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Terça-feira, Agosto 05, 2008
SOBRE HOMENS E DINOSSAUROS
Não sou negro. Também não sou branco. Nem índio, nem amarelo, nem de qualquer outra cor. Corre em minhas veias sangue – vermelho. Minha pele podia ser roxa ou lilás. Mesmo assim, ainda seria um ser humano. Tenho entre as pernas um membro exterior, mantido a testosterona. Meu cérebro foi, por isso, educado e condicionado a pensar como macho. Podia ser o contrário: membros internos, mantidos a progesterona. Com um cérebro educado e condicionado a pensar como fêmea. Em ambos os casos, seria (como sou) um indivíduo da raça humana. Não importam as características que nos diferenciam, por termos nascido homens ou mulheres. Não importa se temos diferentes a cor da pele ou dos cabelos, ou o tamanho dos olhos. Não importa se nasci e cresci no Alaska ou em Paris. Se tenho barba ou seios. Se tenho mais ou menos modos à mesa ou costumes estranhos ao comer, ao vestir, ao andar, ao viver, enfim. Somos todos humanos.
No entanto, o fato de sermos todos humanos não nos coloca no mesmo barco civilizatório. A raça humana, embora tenha desenvolvido capacidades e habilidades fantásticas em muito pouco tempo, se pensarmos em termos evolutivos, ainda conserva resquícios tenebrosos de seu passado glacial, aquele passado envolto em gelo e luta pela sobrevivência, quando nossos ancestrais aprenderam a usar a oposição do polegar para melhor abater não só a caça mas também o semelhante que pudesse chegar primeiro ao animal a ser devorado.
Somos humanos. Mas carregamos em nosso cérebro, em nossos genes, em nossa formação cultural, elementos terríveis de barbárie, de desejos de subjugação do outro e de destruição. Temos em nossa boca o gosto de sangue de nossos semelhantes e ainda não conseguimos impedir que instintos bárbaros nos façam desprezar a vida alheia por mesquinharias do dia-a-dia.
Já disse algures e repito-o agora: não somos anjos decaídos, mas bestas evoluídas. Não completamente evoluídas, porque o processo evolutivo tem caminhos infinitos que não conhecemos, tem meandros que não concebemos, tem experiências que não entendemos. Somos uma parcela mínima no imensurável rio da vida, que corre aparentemente sereno, mas que esconde águas revoltas, corredeiras e cachoeiras em seu lento e insensível deslizar para um oceano que nem nossa mais delirante imaginação será um dia capaz de sonhar.
Como qualquer outra espécie, o ser humano pode ser a praga a devorar as entranhas do planeta, se proliferar sem controle. Um vírus. Capaz de destruir a si mesmo e ao ambiente em alguns milhares de anos, interrompendo sua trajetória e desviando o curso evolutivo para outra espécie de vida que melhor se adapte àquilo que deixarmos como herança. Poderemos ser, daqui a sessenta milhões de anos, nada mais do que lembranças, como são lembranças de sessenta milhões de anos atrás os famosos dinossauros, que um dia dominaram a Terra.
Os dinossauros não tinham da natureza o domínio que a raça humana tem. Seu destino, portanto, era a inexorável destruição, por falta de meios de sobrevivência, mesmo que (segundo algumas teorias) eles não tivessem desaparecido na poeira de um estrondo imenso provocado pela colisão de um asteróide, que mudou o clima da Terra. A raça humana não precisa de um astro ameaçador vindo das profundezas do espaço: estamos despejando sobre a Terra, com a poluição, com a superpolução, com a destruição das reservas naturais, vários asteróides por ano, pequenos ainda, mas seu efeito devastador se fará sentir em algumas centenas ou milhares de anos. E o homem, então, desaperecerá, com toda a sua tecnologia, com toda a sua capacidade e habilidade. E com toda a sua arrogância.
Os dinossauros não tiveram escolha. Nós, os humanos, ainda temos. É só deixarmos de olhar para nossas diferenças de pele, de características, de cultura. É só começarmos a compreender a origem de nossos atos bárbaros, para combatê-los na origem. É só começarmos a nos respeitar como seres humanos e a respeitar a natureza. É só deixarmos de olhar o presente e fixarmos, humildemente, nossos olhos no futuro.
E, agora, os nossos comerciais:
LUA QUEBRADA
Um romance entre o professor e sua aluna. Banal? Não o jogo de sedução e erotismo de Lua Quebrada. Além de todas as convenções, do alto grau de entrega e do encontro de dois mundos tão diversos, há um sutil jogo de poder entre os protagonistas que põe em cheque a relação entre homem e mulher, entre tesão e amor e, principalmente, entre a razão das convenções sociais e o desafio de quebrá-las em nome de um sentimento ao mesmo tempo tão irracional e tão humano quanto a velha e boa paixão.
Autor: Isaias Edson Sidney
Publicação da Biblioteca24x7.
ISBN: 978-85-61590-45-1
Só disponível pela Internet, no endereço abaixo:
http://www.biblioteca24x7.com.br (ÁREA, à esquerda, clique em : ERÓTICO).
LUA QUEBRADA: PARA INCENDIAR SUA IMAGINAÇÃO!
NÃO ASSINE, NÃO COMPRE, NÃO VEJA
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 6:10 PM
Segunda-feira, Julho 28, 2008
I HAVE A DREAM
Quando vejo, na televisão, a figura esquia e elegante de Obama, não consigo impedir que ressoem em minha memória as palavras do célebre discurso de Martin Luther King:
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Palavras. Sábias e belas palavras de um homem que, um dia, deu a vida pela causa da liberdade. Dificilmente, na História estadunidense, encontramos momento tão intenso de luta, de sinceridade, de bons propósitos.
Os Estados Unidos mudaram. A causa negra, hoje, atingiu patamares diferentes. Ainda que o racismo perdure em comunidades estanques e conservadoras, um negro tem conquistado mentes e corações do povo. Suas palavras são diferentes de Luther King, mas o sentido é o mesmo: fazer do seu País uma terra verdadeiramente livre. E mais do que livre, fraterna. Aquele tipo de fraternidade que nasceu na velha França e se espalhou, como idéia, pelo mundo todo. Mas cuja práxis o mundo todo tem ignorado solenemente desde a Revolução.
Então, eu penso: a tal fraternidade é tão utópica! Não bastaria outra idéia bem mais simples, bem mais concreta, como o respeito? Se nos dedicássemos a respeitar uns aos outros, se nos dedicássemos a respeitar as diferenças entre nós, as diferenças entre pessoas, entre crenças, entre culturas, entre nações... Já não teríamos um mundo um pouco melhor?
Liberdade, igualdade e... respeito!
Sonhar não é preciso, mas é o que nos resta.
Barack Obama, o negro culto, sagaz, orador capaz de empolgar duzentos milhões de alemães, poderá tornar-se o líder que o mundo espera?
E eu penso mais, lembrando Brecht: o mundo anda, há tempos, carente de líderes. De vozes que ecoem velhas verdades tão novas quanto a idéia de fraternidade embutida nas palavras de Luther King e, agora, de uma certa forma, reverberando nas palavras de Obama. Aquela fraternidade que se baseia no profundo respeito ao outro.
A esperança de um tempo em que o país mais poderoso do mundo não mais trucide todo um povo para matar um ditador chama-se Obama. Porque só um homem como ele pode dar consciência a esse povo que, até hoje, só olhou para o seu próprio umbigo branco, rico e profundamente preconceituoso com relação a todos os demais povos da terra.
Embora seja um negro de sólida formação a que só as elites brancas tinham acesso nos tempos de Luther King, Obama parece trazer em si não apenas o resultado das lutas ancestrais de seu povo, mas principalmente um conjunto de idéias novas, de que tanto necessitam os Estados Unidos da América. Eleito presidente, será, com certeza, um rosto mais ameno para os demais países do mundo, um rosto menos duro e menos arrogante.
Se será o líder que todos esperamos, só o tempo dirá. Mas que há no ar o toque dos sinos da renovação, disso temos plena certeza. E, principalmente, vêm da voz dos sinos que sopram pela voz de Obama alguns sinais de paz. Alguns sinais do velho e bom (mesmo que ingênuo, mesmo que utópico) pacifismo de líderes como Gandhi, Mandela e, claro, Luther King.
Eu também ainda tenho um sonho. Eu e todos os pacifistas da terra.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:26 PM
Quinta-feira, Julho 10, 2008
QUANTO CUSTA?
Se a um delegado, o Daniel Dantas ofereceu mais de um milhão, quanto pagou ao Meritíssimo Presidente do STF? Quanto?
Ou essa conta já está paga desde os tempos das privatizações do Governo FHC, quando o Meritíssimo era o Advogado Geral da União?
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:15 PM
Quinta-feira, Julho 03, 2008
BEBUNS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS
No Brasil, é tradição: há leis que pegam e há leis que não pegam. A do cinto de segurança, por exemplo, pegou. E tem salvado milhares de vidas, por aí. Apesar de alguns argumentos estúpidos, no seu início, como, por exemplo, dizerem que a pessoa podia morrer afogada, por dificuldade de tirar o cinto de segurança, se o carro caísse num rio. Bobagem. Tanto, que a maioria absoluta dos motoristas brasileiros, hoje, usa o cinto de segurança.
Agora, a bola da vez é a tal lei seca. É restritiva? É, sim. É dura? Sem dúvida. Atinge direitos individuais? Claro. Afinal, o direito de encher a cara é sagrado, para milhões de brasileiros.
E aí entram as diferenças entre o bem coletivo e o direito individual.
Direito de beber até cair, de fumar até explodir, de se encher de cocaína até os tampos, isso parece ser o argumento por trás de muitos argumentos. Direito de ter lucro (e ponha lucro nisso!) com a venda de bebidas alcoólicas pelos comerciantes é outro argumento que está por trás da chiadeira de muitos donos de bares, restaurantes e assemelhados. E o sindicato dessa turma já prepara medidas judiciais que suspendam a lei. E, com certeza, encontrarão dezenas de juízes de plantão dispostos a conceder liminares à custa de alguns minutos de fama (e de alguns milhares de reais, claro).
Enquanto isso, a mídia se regala com prisões arbitrárias, com erros de interpretação e até com casos de gente que foi surpreendida pelo tal bafômetro porque usara desinfetante bucal à base de álcool ou porque comera um bombom de licor. Bobagem. Pura bobagem.
O pior são os tais especialistas em alguma coisa que a gente nunca sabe direito em que se especializaram. Também eles aparecem para os seus minutos de fama, nos telejornais. E com os argumentos mais estúpidos que se possam conceber.
Outro dia, um desses especialistas dizia com todas as letras que a tal lei é inconstitucional, porque o bêbado ao volante só poderia ser autuado, se estivesse dirigindo mal, cometendo alguma infração. Ou seja, é preciso esperar que o pudim de cachaça que está ao volante de uma viatura de várias toneladas de ferro e a potência de milhares de cavalos cometa alguma insanidade, como atropelar várias pessoas num ponto de ônibus, invadir um posto de gasolina ou se esborrachar num poste, para ser punido por estar embriagado.
E a lógica vai para o espaço.
Ora, discutir se a tal lei seca no trânsito é boa ou ruim é o mesmo que discutir se, numa sociedade que busque alcançar um mínimo de civilização, o bem individual está acima do bem coletivo. É claro que existem países em que isso não se discute.
Nos Estados Unidos, por exemplo, há um artigo absolutamente estúpido na Constituição deles que permite a qualquer cidadão possuir armas de fogo, sem dar a mínima para quem quer que seja. Ora, a tal Constituição deles foi redigida num tempo em que, primeiro, as armas de fogo não tinham o poder que hoje têm; segundo, as populações pioneiras precisavam defender-se do ambiente selvagem (e nesse ambiente incluíam-se animais e índios, sendo que índios e animais eram, na concepção dos pioneiros, a mesma coisa); terceiro... Deixemos pra lá, que os estadunidenses sabem muito bem as conseqüências de sua estupidez, quando algum moleque de segundo grau resolve matar alguns coleguinhas, por puro divertimento. É problema lá deles. Votemos à lei seca.
Então, se existe uma sociedade, o seu grau de civilização está no equilíbrio entre o direito individual e o bem público. Ninguém nega, hoje, neste momento em que vivemos, que encher a cara de cachaça seja um direito individual. Mas, sair por aí dirigindo um veículo de aço, em alta velocidade, com a possibilidade clara e evidente de que o indivíduo, sem os reflexos necessários para dominar essa máquina, possa atropelar, mutilar e matar pessoas não é, definitivamente, um direito de quem quer que seja.
Claro, ficou prejudicado o famoso happy hour, essa mania de adultos responsáveis de encher o caco toda sexta-feira após o horário de trabalho. Também as baladas de jovens pelas madrugadas de fim de semana ficaram sujeitas a penas duras, como a multa de quase mil reais. E prisão, com mais encrenca, como pagamento de fiança e processo criminal. E a suspensão da carta de habilitação, do direito de dirigir. Enfim, a coisa não ficou nada boa para os nossos boêmios e baladeiros. E todos chiam, claro. Jus sperniandi, com dizem velhos advogados.
Infelizmente, só não podem reclamar os pobres coitados que se encontram em vários cemitérios pelo Brasil afora, vítimas de nossos alegres e boêmios motoristas de carros particulares, de ônibus e caminhões, que povoam alegremente nossas ruas, avenidas e estradas, com suas máquinas de não sei quantas toneladas de aço, em alta velocidade, a matar gente indefesa, simplesmente porque pararam no botequim da esquina ou no restaurante da estrada para tomar sua sagrada cachacinha ou sua cervejinha gelada.
Os mortos não reclamam. A eles não é permitido discutir e opinar se a lei seca no trânsito vai ou não pegar. E os mutilados, coitados, quem quer ouvi-los, afinal?
E, agora, os nossos comerciais:
LUA QUEBRADA
Um professor e sua aluna. Tudo os separa, nada os une. A não ser a paixão. Uma paixão sem limites, vivida com toda a intensidade da experiência e da juventude. Um livro forte, pela emoção, pela cumplicidade, pelo erotismo. Uma história que mexe com todos os sentidos do leitor, até a última linha. Experiência única na Literatura Brasileira, LUA QUEBRADA é um livro imperdível e inesquecível.
Autor: Isaias Edson Sidney
Publicação da Biblioteca24x7.
Só disponível pela Internet, no endereço abaixo (categoria: ERÓTICO).
http//www.biblioteca24x7.com.br
Ou no link:
http://24.233.183.33/cont/login/Index_Piloto.jsp?ID=bv24x7br
Atenção! O Ministério da Verdade recomenda:
NÃO ASSINE, NÃO COMPRE, NÃO LEIA, NÃO VEJA!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:34 PM
Sexta-feira, Maio 30, 2008
A NOVA REFORMA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Há pessoas, aqui no Brasil, já preocupadas com sua feijoada, seu feijão tropeiro ou com o virado das segundas-feiras: com lingüiça (trema e pronúnica do u) ou com linguiça (sem trema e sem a pronúcia do u, como em enguia)?
Vamos pôr os pingos nos is: não é reforma, é unificação.
E não tem nada de grandes pressupostos lingüísticos (ainda com o famigerado trema). Trata-se apenas e tão somente de uma tímida (na minha opinião) tentativa de unificar a escrita dos países que falam português. E a finalidade é clara: no intercâmbio entre esses países, não precisar adaptar (e até jogar fora, por incorretos) milhões de livros didáticos, sim, principalmente didáticos, que são enviados, por exemplo, do Brasil para países da África, em programas de ajuda à escolarização e alfabetização.
Porque, literariamente, não há dificuldade alguma em se ler um autor moçambicano, como Mia Couto, em termos de ortografia. Mesmo que ele escreva incenctivar, sabemos do que se tracta, ou melhor, trata.
As diferenças estão no terreno do léxico, porque há regionalismos cujos significados nem sempre os dicionários registram. Mas isso ocorre também no Brasil: cada região tem os seus termos específicos e são todos bastante saborosos. E fazem a riqueza da língua.
O português de Portugal, aparentemente mais conhecido por nós, tem jóias lexicais que são motivo de boas risadas e piadas, como o famoso termo bicha, lá usado para fila. Ou o cacete, que lá é pão e, aqui, é cacete mesmo.
Entre nós, brasileiros, e os demais povos lusófonos, há diferenças no modo de falar que nenhuma orttografia é capaz de registrar, com pouquíssimas exceções. Porque têm origens muito mais profundas, relacionadas ao clima, à cultura, às influências de outras linguas etc. Nossa prosódia é muito mais lenta, mais seculo XVI, enquanto portugueses e africanos, principalmente, falam mais rápido, comem mais as silabas, são mais econômicos (ou económicos).
Não há muito, portanto, o que se comentar sobre a famigerada unificação gráfica da Língua Portuguesa. Não é boa nem ruim. Mesmo porque ficaram de fora dessa unificação grafias que traduzem a prosódia, como a pronúncia aberta ou fechada do o em palavras como a que fecha o parágrafo anterior. Sinal, aliás, de bom senso.
Então, é relaxar e tocar o bonde, já que ortografia é muito mais uma problema de convenção do que de preocupações lingüísticas (ainda com o trema, que desaparece, felizimente – uma perda de tempo ficar buscando os tais dois pontinhos no teclado do computador). Ainda mais que haverá um tempo de adaptação, bastante razoável. Nada de correria para cursos de atualização para profissionais e estudantes, que tudo virá no seu devido tempo. Tampouco vale a pena gastar muita tinta para reclamar, dicordar ou falar mal da tal reforma.
Porque, na verdade, é uma mudança muito chocha. Há muito tempo, já, que perdemos a oportunidade de uma reforma profunda na ortografia de nossa língua, eliminando dificuldades como o uso do s e do z; do x e do ch e tantas outras. Agora, não há mais possibilidade disso. E nem adianta reclamar dessas dificuldades. Embora não seja consolo, são poucas as línguas modernas que têm sistema ortográfico fácil, tipo escrever exatamente como se fala ou falar exatamente como se escreve. Talvez só o Esperanto, mas isso já é outra história.
Em tempo: não será por falta de trema, que vamos mudar a pronúncia das palavras. Lingüiça continuará sendo lingüiça, com ou sem trema. Não há, portanto, nenhuma ameaça a essa iguaria tão apreciada pelos brasileiros e indispensável numa boa feijoada, no feijão tropeiro ou no famoso virado das segundas-feiras. E com um boa pinguinha (que nunca teve trema), então...
E, agora, os nossos comerciais:
LUA QUEBRADA
Um professor e sua aluna. Tudo os separa, nada os une. A não ser a paixão. Uma paixão sem limites, vivida com toda a intensidade da experiência e da juventude. Um livro forte, pela emoção, pela cumplicidade, pelo erotismo. Uma história que mexe com todos os sentidos do leitor, até a última linha. Experiência única na Literatura Brasileira, LUA QUEBRADA é um livro imperdível e inesquecível.
Autor: Isaias Edson Sidney
Publicação da Biblioteca24x7.
Só disponível pela Internet, no endereço abaixo (categoria: ERÓTICO).
http//www.biblioteca24x7.com.br
Ou no link:
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NÃO ASSINE, NÃO COMPRE, NÃO LEIA, NÃO VEJA!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 1:29 PM
Segunda-feira, Abril 07, 2008
ELEIÇOES MUNICIPAIS
Ano de escolha de prefeitos e vereadores em mais de seis mil municípios.
Ou melhor, ano de corrida aos melhores empregos do País. Principalmente, nas cidades do interior, onde prefeitos e vereadores ganham salários estratosféricos para a realidade de suas cidades, pouco produzem de útil e ainda comandam orçamentos inflados pelo repasse de verbas constitucionalmente obrigatórias do Governo Federal.
Quanto menor a cidade, melhor o emprego desses nossos políticos. Governam quase sem nenhuma fiscalização, porque os Tribunais de Contas não dão conta de fiscalizar todas as contas desse bando de gente muitas vezes despreparada e, quase sempre, mal intencionada.
Saúde pública, educação, saneamento básico, transporte municipal e outros quesitos básicos para o povo são obrigação das administrações municipais. Porém, o que se vê, na maioria das pequenas cidades desse nosso interior, é um descalabro administrativo de proporções continentais. Dirigentes que enriquecem por meio de licitações fraudulentas são eleitos e reeleitos porque ainda há o voto de compadrio, o voto de cabresto, mantido por famílias oligárquicas que não admitem perder o pequeno, mas lucrativo, poder que é o comando de cidadezinhas perdidas e distanciadas de qualquer possibilidade de fiscalização.
Contam com o voto de eleitorado de cabresto e com a sorte, para não serem surpreendidos com a mão no dinheiro público. O sistema de controle do Tribunal de Contas da União utiliza sorteios para fiscalização desses municípios. Isso leva a que se encontre um índice elevado de irregularidades, porém os culpados raramente são punidos, porque ou há demora na fiscalização (os fatos geradores de ilícito já prescreveram) ou a Justiça (sempre ela!) é lenta o suficiente para que os ladrões escapem de qualquer punição.
Nos tempos antigos, governar pequenos municípios (e passar a mão no dinheiro do povo) consistia na construção de fontes luminosas. É só viajar pelo interior que a gente ainda vê vestígios dessa época. Agora, há mais de mil maneiras de iludir o povo com obras caras e inúteis, enquanto as necessidades básicas, como saneamento, educação e saúde, por exemplo, que não rendem votos, continuam solenemente desprezadas por nossos alcaides e ilustres vereadores.
Saneamento é enterrar votos (mais fácil é poluir os rios e córregos, despejando neles o esgoto da cidade). Saúde é comprar (ou ganhar) ambulância e mandar os doentes para a capital ou para a cidade-pólo mais próxima. E educação, para quê? Para o povo ficar mais esperto e escapar do cabresto?
Pois, é assim: eleição municipal não tem ideologia partidária, não. As alianças são feitas a partir de interesses muito específicos e, em geral, contra o povo. Que chia, mas vota sempre nos mesmos. E paga a conta depois.
Pobre, cada vez mais pobre e iludido por falsas promessas, é esse País que emerge das eleições municipais!
iesidney@uol.com.br
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:46 PM
Quarta-feira, Abril 02, 2008
RIO DE JANEIRO, FEVEREIRO E... DENGUE
Para ser curto e grosso (bem grosso, aliás, porque eles merecem): por mais que a mídia trate com estardalhaço a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, mas poupe o seu principal causador, não vou ser nem um pouco diplomata com ele e com seus apaniguados.
Essa epidemia tem nome e sobrenome: CÉSAR MAIA.
O diligente alcaide carioca que, na Bahia, pediu orações para os Orixás levarem para alto mar o mosquito da dengue, além de incompetente, é muito cara-de-pau. Sua administração, em todas as áreas, é um desastre total e absoluto. No âmbito da saúde pública, então, o caos há muito está instalado: hospitais sucateados, servidores mal pagos, combate às endemias sem qualquer incremento, enfim, o louquinho só sabe, mesmo, é varrer o Sambódromo em dia de carnaval, para obter votos de um eleitorado muito burro e irresponsável que existe na Cidade Maravilhosa, um eleitorado que adora um louquinho, um idiota que se presta a carnavalizar ou a zombar de qualquer coisa. Depois, é o que se vê: o povo paga a conta por esses atos de estupidez política que eles chamam de espírito carioca (lembram o Cacareco?)
Pois, é: nem o Cacareco faria pior governo que o César Maia que, lembremos bem, pertence àquele partidozinho golpista chamado ARENA, que virou PFL, e agora é DEMOCRATAS ou, como eles dizem, DEM!
O César Maia passa, como muita gente igual a ele ou pior do que ele já passou. O DEM e sua DEMgue também passam.
Com mosquito e tudo, o Rio de Janeiro continua lindo... pelo menos, nas novelas da Globo. E não será essa epidemia, com todas as suas conseqüências de tristezas e mortes estúpidas de crianças e inocentes, que vai destruir uma das mais belas cidades do mundo.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 4:48 PM
Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008
ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Mesmo sabendo que lá:
• quem arrecada mais é indicado candidato;
• quem gasta mais vence;
• as eleições são decididas entre direita e direita;
• só vota quem quer, porque as pessoas não se comprometem;
• nenhum candidato fora dos dois grandes partidos tem a menor chance;
• nenhum candidato proveniente das classes médias para baixo tem a menor chance;
• a diferença entre a direita no poder e a direita na oposição é que a direita no poder tem direito de escolher o inimigo para fazer a guerra;
• quem manda realmente é o Pentágono, com seu orçamento mais que trilhardário;
• eles não ficam um ano sem fazer uma guerra, porque a economia depende disso;
• eles, tanto o povo quanto os políticos, estão-se lixando para o resto do mundo;
• o sistema eleitoral de prévias é tão confuso e idiota, que nem eles mesmos entenderm o que acontece ou, até mesmo, nem sabem direito por que fulano e não sicrano é quem venceu;
• as eleições são indiretas: ganha quem obtiver maior número de delegados estaduais, num sistema que tem dado certo porque ninguém o entende;
• uma fraude escandalosa pode eleger e reeleger um incompetente;
• usam-se máquinas de votar do tempo das diligências;
• todos os candidatos prometem mundo e fundos, mas, depois de eleitos, só fazem o que o grande capital e o Pentágono mandam;
• nenhum presidente eleito até hoje se preocupou realmente em erradicar a pobreza;
• todos os candidatos são simpáticos, cultos e articulados, até o dia da posse, antes de jogar a primeira bomba em algum país distante ou próximo;
• democracia é apenas um conceito simbolizado pela estátua da Liberdade que, por isso mesmo, está ancorada numa ilha e não no continente estadunidense;
• um candidato negro pode ser mais branco que muitos brancos;
• uma candidata mulher pode ser mais macha que muito homem;
Finalmente, mesmo sabendo que estaria me comprometendo e, possivelmente, cuspindo para cima (niguém sabe onde pode cair a próxima bomba ou em que praia vão desembarcar aqueles meninos bonzinhos chamados marines), eu gostaria de votar para presidente dos Estados Unidos da América.
Só para ter o gostinho de votar num negro (de preferência) ou numa mulher!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:42 PM
Domingo, Fevereiro 10, 2008
TRÊS CENTÍMETROS E MEIO
Há assuntos em que a gente mete a colher, por falta de assunto, mesmo, ou porque os que andam por aí não valem a pena, nem a pena nem uma teclada no computador.
Então, vamos às amenidades pós-carnavalescas. Até para curar uma eventual ressaca do uso de cartões... epa! Cala-te, boca. Ou melhor, suspende o juízo, dedinho rápido, desejoso de se meter onde não deve.
Falar de carnaval é sempre meio chato. São aquelas coisas de sempre: escola de samba, Bahia, Recifolinda, estradas cheias, congestionamentos, acidentes... Não, isso é muito chato. Melhor falar de mulher. Ou melhor, de mico de candidatas a gostosona do ano, nos desfiles do carnaval.
A fulana malha o ano inteiro. Usa botox, faz lipoaspiração, empina os seios com silicone, arredonda a bunda com não sei o quê, enfim, faz zilhões de coisas para sair bem nas imagens da televisão, no clique nervoso dos fotógrafos, na telinha dos celulares indiscretos (mas sempre bem-vindos) e, chega no dia, as coisas desandam...
Foi mais ou menos o que aconteceu com uma tal de Viviane Castro. A moça resolveu desfilar na Sapucaí com o menor tapa-sexo da história: três centímetros e meio. É, tem gente que é assim: quer bater os recordes mais absurdos.
Bem, todo mundo sabe que os velhinhos da Liga das Escolas de Samba do Rio não gostam de genitália desnuda. Isso já foi objeto de bate-boca lascado, há alguns anos. Tanto, que virou norma: nada de pinto ou xaninha na avenida. Nem pintado (epa!) de ouro.
Então, lá foi nossa Viviane toda serelepe com o seu minúsculo (dois dedos! E magros!) tapa-sexo. Abafando. E não é que os atentos velhinhos da Liga descobriram (ou pensaram, imaginaram, sei lá, afinal, são velhinhos e já nem devem enxergar tanto assim) que a moça estava com a genitália desnuda, que o tal do tapa-sexo tinha caído? Alguns repórteres também juram que caiu. A moça nega. Diz, até, que passou duas horas numa banheira, para tirar o tal tapa-sexo da discórdia, que havia colado com super-bonder (ai! Até me arrepio em pensar!).
De qualquer modo, o problema não é bem o fato de ter ou não desaparecido a tal peça. O pior, para a tal Viviane, é que a Escola pela qual ela desfilava perdeu meio ponto (0,5), por mostrar a tal genitália desnuda.
E aí eu fiquei com dá da nossa donzela (?): a coitada fez tudo o que manda o figurino, fez regime, malhou, quem sabe até uma lipo, ficou bonita e gostosa, rebolou o quanto pôde na avenida, atraiu olhares, câmeras, celulares, e agora uns velhinhos da Liga dizem que a... bem... a parte lá dela coberta pelo tapa-sexo... vale só meio ponto?
Que sacanagem! Uma xoxotinha de meio ponto!
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 6:49 PM
Sábado, Fevereiro 09, 2008
O MICO DO ANO, ALIÁS, MAIS UM
Juro que resisti. Muito. Lutei desesperadamente para não mexer nesse angu. Mas, não dá. A estupidez é tamanha, que a gente acaba se envolvendo e, quando menos se espera, lá estão os dedos no teclado do computador, porque a cabeça fervilha de indignação.
A questão, é claro, é o tal do cartão corporativo do Governo. Vai ser o mico do ano. Anotem.
Esses caras (nem vale a pena citá-los como jornalistas ou repórteres, de tão baixo o nível dessa gente) nunca trabalharam em grandes empresas que adotam o uso de cartão, ou pagam despesas de funcionários que viajam? São uns idiotas, portanto? Nunca tiveram que prestar contas de diárias de hotel, de refeições, de táxi? Não sabem como funciona isso em empresa particular? São completamente alienados?
Não. Não são alienados. Mas querem que o povo seja idiota e alienado. Por isso, fazem todo esse escarcéu com os gastos dos cartões corporativos do Governo. Que Governo? De São Paulo, é claro! Afinal, a máquina governista do Serra gastou, em 2007, 108 milhões de reais!
Não é um absurdo?
Não. Provavelmente, não. Porque a máquina administrativa é, realmente, cara. Há gastos improváveis, até risíveis, se deslocados do contexto. Por que, por exemplo, um funcionário iria gastar, suponhamos, mil reais, num supermercado, com papel higiênico? Um absurdo, diriam todos. Mas, se esse funcionário é responsável pelo gasto de toda uma repartição com centenas de funcionários, isso passa a ser plenamente possível. E justificável.
Há, é lógico, gente que se aproveita. Ou se descuida. E usa o cartão para despesas estritamente pessoais. Isso, no entanto, qualquer auditoria (e os governos têm órgãos especializados para isso) pega e autua o funcionário, fazendo-o ressarcir os cofres públicos ou punindo-o. Como qualquer empresa privada. Que também tem problemas com esse tipo de despesa. Porque não há um sistema infalível de controle, nem um sistema infalível contra pequenas fraudes.
Ou pequenos arranjos.
Na empresa em que eu trabalhei, por exemplo, havia a seguinte distorção: quando viajava, para um congresso, um encontro de profissionais da área, não era incomum ser obrigado a convidar pessoas para almoçar comigo. E aí, o bicho pegava. Primeiro, porque não tinha verba para isso (só o vale-alimentação, que dava para o almoço no bar da esquina, mas não num restaurante mais elegante). Por outro lado, gastos com táxi eram praticamente livres (dentro de alguns parâmetros). Então, o que eu fazia? Programava meus deslocamentos por transporte público e reservava a verba do táxi para esse tipo de gasto. Estava errado? Sim e não. Não roubava, mas também não era totalmente honesto com a empresa. Apenas fazia um arranjo. Para não sair no prejuízo. Porque não havia outro jeito.
O mesmo deve ocorrer por aí, em toda e qualquer empresa. Pública ou privada.
Os gastos diários de uma casa de cinco pessoas, como a minha, são altos. E administrá-los é sempre um problema. Não dá para controlar tudo. Imagine-se, então, um governo como o de São Paulo, que tem milhares, senão milhões, de funcionários, com demandas que vão desde um simples rolo de papel higiênico até helicópteros. São milhares de itens a serem comprados todos os dias. Presume-se que quem os compre seja honesto. Se não for, há os mecanismos naturais de correção de desvios. Além, é claro, do povo, que pede transparência nos gastos públicos, com muita justiça, aliás.
Então, toda essa gritaria dos idiotas da imprensa não tem outro objetivo do que fazer marola, querer jogar nas costas do Governo um problema secundário, mas importante, como se fosse o maior escândalo do mundo.
Está bem: concordo que gastar 108 milhões por ano é muito. Mas, tenho certeza de que o Governador Serra, um homem probo, político experiente, que governa com transparência e sabedoria o nosso Estado, saberá colocar em campo seus auxiliares para explicar, muito bem explicadinho, cada centavo gasto. E, se houver desvios, os responsáveis serão devidamente punidos.
Ah! E tem mais: nosso Governador deverá, em breve, colocar na Internet a relação de todos os gastos, tintim por tintim, para calar o bico de todos os detratores! Porque transparência é isto: abrir todas as contas, não temer investigações nem CPIs, que a oposição já está pedindo. Será mais uma, dentre as dezenas de CPIs por que o nosso Governador já passou, incólume, sem nenhum sinal de escândalo, sem nenhum prejuízo para sua grande administração.
E os idiotas da mídia que fizeram esse escândalo todo ficarão com o maior mico da história.
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 2:17 PM
Quinta-feira, Janeiro 24, 2008
VIOLÊNCIA: REALIDADE E FICCÇÃO
Em princípio, toda proibição é burra. Serve, apenas, para acirrar a curiosidade. Mas, tudo bem, numa sociedade que se queira com um mínimo de civilização e civilidade, algumas regras precisam ser criadas e estabelecidas. Dentro do limite do bom senso, dos usos e costumes e, principalmente, sem fanatismos.
Um juiz proibiu e mandou recolher um determinado jogo de computador, por considerá-lo violento. E reacende o debate sobre o que nossos filhos podem ou não ver. Ou sobre o que nós mesmos, cidadãos responsáveis, ou não, podemos escolher para assistir. Um debate sobre liberdade e violência. Assuntos complexos, merecedores de muita, muita tinta, muita saliva e muitas desavenças. Porque não há e não pode haver versões únicas, absolutas.
Mas vou meter minha colher (de pau? Ou é minha cara que é de pau?) nessa encrenca.
Ora, um jogo de computador é só um jogo de computador. Por mais violência que ele pareça conter ou realmente contenha, é ficção. Como um filme, ou um romance. Ou uma peça de teatro. Ou uma pintura. Por mais realista (entre aspas) que sejam um filme, um romance, uma peça de teatro ou um quadro, não passam de criações ficcionais, de representações da realidade. Não são a realidade.
Já é folclore o quadro de Magritte com um cachimbo e escrito embaixo: ceci n’est pas une pipe (isto não é um cachimbo). Ninguém mais discute o que quis dizer o pintor, embora na época tivesse provocado mentes e, provavelmente juizes ansiosos por estabelecerem a tal realidade absoluta das coisas.
A representação da realidade não é a realidade, por mais que estrebuchem os profetas da moral. Lembro um livro, Os Sete Minutos. Trata-se do julgamento, muito do gosto estadunidense, de um livro, por ser considerado imoral e por ter, aparentemente, induzido um rapaz a cometer um crime. Nem vou comentá-lo, quem quiser que o leia. Mas, a moral da história, o que se julga é se é possível alguém cometer um crime influenciado por uma obra de ficção e discute-se, afinal, o que é pornografia e o que é arte.
Também se pode discutir o que é violência ficcional e o que é violência das ruas, dos programas jornalísticos de televisão que pedem vingança e não justiça por qualquer crime cometido, de certas letras de rap (rithm and poetry – ritmo e poesia, não é música, por favor! – não confundam as coisas!) que incitam à sexualidade precoce, à violência contra a polícia ou contra a sociedade... isso é mundo real, é realidade. Não o filme, não o jogo, nem um quadro de Goya, por mais assustador que seja, nem, principalmente, um livro ou qualquer outra representação artística.
Personalidades genética ou socialmente deformadas confundem, sim, realidade com ficção. Mas não com a ficção criada por outros: com a ficção criada em seus próprios pensamentos, por sua imaginação doentia. Não será uma obra de arte que fará com que um Champinha da vida saia por aí torturando e matando pessoas, ele já faz isso por índole, por desvios de caráter, por mil outras motivações.
Então, proibir um jogo de computador, por ser violento, vai contra não apenas a lógica, mas contra todas as evidências que por aí se podem achar. É mais ou menos como acreditar em fantasma – não existe, mas muita gente acha que já viu um. Achar que um jogo de computador pode incitar à violência é acreditar em fantasmas. E fantasmas já os temos aos borbotões nessa nossa sociedade complicada e cheia de preconceitos e idéias estúpidas, para concordarmos com mais essa idiotice.
Afinal, um juiz é só um juiz, não a representação da Justiça que, aliás, como todo ente metafísico, tem tanta existência real quanto os fantasmas que seus representantes criam, para impor suas idéias ultrapassadas e eivadas de moralismo mal-cheiroso.
Pra encerrar: não vou citar Caetano Veloso, porque não concordo que é proibido proibir.
Chega de proibições, não?
iesidney@uol.com.br
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 5:12 PM
Quinta-feira, Janeiro 17, 2008
SOBRE RADICALISMOS E OUTROS EPÍTETOS
Engraçado: dizer que o Presidente Lula é uma besta, como fez o mais que idiota jornalistazinho Diogo Mainard, daquele tablóide chamado Veja, pode! Ele não é radical.
Não aprovar a CPMF e tirar do orçamento do Governo quarenta bilhões (40! Bilhões!), por pura birra de ano eleitoral, para deixar o Governo à míngua e, por conseguinte, os milhões de brasileiros que dependem do SUS e do Bolsa Família a ver navios, pode! Isso não é ser radical.
Entrevistar na rádio (como faz, por exemplo a CBN) um ilustre professor desconhecido, dando-lhe títulos que nós nem sabemos se ele tem (e pode, até, ter), para desancar o Governo sobre qualquer assunto, sem fazer o mesmo com outro ilustre professor desconhecido que tenha os mesmos possíveis títulos para defender, isso pode! Não é ser radical.
Dar qualquer notícia relativa ao Governo, com comentários irônicos do apresentador de televisão ou rádio, sem procurar o outro lado, o motivo (por exemplo: a Biblioteca Nacional de Brasília não tem, ainda, um único livro: isso é absurdo, sim, mas por que isso acontece? – buscar o porquê, para esclarecer o ouvinte, nem pensar, o negócio é ir logo desancando!), isso pode, sim, senhor. E não é ser radical.
Entrevistar exaustivamente o tal do Arthur Virgílio (ou qualquer outro líder ou não das oposições), que tem sempre duas ou mais pedras para atirar, isso quando não fala um monte de merda simplesmente porque é a função dele, como oposição, espernear, sem ouvir o outro lado, sistematicamente como fazem todos os meios de comunicação, isso também pode! Ninguém diz que é radicalismo.
Fazer oposição e falar o que quiser contra o governo é função da oposição, até falar bobagens e exagerar os fatos (como implicar com os gastos dos cartões corporativos de alguns ministros, e isso, às vezes é até justo ou, no mínimo, necessário, para o bom andamento da democracia), mas a imprensa, em mais de noventa por cento dos casos, usurpar essa função dos partidos oposicionistas, deixando de lado os princípios básicos de isenção de qualquer mídia que se preze no mundo, isso é até aplaudido! Não é, de forma alguma, uma das piores formas de radicalismo.
Agora, quando alguém da esquerda defende o Governo Lula, porque, como mais de sessenta por cento da população (eu disse: mais de 60%!) votou nele e, por isso, se acha no dever de defendê-lo, porque alguém, afinal, tem de fazê-lo, em nome dos mesmos princípios democráticos de que lança mão a oposição (eu disse e repito: a oposição, não a mídia, que, num país verdadeiramente democrático, deve ter um mínimo de compostura e isenção); quando ataco, porque tenho o direito de fazê-lo, os próceres da direita e suas tentativas golpistas, esses mesmos que já governaram e desejam continuar governando ad aeternum esse País e só o que fizeram até hoje foi desgraça em cima de desgraça, com seus projetos desenvolvimentistas voltados apenas para o grande capital e o povo que se vire; quando digo que essa gente só quer o poder para continuar a vender o País, porque eles nunca se preocuparam com o povo, bem, quando digo (e muitas outras vozes também o dizem) que realmente há um novo País sendo gestado, com dificuldades, com muitos obstáculos, mas há, sim, um grande rio de esperança nascendo de fontes não digo mais límpidas, mas pelo menos de fontes diferentes, para dessedentar um povo que precisa do crescimento que gere empregos, que gere esperança, que gere uma nova leva de brasileiros que não precisarão do Bolsa Família nem de outras bolsas, porque começarão, pouco a pouco, a vencer a linha de miserabilidade em que estão, então eu e todos os que dizem isso somos tachados de radicais!
Nós, nós somos os radicais, porque falamos o que achamos ser a verdade!
A verdade deles não é, nunca, radical, mesmo que ainda tenha o cheiro da saudosa pólvora que saiu dos quartéis em 1964 e ficou por aí por mais de vinte anos, perseguindo, prendendo, fazendo desaparecer e assassinando cidadãos, apenas porque não concordavam com o regime! E se não são exatamente os mesmos que comandaram o golpe, são os seus filhos e netos que estão ainda aí, nas esquinas, nas assembléias, no Congresso Nacional, com o nome de democratas ou de qualquer outro epíteto, mas sempre com as mesmas idéias, sempre com o mesmo saudosismo de bater continência para um milico de plantão no planalto, porque não podem admitir que há um cidadão do povo fazendo no Governo o que eles, com toda a sua arrogância e falsa sapiência, nunca conseguiram fazer, não porque não soubessem, mas porque nunca quiseram fazer nada, absolutamente nada, para o povo.
Radical, eu? Sou, sim, e daí?
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 5:47 PM
Domingo, Janeiro 13, 2008
FHC FALA! FALA O QUÊ?
Hoje, domingo, 13 de janeiro de 2008 (ano eleitoral), o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO dá o pontapé inicial da campanha política. Como? Entevistando,em longas 3 páginas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
E há, na chamada da entrevista, um promissor cardápio de assuntos abordados pelo tucano-mor. Com uma certa expectativa, leio com atenção todo o nenhenhém. Porque não passa disso, a fala do sociólogo-esqueçam-o-que-eu-disse. Puro nenhenhém. Nada que justifique a fama de analista, de grande estrategista e conhecedor profundo da política, do schollar preferido das elites. Pura chorumela: um terço da fala fica por conta de falar do Lula, com críticas (que eu pensei que seriam mais duras) e constatações de que, apesar de tudo, o País mudou. E para melhor, para desespero do ex-presidente que só não usa o bordão do Lula (nunca antes nesse País) porque é do Lula e seria chato repeti-lo, mas a impressão que fica é que tudo começou com ele, nos seus oito anos de dolce far niente: a inclusão global, o câmbio livre, os juros altos, os programas sociais, a política externa... tudo, tudo começou com ele, FHC, o Lula só deu continuidade. Até o toma-lá-dá-cá ele reconhece, num gesto (raro, raríssimo) de humildade, já existia no seu tempo (claro, sem os vícios de hoje, que todos sabemos).
A entrevista, na verdade, é um desabafo sobre coisa nenhuma, porque tudo o que ele disse ali já dissera anteriormente por mil vezes. Não se aprofundou nenhum tema, nenhum assunto novo surgiu, nenhuma provocação, nenhum assunto polêmico. Por quê? Muito simples: os dois repórteres do Estadão deviam estar muito bem instruídos para só fazerem perguntas óbvias, simples: não há uma só pergunta que ultrapasse quatro linhas de uma coluna (de um sexto de página!). Tudo muito, extremamente, civilizado, nada que pudesse arrancar do tucano-mor qualquer indiscrição ou revelação mais contundente que viesse a sacudir plumagens ilustres em ano eleitoral (é mais ou menos conhecida a boquirrotice de FHC, quando provocado, o que pode ou não ser uma de suas qualidades: a franqueza).
Passa-se ao largo de todos os grandes temas e, ao final, tem-se impressão de que o sociólogo só tem, mesmo, a dizer o que sempre disse: para esquecermos o que ele disse, porque não há mais nada a dizer, embora ele continue a falar, a falar, a falar.
Como foi um desperdício de tempo ler tudo aquilo, também não vou perder meu tempo analisando mais profundamente uma bobagem que tem por único objetivo colocar nas manchetes do jornal um político que tem, sim, a capacidade de ainda provocar frisson em algumas alas do tucanto e alavancar o nome do partido para as eleições do final do ano.
Está inaugurada, pelo menos para o Estadão, a temporada de caça ao governo Lula e, já que o ex-presidente gosta tanto de ventos (usou e abusou de metáforas ventosas), de espalhar aos quatro cantos as penas (chamuscadas) de tucanos e demos, com vistas à munutenção do poder na Prefeitura de São Paulo, seja com o atual alcaide seja com um ex-candidato derrotado à presidência da República.
Sem dúvida, muita ventania vem por aí, nesse ano de eleições municipais. Quem viver verá.
Isaias Edson Sidney
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:14 PM
Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
MAIS UMA TUCANADA!
Vou ser curto e grosso, mais uma vez, até para não me irritar mais do que já estou.
Ainda bem que essa tucanada que governa São Paulo há mais de doze anos é ruim de obra, não faz porra nenhuma. Porque, quando se metem em alguma coisa, só dá merda.
Primeiro, foi o metrô: obra mais porca que as obras do Maluf. Deu no que deu: desabou. E matou gente que não tinha nada a ver com isso.
Agora, o Hospital das Clínicas: pegou fogo, porque o senhor-governador-presidente-eleito-da-república e, antes, o melhor-ministro-da-saúde-que-o-País-já-teve, não soltou a verba para obras básicas do hospital.
Mais uma tucanada!
Qual vai ser próxima? Eu aposto no Rodoanel: vai sobrar alguma merda a qualquer hora. É fatal. Depois, querem ser os melhores. Ou melhor, acham-se os melhores, os que sabem o que fazem, os donos da verdade. Com o beneplácito, senão o aplauso, de parte (bastante significativa, por sinal) da mídia imbecil que povoa os restaurantes chiques dos Jardins.
E tomem privatização! Que é o que eles fazem pior: vendem patrimônio público a preço de bananas, afundam as finanças do estado e querem aplauso.
Eta tucanada mais... deixa pra lá. Não vale a pena o palavrão que pensei.
UM FELIZ 2008 PARA TODOS.
E que meus prognósticos estejam errados: que a tucanada não apronte mais nenhuma tragédia.
Isaias Edson Sidney
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 12:48 PM
Sexta-feira, Dezembro 14, 2007
A RESSACA DA TROPA
A tropa ficou feliz. Derrotou o Governo. Abraços, sorrisos, gritos histéricos para a história. Acabou a CPMF!
Por trás da tropa, nos altos da Paulista, um certo Skaf também sorria: sua outra tropa ia ficar livre do olho atento da receita. Porque a tropa do Planalto Central, com um tal de Virgílio (o Poeta deve revirar na tumba a cada vez que chamam o daqui, com o prenome de cavaleiro da Távola Redonda, que por aqui é mais do que quadrada) e outros que se autodenominam democratas (para enganar que patrocinaram, apoiaram e mantiveram por vinte anos os milicos golpistas) cumpriram com seu dever cívico: o de ferrar o povo e comemorar.
Também ali no alto dos apartamentos elegantes de um bairro chamado Higienópolis, cidade da higiene, da limpeza, um sorriso de monalisa estampa a face do boquirroto ex-presidente, um cardo amargo de inveja e revanche.
A burrada foi comemorada. Com certeza, champanhas e uísques em brindes à saúde do povo brasileiro, agora desprovido da contribuição dos riquinhos do sistema, espoliado em quarenta bilhões.
Para que precisavam de quarenta bilhões os doentes do País?
Que paguem planos de saúde caros, inoperantes e espoliadores, criados na época de ouro daquele que se vendeu e vendeu o País para se reeleger.
Que morram em becos sujos de favelas ou em palafitas sem esgoto. Que se esfalfem de trabalhar em canaviais e construções sem eira nem beira, mas que movimentam usinas e riquezas desse desgraçado País que só começou a crescer agora, com o compromisso sério de uma economia responsável!
Mas aí veio a ressaca. A ressaca dos burros. Dos burros que bateram as patas e negaram com o rabo preso qualquer possibilidade de negociação.
Que se estrepasse a CPMF, eu acho, sinceramente. Porque, no fundo, no fundo, não era ela que estava em discussão, nesse imbroglio todo de birras e histeria.
Que se estrepasse a CPMF, mas que se abrissem as burras dos burros para algo muito mais importante: negociar formas de melhorar, sim, não só a saúde dos brasileiros, mas todo um sistema injusto de tributação, numa reforma mais que necessária de todo o fisco.
Mas, não: a tropa só via a cenoura-revanche. A oportunidade de dizer ao Governo que ele não pode melhorar a vida do povo, porque distribuir renda é pecado, pecado capital, que essa gentinha da FIESP e seu capitão-mor não admitem cometer. Para isso, beijam todo domingo a mão do padre e comem hóstia.
Agora, a ressaca. Os burros todos estão de ressaca: que foi que fizemos? Nada, caras-pálidas, vocês não fizeram nada. Apenas perderam o bonde da história, com sua histeria. E deixaram na mão milhões de pessoas que dependem (hélas!) de uma tropa bêbada de sangue e (desculpem o pleonasmo) burra!
Que a tropa e seus tropeiros aprendam a lição, tenho minhas dúvidas. Porque haverá, sim, uma campanha de muitos milhões para fazer o povo esquecer e reeleger essa cambada. Sempre os mesmos. Sempre os mesmos.
Isaias Edson Sidney
posted by ISAIAS EDSON SIDNEY 3:08 PM
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