos impacientes, dos que adoram comer o cru, porque lucram com a desgraça do povo e com os podres poderes dos regimes autoritários.

E nós, o povo, precisamos cultivar, por mais que isso seja difícil, a velha arte do otimismo responsável, que não só cobra resultados, mas que ajuda a consegui-los. Que segue o exemplo do ex-governador de São Paulo que, com paciência e tenacidade, conseguiu construir uma casa bastante habitável para todos. E se eu disse tenacidade é porque cobro, sim, de todos, a necessária sapiência de compreender que só há milagres em governos autoritários e os milagres, por serem mistificadores, deixam na boca, um sabor amargo; no lombo, muitas feridas e, para todos, muitas, muitas contas a pagar.

Isaias Edson Sidney

ex-professor e dramaturgo

São Paulo, 23 de abril de 2004.


posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:17 PM


{Sexta-feira, Abril 09, 2004}

 
FUNDAMENTALISMOS

Sempre se condenam os fundamentalismos mais explícitos, de muçulmanos a igrejas pentecostais, mas ficam relegados a segundo plano os fundamentalismos católicos. Principalmente, quando detêm poder na mídia, através de filmecos de pregação ideológica anti-semita, como a bobagem perpretada por Mel Gibson.

No entanto, eles estão aí. Com a mão na tocha, loucos para acender algumas fogueiras como seus antepassados inquisidores. Têm tradição nisso, esses grupelhos que, de idiotas, só têm mesmo a doutrina absurda que defendem. Porque são muito, muito espertos. E perigosos. Haja vista a notícia da ameaça ao filme de Almodóvar, que fala de pedofilia de padres católicos (que sempre existiu e continua existindo, sob a vista grossa do Woytila).

São poucas as vozes que condenam esse tipo de censura, imposta por uma minoria de fanáticos católicos imbecis. Não se pode descuidar desse tipo de coisa, caso contrário logo teremos de novo nas ruas as procissões inquisitoriais, a exigir punição para os que ousam contrariar suas idéias e, depois, até mesmo a vestir o sambenito em artistas e pensadores que não rezem por sua doutrina.

A liberdade de pensamento é uma das mais gratas conquistas humanas.

Não se pode, em pleno terceiro milênio, permitir que grupos fundamentalistas, sejam de católicos, judeus, muçulmanos ou de qualquer outro agrupamento humano, queiram impor suas idéias, suas concepções arcaicas e suas ideologias.

Pensem e pratiquem suas crenças como quiserem, mas respeitem todas as demais religiões e respeitem o direito de manifestação de quem quer que seja, não importa se crente ou ateu.

Pelo respeito entre os povos e as pessoas!

Por um mundo sem perseguições, principalmente de natureza religiosa!

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:45 PM


{Quarta-feira, Abril 07, 2004}

 
UM LIVRO SAGRADO

Entre os humanos há os que dizem: Cremos em Deus e no Dia do Juízo Final. Contudo, não são fiéis.
Pretendem enganar Deus e os fiéis, quando só enganam a si mesmos, sem se aperceberem disso.
Em seus corações há morbidez, e Deus os aumentou em morbidez, e sofrerão um castigo doloroso por suas mentiras.


O texto acima é do Corão, o livro sagrado. Ele mesmo, o livro sagrado. Como a Bíblia. Como a Torá. São escritos inspirados por deus aos homens. Anunciados como doutrina e como regras de convivência dos homens.

Em todos eles, o que se vê é um deus soturno, vingativo e cruel. Ai dos que não o seguem. Serão sempre destruídos, queimados, torturados, jogados no inferno. Para sempre.

Em, praticamente, cada cinco linhas do Corão, uma é para execrar os que não seguem sua doutrina. Ou seja, o deus muçulmano também só sabe fazer ameaças. Tantas quantas o deus cristão e o deus judeu. Todos eles são furibundas divindades da exclusão.

Esta a verdadeira revelação quando se lêem os chamados livros sagrados:

Não há saída para os deístas.

Com seus deuses cruéis e assassinos, não há possibilidade de paz entre os homens.

Não há possibilidade de RESPEITO entre os homens.

Com essa tradição de milhares de anos da cultura de exclusão, de destruição daqueles que são diferentes, só podemos esperar a continuação das ¿guerras santas¿, do terrorismo, da construção de muros que separam, da continuação da miséria absoluta, da escravidão, das lutas tribais e da carnificina.

Quando tentei ler o Corão, tinha a esperança de encontrar alguma coisa a mais que as diatribes imbecis de aiatolás enlouquecidos. No entanto, não há o que dizer. Eles ¿ os aiatolás ¿ estão certos. O seu deus é mesmo sanguinário e vingativo. Não há saída.

A minha esperança estava, de certa forma, embasada em alguns depoimentos de pessoas ditas inteligentes de várias épocas, que diziam ter encontrado no Corão um código filosófico de grande sabedoria. Não vou citar essas pessoas ditas inteligentes. Não merecem. Porque só encontrei no Corão um conjunto de absurdidades que me deram nojo.

Nojo!

Apenas o vômito dos verdadeiros humanistas merecem esses livros ditos sagrados: corão, bíblia, torá ou que mais haja de escritos iluminados.

É isso o chamado amor a deus? A um deus que só deseja vingança e destruição de seus desafetos? Que porra de deus é esse?

Não, não há saída para os deístas.

E não há saída para uma humanidade que cultiva e cultua esse tipo de coisa como doutrina filosófica, como diretriz de vida.

O ódio é o alimento de deus. E o ódio de deus envenena o homem.

Não há saída.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 5:34 PM


{Terça-feira, Abril 06, 2004}

 
TARDE DE CHUVA EM SÃO PAULO

Na tarde de chuva forte, a cidade extravasa humores de enchentes e congestionamentos. Pela televisão, não consigo condoer-me da grita geral contra os governantes. O caos não tem dono. Ou, pelo menos, não um único dono. São Paulo cresceu sobre uma malha de rios, riachos, ribeirões e córregos. Caminhos e mais caminhos de águas. Uma cidade aqüífera. No planalto, uma Veneza quase aérea, a esperar respeito por suas vias líquidas. Sobre os meandros de seus infinitos caminhos de águas, o homem ergueu a cidade. Construiu vias de asfalto sobre os leitos líquidos. Engessou a liberdade de expansão das águas verticais que se horizontalizam e se expandem em húmus e vida. O que era para ser comemoração ¿ as águas de março, fechando o verão ¿ torna-se tragédia. Com atores irados, em busca de uma solução que não existe. Ou se acostuma com as águas, ou se muda. As águas de São Paulo não têm alma, não têm preferências, não têm governantes. Descem livres e anseiam pela expansão e pela liberdade. Que se construa, então, outra cidade, outros caminhos para o homem. Que os caminhos das águas têm milhares de anos e renovam-se sempre, a cada chuva mais forte. Para testar os humores ¿ ou o mau humor ¿ de quem não teve nem um pouco de visão ao fazer o que fez: tentar domar as águas do planalto. Que são livres. Livres para encher a tarde de lamentos e beleza.

posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:49 PM


{Quinta-feira, Abril 01, 2004}

 
NO RASTRO DO BUDISMO: O NÃO-SOFRIMENTO
1.4.2004

Rejeito a busca da felicidade como razão da existência humana. E não compreendia muito bem, em termos filosóficos, por que razão meu intelecto me levava a pensar assim. Quando, no entanto, comecei a ler sobre o budismo, encontrei nele algumas indicações para uma possível resposta.

No primeiro texto budista que li, estranhou-me o conceito da existência do sofrimento, ou duka. Algo como insatisfatoriedade, ou seja, desajuste ao mundo, à vida. Mais adiante, um mestre budista, de forma simples, aclarou melhor o conceito. Afinal, é para isso que existem os mestres, ou estudiosos, os experts.
O lama Padma Samten, numa palestra em Viamão, RS, assim se expressou:

Quando o Buda era um príncipe, percebeu que todos os seres estavam submetidos a uma doença geral. Essa doença tem um nome específico, mas não existe correspondente para essa palavra no Ocidente. Lá no Oriente chamam essa doença de duka. Embora todos tenhamos essa doença, talvez não percebamos sua existência. Essa doença é algo como alegria e sofrimento inseparáveis. Na visão budista existe uma única palavra para esses dois conceitos, eles não podem ser separados. Em nossas línguas acontece o contrário, estes conceitos estão separados e não podem ser unificados em um único termo.

Duka pode ser explicado de forma simples a partir do fato de que, quando temos alegrias, elas são sempre, simultaneamente, sementes de sofrimento. Dizemos que esta é uma experiência cíclica: é como uma roda girando entre as polaridades de estar bem e estar mal. Gostaríamos de encontrar o freio quando estamos na região de felicidade, e gostaríamos de acelerar quando estamos tristes. Às vezes achamos que encontramos um controle de velocidade desse tipo, mas logo surgem problemas nessa tentativa de controle.

O primeiro exemplo que me surge é o de uma mãe que deseja ter um filho. Quando o bebê nasce, primeiro ela pensa: "Que maravilha!" Depois ela percebe que tudo que acontece ao filho a perturba intensamente. Na exata medida da intensidade daquela alegria, surge o sofrimento. E assim é com todas as relações humanas.
(http://www.geocities.com/~bodisatva/budaintro.htm)

A filosofia budista é uma espécie de remédio para esse mal. Através de vários ensinamentos, o homem busca a compreensão de que a vida é assim e, ao encontrar o equilíbrio (o caminho do meio), conseguirá viver melhor, em harmonia com a natureza, com o outro e consigo mesmo. No equilíbrio, está, portanto, o estado de iluminação, o conhecimento que o torna um ser íntegro, ético e apto a respeitar a vida como o bem supremo que ele tem. Por isso, o primeiro grande ensinamento do código budista é a reverência à vida, muito anterior ao primeiro mandamento judaico-cristão (não matarás).

A grande diferença entre o budismo e a crença judaico-cristã é que o sacrifício de Buda (ou dos budas) foi a pregação do conhecimento e da busca do equilíbrio como forma de compreensão de si mesmo e do mundo. E Buda não precisou morrer por isso. Nem prometer vida eterna ou outras idiotices da seita judaico-cristã. Nem precisou dar sua vida pela salvação do homem, porque esse conceito, por absurdo e abusivo, não existe no budismo. Com isso, sua filosofia enaltece a vida e não a morte. Nada adianta o não matarás, se o ato de morrer em sacrifício ( e pelas mãos dos outros, dos ímpios) é que se transforma no grande meio de alcançar a felicidade, bobagem compartilhada com os muçulmanos extremistas e seus homens-bomba.

Portanto, como já escrevi anteriormente, buscar a felicidade por qualquer meio não pode ser o objetivo crucial do homem, pois isso acaba gerando distorções que levam a crenças sangrentas e sanguinolentas, no seu culto à morte como salvação para o sofrimento.


Isaias Edson Sidney
isasidney@uol.com.br
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:35 PM

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